Justiça aceita denúncia e torna réu Armando Mendonça, vice do Corinthians

Armando Mendonça, vice do Corinthians, durante evento
Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians — Foto: Emilio Botta

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu Armando Mendonça no caso da gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike. A decisão, proferida pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal do Foro Central da Barra Funda, aponta indícios sobre os crimes listados pela denúncia.

Desdobramentos: Armando Mendonça e a denúncia

No documento, o Ministério Público acusa Armando Mendonça de apropriação indébita agravada continuada, tentativa de apropriação indébita agravada continuada, furto qualificado pelo abuso de confiança e coação no curso do processo. A magistrada acolheu a peça do promotor Cássio Roberto Conserino e considerou haver indícios de autoria e materialidade.

O dirigente está afastado de suas funções desde o dia 8 e terá dez dias para apresentar sua defesa após a intimação. Testemunhas relacionadas à investigação também serão ouvidas pela Justiça no curso do processo.

O que aponta a investigação

Segundo o Ministério Público, consta da investigação que houve apropriação de 131 itens de material esportivo da Nike; tentativa de obtenção de 19 camisas especiais com patch da NFL; subtração de oito unidades dessa edição comemorativa; além de ameaças a duas testemunhas durante a apuração. Esses pontos foram incluídos na denúncia que agora segue para instrução penal.

Relatório de auditoria interna, elaborado a pedido do presidente Osmar Stabile pelo diretor de tecnologia do clube, apontou irregularidades na gestão dos materiais e colocou o vice-presidente no centro de parte das inconformidades detectadas. Em resposta aos fatos, o vice negou irregularidades e sustentou que falhas ocorreram em gestões anteriores, afirmando também ter promovido correções na administração atual.

O caso já vinha sendo acompanhado pela imprensa e pela direção do clube. Para um levantamento mais detalhado sobre a evolução do processo e as denúncias iniciais, a cobertura do Guia Esportivo reuniu matérias que tratam da denúncia e do impacto administrativo no Corinthians: MP denuncia Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, no caso dos materiais da Nike, Ministério Público denuncia vice do Corinthians no caso Nike com prejuízo de R$ 6,21 milhões e MP denuncia vice do Corinthians por retirada de materiais da Nike.

Impacto administrativo e medidas cautelares

A juíza Amanda Eiko Sato rejeitou pedidos do Ministério Público para aplicação de medidas cautelares, como a suspensão temporária do quadro de associados e a proibição de frequentar as dependências do clube. A decisão judicial ressaltou o afastamento voluntário de 30 dias feito por Armando e entendeu que não há indícios de que ele exerça influência sobre testemunhas ou colaboradores que justifiquem restrições adicionais.

O promotor Cássio Roberto Conserino anunciou a intenção de recorrer da decisão que negou as medidas cautelares, informou a peça da acusação; a movimentação processual será acompanhada pela Justiça enquanto a defesa prepara sua resposta. Até a publicação desta reportagem, Armando Mendonça não havia se manifestado ao contato da reportagem.

Procedimento judicial e próximas etapas

Com a aceitação da denúncia, a fase de instrução deverá seguir com a produção de provas, inquirição de testemunhas e apresentação das peças de defesa. Em termos práticos, o processo penal abrirá prazos regimentais para que as partes apresentem documentos e arrolamentos, conforme previsto no Código de Processo Penal.

Especialistas em direito penal consultados pela cobertura destacam que a aceitação da denúncia não equivale a confirmação de culpa, mas indica que o juiz entendeu haver elementos mínimos para dar continuidade à ação penal. A defesa poderá, entre outros instrumentos, reapresentar alegações preliminares e requerer diligências para tentar demonstrar inconsistências no relatório e nas provas juntadas.

  • Denúncia aceita pela Justiça de São Paulo
  • Cargos imputados: apropriação indébita, furto qualificado e coação
  • Armando Mendonça afastado e com prazo para defesa
  • Promotor deve recorrer contra negativa de medidas cautelares

Além da tramitação judicial, a repercussão política dentro do clube e entre conselheiros seguirá como ponto de atenção. O episódio reacende discussões sobre governança e controles internos na gestão de materiais e contratos de fornecimento.

Contexto: a investigação parte de auditoria interna e de análises do Ministério Público sobre a gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube.

O nome de Armando Mendonça foi citado repetidamente na peça do MP, que atribui a ele a apropriação de itens e tentativa de obtenção de camisas especiais, além das supostas ameaças a duas testemunhas. A presença do vice no processo coloca em evidência a necessidade de transparência nas apurações internas e no acompanhamento pela diretoria do clube.

Para acompanhar o andamento processual e eventuais novas decisões judiciais, a reportagem seguirá atualizando a cobertura conforme surgirem movimentações no caso.

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