Textor Botafogo inclui presidente em processo nos EUA e cobra mais de US$ 400 milhões

John Textor e João Paulo Magalhães — Textor Botafogo em disputa judicial
João Paulo Magalhães Lins e John Textor, presidente e dono da SAF do Botafogo, respectivamente — Foto: Bárbara Mendonça/ge

John Textor voltou a mover desdobramentos legais e, nesta sexta-feira, apresentou novos documentos na ação que corre na Justiça da Flórida. A petição anexada pelo empresário americano incluiu João Paulo Magalhães e Carlos Augusto Montenegro como alvo de cobranças por suposta interferência — e marca mais uma etapa da disputa que colocou o nome de Textor e do clube no centro do debate jurídico. Textor Botafogo é o termo que resume a controvérsia: o dono afirma ser proprietário de 90% da SAF do Botafogo e pede indenização superior a US$ 400 milhões.

Textor Botafogo: principais pontos da ação

No documento ao qual a reportagem teve acesso, Textor solicita três medidas centrais: o reconhecimento judicial da propriedade da SAF Botafogo por parte do autor, a declaração de nulidade do acordo de compra das ações e pedido de indenização em face de João Paulo Magalhães e Carlos Augusto Montenegro. A ação repete alegações já apresentadas em petições anteriores, entre elas a de que a Eagle Bidco não teria efetuado o pagamento de 24 milhões de dólares previsto no acordo de novembro de 2022.

  • Reconhecimento de propriedade da SAF Botafogo por Textor;
  • Declaração de nulidade do acordo de compra das ações;
  • Pedido de indenização por danos e atuções consideradas ilícitas nos negócios do empresário.

Segundo a peça processual, a ausência do pagamento implicaria que a transferência de ações jamais teria sido concluída, o que sustentaria a tese de que Textor permanece titular de 90% da SAF. Além do pedido de indenização superior a US$ 400 milhões, a ação pleiteia danos punitivos, honorários advocatícios e custas processuais.

Textor também imputa a João Paulo Magalhães e a Montenegro ações de interferência ilícita nos seus direitos econômicos e societários, citando articulações relacionadas a reuniões com GDA Luma Capital e Michele Kang, presidente do Lyon, nas quais ele afirma não ter participado.

Carlos Augusto Montenegro em coletiva — Textor Botafogo
Montenegro em entrevista durante a pré-temporada do Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Este processo nos Estados Unidos é a segunda frente judicial envolvendo a mesma disputa: há também uma ação em curso no Rio de Janeiro. A existência de litígios paralelos em diferentes jurisdições é um aspecto relevante para a estratégia das partes, pois cada tribunal pode ter competência distinta sobre questões contratuais e societárias.

Repercussão e pontos de atenção

A inclusão de dirigentes do clube na lista de réus amplia o alcance da disputa e pode intensificar a atenção de investidores, sócios e entidades que acompanham a governança de clubes-empresa no Brasil. Especialistas consultados em matérias semelhantes costumam lembrar que, em casos que envolvem contratos internacionais, diferentes fatores — como cláusulas contratuais, documentação de pagamento e regras societárias locais — tendem a ser analisados com rigor por juízes e peritos.

No caso descrito nos autos, Textor aponta que a Eagle Bidco nunca efetivou o pagamento dos US$ 24 milhões previstos, argumento usado para sustentar a manutenção de sua titularidade sobre a maior parte das cotas da SAF. Ao mesmo tempo, a petição atribui a João Paulo Magalhães e a Montenegro uma atuação nos bastidores que teria lesado os direitos do americano.

Fontes e representantes procurados pela reportagem não se pronunciaram até a publicação. A falta de resposta oficial foi registrada também em publicações anteriores sobre a disputa, em que a defesa do Botafogo e outros envolvidos optaram por não comentar o teor das ações em curso.

Justiça extingue processo Textor Botafogo que reivindicava ações da SAF trata de desdobramentos anteriores envolvendo a tentativa de reconhecimento de propriedade; outro levantamento com contexto está em Ação de Textor na Flórida mira Eagle e põe em disputa 90% das ações da SAF Botafogo, que detalha a petição inicial nos EUA.

Para entender o cenário mais amplo e as possíveis alternativas apresentadas à diretoria do clube, o leitor pode consultar também a matéria Propostas na mesa, decisão da Eagle e ação de Textor, que reúne os caminhos discutidos por investidores e pelo conselho; e o histórico de posicionamentos de Textor constam em Textor diz que ainda é dono da SAF Botafogo.

Textor Botafogo: o que vem a seguir

Com a nova petição, o caso segue sua tramitação na Flórida, respeitando prazos e procedimentos do Judiciário americano. A existência de ação paralela no Brasil significa que decisões em uma jurisdição podem influenciar, mas não necessariamente determinar, o resultado na outra. A matéria jurídica que envolve contratos internacionais e estrutura societária de clubes tem complexidade maior, e as próximas movimentações processuais devem esclarecer pontos documentais e probatórios levantados por Textor.

O desfecho administrativo ou judicial terá impacto direto na governança do clube e na relação com potenciais investidores, além de afetar a percepção pública sobre a estabilidade da gestão. A disputa também serve como exemplo das dificuldades que podem surgir em transações envolvendo SAFs, investidores estrangeiros e acordos internacionais.

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