O episódio conhecido como VAR analógico reapareceu na memória ao relembrar Brasil x Noruega de 1998: imagens divulgadas um dia após a partida mostraram o puxão de Júnior Baiano em Tore André Flo que resultou no pênalti convertido por Kjetil Rekdal, aos 43 minutos, e deram razão à marcação do árbitro Esfandiar Baharmast.
O “VAR analógico” e a imagem sueca que mudou a leitura do lance
No jogo disputado em 23 de junho de 1998, em Marselha, a Seleção abriu o placar com Bebeto, aos 33 minutos do segundo tempo, e viu Tore André Flo empatar cinco minutos depois. A decisão veio nos minutos finais, quando Flo sofreu falta dentro da área cometida por Júnior Baiano. A transmissão inicial não mostrou de forma clara o contato, o que gerou críticas imediatas à arbitragem — até que uma emissora sueca divulgou imagens que exibiam o início do lance e o puxão na camisa.
O árbitro Esfandiar Baharmast, que havia dado o pênalti, relatou depois que só percebeu a dimensão da polêmica ao deixar o campo. “Eu vi claramente Júnior Baiano puxando Tore André Flo pelas costas da sua camisa, ela estica e fica parecendo uma vela em um barco veleiro. Eu seguro um pouco o apito para ver se vai ter alguma vantagem e como não ocorreu, tive que dar o pênalti”, disse Baharmast em entrevista à Fifa, repetindo que estava “100% certo” da decisão.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2026/K/T/do74huQLea5reqUoF2sA/adobe-express-file-1-.jpg)
Como o episódio foi interpretado na época
Na origem do lance, as imagens da transmissão francesa não deixaram claro o contato e as reclamações foram generalizadas de que o Brasil havia sido prejudicado. A divulgação do registro sueco, no entanto, funcionou como um “VAR analógico”: uma imagem complementar mostrou o puxão e justificou a marcação do árbitro norte-americano. Nas horas seguintes à partida, reportagens e telefonemas confirmaram que a percepção pública mudaria após a divulgação do vídeo.
- 23/06/1998, Marselha: Bebeto abre o placar para o Brasil;
- Cinco minutos depois: Tore André Flo empata para a Noruega;
- Aos 43 minutos: Júnior Baiano puxa a camisa de Flo na área; Kjetil Rekdal converte o pênalti;
- Desfecho: Noruega vence por 2 a 1 e avança às oitavas; Brasil segue no torneio e depois chega à final.
O próprio Baharmast contou que, por volta de 3h ou 4h da manhã, recebeu uma chamada da esposa orientando-o a ver um vídeo em um site — ao conferir o registro, o árbitro disse ter sentido que havia “justiça” na análise do lance. A lembrança do árbitro sobre a marcação aparece como registro da convicção da arbitragem naquele momento.
O desfecho daquela Copa foi amplamente noticiado: o Brasil chegou até a final e foi derrotado pela França por 3 a 0, enquanto a Noruega foi eliminada já nas oitavas ao perder para a Itália por 1 a 0. A partida entre as seleções só voltou a acontecer em uma Copa do Mundo na edição atual, 28 anos depois.
O episódio do VAR analógico segue como exemplo de como imagens complementares podem alterar a percepção sobre um lance polêmico, mesmo antes da introdução da tecnologia de vídeo-assistente. Em diferentes coberturas e reportagens, o caso é citado como referência sobre a importância da captura completa do início de uma jogada para análise posterior.
Nas redes e na preparação para o reencontro em 2026, torcedores e atletas relembraram o episódio em tom de provocações e memórias. Entre as publicações recentes, houve interação entre jogadores e brincadeiras nas redes sociais — contexto explorado em cobertura como a troca de brincadeiras entre Vini Jr. e Haaland e nas postagens de torcedores que repercutiram o jogo.
Além do aspecto histórico, o confronto também gerou curiosidade sobre detalhes práticos: desde os uniformes escolhidos para o duelo (veja os uniformes para as oitavas) até o custo de ingressos e camarotes em partidas com alta demanda (valores de camarotes).
Para quem acompanha a preparação das equipes, há também relatos sobre condições e clima, tema abordado em cobertura específica (reportagem sobre sensação térmica).
Em campo, o episódio de 1998 permanece como capítulo à parte: uma situação em que uma imagem adicional serviu como verificação tardia e influenciou a memória coletiva do jogo. O termo VAR analógico, por isso, é usado hoje de forma metafórica para descrever casos em que uma evidência visual posterior corrige ou confirma uma decisão tomada pelo árbitro no calor da partida.
Para acompanhar mais notícias e bastidores do esporte, siga o Guia Esportivo no Instagram.
3 visualizações



