A ação de Textor na Flórida abriu mais um capítulo da disputa sobre o controle da SAF do Botafogo. Nesta quinta-feira, John Textor entrou com um processo na Justiça do estado americano contra a Eagle Bidco Limited e pediu que o tribunal declare que ele é o dono de 90% das ações da SAF Botafogo.
Segundo a petição, o caso é semelhante ao que o empresário já havia protocolado na Justiça do Rio de Janeiro na segunda-feira. No centro do litígio, Textor sustenta que a venda prevista em um acordo assinado em novembro de 2022 não teria sido concluída, o que, na visão dele, impede a Eagle de reivindicar domínio e negociar as ações em disputa.
O que pede a ação de Textor na Flórida
No processo apresentado nos Estados Unidos, Textor solicita uma declaração judicial para reconhecer sua titularidade sobre 90% das ações da SAF Botafogo. A argumentação aponta que a transferência das ações que estaria prevista no acordo teria como contrapartida um pagamento de cerca de R$ 150,3 milhões ao americano — valor que, de acordo com a defesa, não foi pago.
Além do pedido central, o documento menciona que a Eagle e, em alguns momentos, em conjunto com o BFR, estariam reivindicando direitos de controle e propriedade sobre as ações e se recusando a cessar condutas que, na interpretação do autor, violariam seus direitos.
Em termos práticos, Textor tenta impedir que a controvérsia avance para uma venda a terceiros sem que antes haja definição judicial sobre quem é o legítimo proprietário do bloco acionário.
Entenda o acordo de 2022 e o valor em debate
De acordo com a versão apresentada por Textor, o acordo de compra e venda da SAF Botafogo, datado de novembro de 2022, previa uma operação que dependeria do pagamento de aproximadamente R$ 150,3 milhões como contrapartida pela transferência das ações. A petição sustenta que, como esse pagamento não foi realizado, a operação não teria sido concluída.
Um ponto destacado na ação é que, à época, Textor era controlador da Eagle. Mesmo assim, ele afirma que o contrato previa que o pagamento não seria feito por ele, mas por outros acionistas da própria Eagle. Esse detalhe aparece como base para a tese de que o não cumprimento da obrigação financeira impede o fechamento do negócio tal como previsto.
Possível venda e alerta sobre compra “inválida”, segundo Textor
O processo também relata que a Eagle teria afirmado a intenção de vender as ações ao maior ofertante. Textor, por sua vez, diz que a SAF Botafogo indicou a GDA como preferida para uma aquisição, mas sustenta que uma venda nessas condições seria inválida enquanto não houver definição sobre a titularidade.
Em declaração pública recente, Textor reiterou a tese de que é dono de 90% das ações e afirmou que qualquer comprador deveria estar ciente da disputa. Ele também criticou a atuação do associativo e disse que, pelas regras mencionadas por ele, o clube social teria 10% e não teria o direito de negociar a venda das ações. Em trecho da fala, o americano declarou:
“O fato é: eu sou o dono de 90% das ações. Vai ser altamente disputado entre mim e Eagle Bidco. Mas a Eagle não tem o direito de vender ações que eu sou dono. Se eles fizerem isso, o comprador tem que estar consciente de que está comprando algo inválido.”
A declaração integra um contexto de embate que, agora, passou a tramitar também na Justiça americana, ampliando o alcance do conflito e colocando o tema sob a análise de tribunais em mais de uma jurisdição.
Principais pontos citados no processo
O documento ao qual o ge teve acesso traz trechos que apontam a existência de um conflito atual sobre domínio e controle das ações. Entre os pontos mencionados, o processo afirma que:
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a Eagle e, por vezes, em conjunto com o BFR, estariam reivindicando indevidamente direitos de domínio e controle sobre as ações;
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a Eagle teria indicado que pretende vender as ações ao maior “ofertante”;
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o BFR teria participado de esforços envolvendo a escolha de ofertantes e, segundo o texto, poderia ter assinado acordos com um ou mais interessados;
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em 2 de junho de 2025, a SAF teria indicado preferência por uma aquisição pela GDA Luma, firma de investimentos sediada em Miami-Dade, Flórida;
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teria havido divergência sobre a informação de quem seria o proprietário das ações, com impacto em tratativas com terceiros, incluindo ao menos um banco citado no processo.
O processo sustenta, ainda, que como a “conclusão” da operação não ocorreu até a data prevista e as partes seguem reivindicando direitos sobre as ações, haveria uma necessidade “legítima, real, presente e prática” de uma declaração judicial sobre a condição de Textor como proprietário.
O que acontece agora
Com a nova ação protocolada na Flórida, caberá ao tribunal analisar os pedidos e a documentação apresentada pelas partes. A disputa gira em torno de validade e conclusão do acordo de 2022, do pagamento mencionado e de quem tem, de fato, o direito de exercer domínio e controle sobre as ações da SAF Botafogo.
Enquanto o caso tramita, a controvérsia tende a seguir no foco por envolver governança e controle societário da SAF, com reflexos diretos em decisões estratégicas e na estabilidade do projeto esportivo e administrativo do clube.
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