John Textor, afastado do comando da SAF do Botafogo desde abril, reforçou sua posição como principal acionista da sociedade e criticou duramente o clube social alvinegro. Em entrevista coletiva realizada no Rio de Janeiro, o empresário americano afirmou ser proprietário de 90% das ações da SAF e advertiu potenciais investidores sobre a validade da venda de ações sem sua autorização.
John Textor mantém controle e questiona legitimidade do associativo
Após decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que afastou Textor alegando riscos de danos irreparáveis à comunidade botafoguense, o empresário afirma que o direito sobre as ações da SAF permanece sob seu controle. Ele demonstrou preocupação com o que classifica como uma tentativa do clube social de recuperar poder no Botafogo sem respaldo legal.
“Eu sou o dono de 90% das ações. Vai ser altamente disputado entre mim e Eagle Bidco. Mas a Eagle não tem o direito de vender ações que eu sou dono. Se eles fizerem isso, o comprador tem que estar consciente de que está comprando algo inválido”, destacou Textor. Ele também criticou o associativo: “Eles não têm o direito de fazer isso. O clube social tem que se responsabilizar pelo que tá acontecendo. O clube social quer ego, poder, quer o clube deles de volta”.
Contexto da gestão na SAF e impasse judicial
O momento é delicado para o Botafogo, que desde abril conta com Eduardo Iglesias como diretor da SAF e busca um novo investidor para a gestão do clube. A disputa judicial sobre a titularidade das ações permanece em aberto, enquanto Textor defende seu direito e alerta sobre possíveis negociações irregulares.
Ele afirmou que a resolução sobre as ações será decidida futuramente, mas deixou claro que o associativo não possui legitimidade para vender as ações da SAF, mesmo havendo negociações em andamento. Essa situação evidencia o conflito entre os interesses do clube social e os dos acionistas da SAF.
Experiência internacional e críticas ao modelo de gestão
Além do Botafogo, Textor compartilhou sua experiência com o Olympique Lyonnais, clube francês do qual foi acionista até o meio do ano passado. Ele relatou seu embate com o modelo de controle financeiro do clube, que o levou a renunciar para viabilizar o retorno do time à primeira divisão após rebaixamento por questões financeiras.
“Eu, como um americano capitalista, não entendia isso. Era puro socialismo”, disse, referindo-se às regras da Direção Nacional de Controle e Gestão (DCNG). Textor destacou que tentou implementar um modelo semelhante ao da Premier League, mas não conseguiu obter os votos necessários e acabou pedindo licença.
Ele lembrou que, após sua saída, o Lyon retornou rapidamente à elite do futebol francês, fato que definiu como um alerta para sua trajetória.
Futuro do Botafogo e próximos passos
O Botafogo enfrenta também desafios esportivos e financeiros, como recentes punições relacionadas a transferências e movimentações no mercado. Enquanto isso, Textor afirma que continuará na luta pelo controle da SAF e alerta para a necessidade de que todos os envolvidos reconheçam a situação real dos direitos acionários.
A situação permanece em constante atualização, com impactos diretos na gestão do clube e na relação entre acionistas e o clube social.



