O Ministério Público de São Paulo denunciou Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, por supostos crimes relacionados à retirada de materiais esportivos do clube. A denúncia tem como base uma auditoria interna e investigações que vinham sendo conduzidas desde 2025.
Contexto da denúncia e investigação
Segundo a acusação, os fatos ocorreram entre junho e outubro do ano passado nos almoxarifados do Parque São Jorge e do Centro de Treinamento. Armando Mendonça teria utilizado seu acesso ao sistema do clube para retirar itens fornecidos pela Nike, o principal fornecedor de materiais esportivos do Corinthians.
Essa denúncia integra uma ampla investigação sobre o controle de materiais no clube, acompanhada pelo Ministério Público por mais de um ano. Em maio deste ano, apesar da Polícia Civil não ter encontrado provas suficientes para caracterizar crime, o MP resolveu manter as apurações.
Auditoria interna revela falhas na gestão
A investigação teve início a partir de um relatório de auditoria interna solicitado pela própria diretoria do Corinthians. O levantamento estudou o fluxo de entrada e saída de materiais esportivos nos almoxarifados do clube e apontou diversas irregularidades.
Foram identificadas falhas no controle de estoque, distribuição irregular de produtos e inconsistências nos registros. O relatório ainda indicou lacunas no controle dos materiais fornecidos pela Nike, como falhas de registro e ausência de padronização nos procedimentos de gestão.
O documento revelou que o clube excedeu a cota prevista em contrato com a Nike, mesmo registrando falta de uniformes em setores como as categorias de base. Também foram encontradas notas fiscais não lançadas no sistema, comprometendo o controle contábil e a rastreabilidade dos produtos.
Detalhes da denúncia e materiais retirados
A denúncia do Ministério Público destaca a retirada irregular de 131 itens esportivos, que incluem camisas, agasalhos, calças, tênis e outros produtos fornecidos pelo clube. Esses movimentos estavam ligados ao nome do dirigente nos registros internos, mas parte dos materiais não teve uma destinação institucional comprovada.
Além disso, a acusação menciona uma tentativa de retirada de 19 camisas da NFL e a subtração de outras oito peças sem registro formal no sistema interno.
Conflito entre Polícia Civil e Ministério Público
O caso gerou divergência entre as autoridades. Enquanto a Polícia Civil concluiu o inquérito sem indícios fortes para caracterizar crime, o Ministério Público entendeu que ainda existiam provas e documentos que precisavam ser avaliados mais a fundo.
O MP classificou o relatório policial como essencialmente descritivo e ressaltou a necessidade de novas análises documentais e depoimentos para elucidar os fatos.
Acusações de coação sobre testemunhas
Na denúncia, há também a menção a uma suposta tentativa de coação de pessoas envolvidas na auditoria. Segundo o Ministério Público, o dirigente teria enviado notificações extrajudiciais a funcionários do clube, pedindo retratações sobre o conteúdo do relatório e acesso às provas utilizadas na auditoria.
O MP considera que essas ações podem ter interferido nas investigações, incluindo essa conduta na denúncia como coação no curso do processo.
Próximos passos e desdobramentos
O Ministério Público solicitou a abertura de ação penal contra Armando Mendonça, além de medidas cautelares como o afastamento do cargo e restrições de acesso às dependências do Corinthians durante a tramitação do processo.
Também foi pedido uma perícia no sistema interno do clube e o encaminhamento de informações para a Receita Federal para investigar possíveis irregularidades fiscais apontadas pela auditoria.
Agora, caberá à Justiça analisar a denúncia e decidir sobre o andamento da ação penal, que pode trazer novos capítulos conforme o processo avance.



