México aposta no Estádio Azteca para enterrar a ‘maldição do jogo cinco’

Torcida no Estádio Azteca durante evento antes da Copa do Mundo
Estádio Azteca pronto para receber a abertura da Copa do Mundo — Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach

O México estreia na Copa do Mundo contra a África do Sul às 16h (de Brasília) e aposta no Estádio Azteca como principal trunfo para tentar enterrar a chamada “maldição do jogo cinco” — uma sequência histórica que marcou as campanhas do país quando saiu do azteca. O estádio volta a ser palco das partidas iniciais dos anfitriões e surge como cenário decisivo para as ambições mexicanas.

Estádio Azteca e a história nas Copas

O Estádio Azteca já foi casa da seleção mexicana em duas Copas disputadas no país — 1970 e 1986 — e, naquele período, a equipe local somou sete partidas no estádio com cinco vitórias e dois empates. Em ambas as edições, a trajetória terminou após a equipe deixar o estádio: na primeira edição citada, o México foi eliminado nas quartas ao viajar para Toluca; em 1986, a eliminação aconteceu nas penalidades contra a Alemanha Ocidental, após a seleção ter atuado longe da capital.

Esses episódios alimentaram a narrativa popular sobre a “maldição do jogo cinco”: a ideia de que a seleção mexicana tende a sofrer a eliminação assim que abandona o Azteca. O atual calendário do torneio oferece à seleção a possibilidade de contar com a força de sua torcida logo nas primeiras partidas: na fase de grupos, o México fará seus jogos contra África do Sul e República Tcheca no Estádio Azteca, deixando Guadalajara apenas para enfrentar a Coreia do Sul.

Javier Aguirre, técnico do México
Javier Aguirre, técnico do México — Foto: REUTERS/Henry Romero

No vestiário e nas arquibancadas, a estratégia passa por transformar o Estádio Azteca em ambiente hostil para os adversários e propício ao rendimento do time. O treinador Javier Aguirre, que integrou a seleção de 1986, reforçou essa ideia na véspera da estreia: “Passe o que passe, nossa torcida estará conosco. Vai ser uma festa que vai durar por muitas décadas. Espero que comecemos com o pé direito, que demonstremos nossa maneira de jogar. Sabemos que pode ser um dia histórico. A vida mostra que dificilmente esses jogadores viverão isso de novo”.

O caminho no grupo e a chance de voltar ao Azteca

A disposição dos jogos abre a janela para que o México, se terminar como melhor do grupo, retorne à Cidade do México para os jogos das fases eliminatórias contra um dos melhores terceiros colocados. Assim, o Estádio Azteca pode aparecer novamente como palco das oitavas, oferecendo à seleção local uma nova chance de enfrentar a tal sequência que a história sugere. Caso avance às quartas, a próxima partida seria disputada fora do país, em solo dos Estados Unidos, conforme a logística do torneio.

Além do aspecto emocional, manter partidas no Estádio Azteca nos primeiros compromissos garante à seleção a previsibilidade do ambiente — algo que, historicamente, funcionou bem para o México nas Copas realizadas em casa. Como referência desse aproveitamento, vale relembrar os resultados nas duas edições citadas:

  • 1970: empate com a União Soviética (0 a 0), vitórias sobre El Salvador (4 a 0) e Bélgica (1 a 0); eliminação nas quartas ao viajar para Toluca.
  • 1986: vitórias sobre Bélgica (2 a 1) e Iraque (1 a 0), empate com o Paraguai (1 a 1) na fase de grupos; classificação às oitavas e eliminação nos pênaltis pela Alemanha Ocidental após deixar a capital.

Hoje a equipe que inicia a Copa conta com jogadores experientes e nomes de peso no elenco, incluindo o goleiro Guillermo Ochoa, que participa de sua sexta Copa do Mundo. A presença de atletas com rodagem torna o apoio da torcida ainda mais relevante na construção de um ambiente de segurança e confiança para o grupo.

Para o torcedor e para a comissão técnica, a combinação entre memória histórica e apoio nas arquibancadas pode ser decisiva. A logística do torneio favorece o México nas fases iniciais, mas a equipe precisa transformar essa vantagem em desempenho dentro de campo para evitar o destino que se repetiu nas edições anteriores.

Além do desempenho esportivo, o entorno do Estádio Azteca tem sido tema de mobilizações públicas nos dias de competição. Protestos e questões operacionais chegaram a afetar o acesso ao complexo em eventos recentes, preocupando organizadores e autoridades locais. A cobertura dos preparativos e do comportamento das torcidas tem sido acompanhada de perto pela imprensa e pelas autoridades responsáveis pela segurança.

Para entender melhor o reencontro entre as equipes e as particularidades do confronto de abertura, a reportagem do Guia Esportivo compilou matérias sobre o histórico do duelo e as repercussões locais. Entre os conteúdos relacionados, estão textos sobre o reencontro entre México e África do Sul no Azteca, questões de acesso ao estádio e estatísticas sobre estreias de anfitriões em Copas: releitura do reencontro no Azteca, reportagem sobre protestos que afetaram o acesso ao Estádio Azteca e a análise histórica sobre estreias de anfitriões em Copas neste levantamento.

O duelo de abertura é, portanto, muito mais do que uma partida: é uma oportunidade para o México reafirmar sua relação com o Estádio Azteca e tentar reescrever um padrão que pesa na memória dos torcedores. O resultado e a atuação no campo dirão se a seleção conseguiu transformar a casa em um trampolim em vez de um limite.

Para acompanhar mais notícias e bastidores do esporte, siga o Guia Esportivo no Instagram.

3 visualizações

Compartilhe:

X
Facebook
Telegram
WhatsApp
Print

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Outras Notícias
Notícias no E-mail

Reeba todas nossas novas notícias direto no seu e-mail.

plugins premium WordPress