O Marrocos optou por um chute para lateral no pontapé inicial da partida contra o Brasil, abrindo mão da posse imediata para tentar provocar uma pressão na saída de bola adversária. A escolha, vista por muitos como curiosa, é uma opção tática já utilizada por equipes europeias que buscam condicionar o rival desde os primeiros segundos.
Por que o chute para lateral funciona?
A estratégia do chute para lateral tem objetivo claro: transformar a saída de bola do adversário em uma situação de risco controlado. Equipes que apostam em pressão alta e linhas ofensivas avançadas preferem enfrentar o oponente quando ele se organiza para receber a bola, em vez de desperdiçar energia contra uma defesa compacta no terço final. Ao ceder a bola no pontapé inicial, o time que pressiona força o adversário a tocar a bola sob condições menos favoráveis, potencialmente gerando erros ou retomadas próximas ao gol.
O recurso não é exclusivo do Marrocos. Clubes do futebol europeu, inclusive times com saída de bola construída de forma criteriosa, já ensaiaram variações parecidas para surpreender o rival. Em muitos casos, a intenção é criar um cenário em que a equipe que recebe a bola precise recuar com segurança, dando à pressão inicial a chance de surtir efeito.
Como funciona na prática
Na prática, o sucesso do chute para lateral depende da coordenação entre as linhas e da velocidade para ocupar espaços. Se os atacantes conseguem avançar rapidamente para fechar opções de passe, a pressão pode forçar um erro. No jogo contra o Brasil, porém, a tentativa não produziu consequência ofensiva imediata para o Marrocos: Ibañez cobrou o lateral rapidamente, os atacantes marroquinos não chegaram a tempo para pressionar com intensidade e a Seleção brasileira afastou o perigo com um passe longo de Marquinhos.
O comentarista Rodrigo Coutinho, do Grupo Globo, explicou a lógica tática por trás desse tipo de movimentação: a equipe que abre mão da posse espera criar uma situação mais favorável para recuperar a bola e construir a jogada em campo adversário. A alternativa, quando bem executada, pode deixar o rival exposto em campo aberto — mas exige coordenação e velocidade no momento da pressão.
- Vantagens: pode gerar retomada em zona ofensiva e forçar erros da saída de bola.
- Riscos: se a recomposição defensiva não for rápida, o adversário pode responder em transição e criar perigo.
- Fatores determinantes: tempo de reação dos atacantes, posicionamento das linhas e capacidade do adversário em jogar com calma sob pressão.
O exemplo prático no jogo foi simples: o Marrocos colocou a bola pela linha lateral no início; Ibañez cobrou o lateral de forma ágil; a pressão não se consolidou; e Marquinhos afastou em um chute para frente que não trouxe risco à meta brasileira.
Chute para lateral: quando as equipes adotam a tática
Times optam pelo chute para lateral em situações específicas, por exemplo quando:
- preferem forçar o adversário a tocar a bola em espaço reduzido;
- querem testar a coordenação defensiva rival desde o começo;
- buscam impor ritmo elevado e cansar a equipe que tem a bola.
Embora seja uma manobra de efeito tático, não há garantia de sucesso automático. Clubes com linhas altas e bom entrosamento tendem a tirar mais proveito. Em partidas de alto nível, qualquer erro de tempo na pressão compromete a ação — como ocorreu na partida Brasil x Marrocos quando a cobrança rápida do lateral impediu que o Marrocos conseguisse fechar as linhas a tempo.
Contexto e repercussão
O recurso técnico ganhou atenção na cobertura e nas redes sociais, que registraram reações sobre a decisão marroquina de iniciar a partida dessa forma. Para quem busca análises mais amplas sobre a participação do Marrocos na competição, há textos que detalham pontos fortes e fragilidades da seleção e contextualizam escolhas táticas ao longo do torneio. Veja também a análise sobre Marrocos na Copa: pontos fortes, fragilidades e desafios para o Brasil e matérias sobre a escalação da Seleção e a repercussão da estreia: Escalação da Seleção: Igor Thiago é titular contra Marrocos e Reações e memes marcam estreia do Brasil contra Marrocos.
Há também perfis de jogadores que merecem atenção na seleção marroquina e que ajudam a entender as escolhas técnicas do time: Neil El Aynaoui é destaque do Marrocos, por exemplo, tem sido citado em análises sobre mobilidade e pressão na linha de frente.
Conclusão
O chute para lateral no pontapé inicial é uma alternativa tática legítima, com potencial para alterar a dinâmica de uma partida quando executada com intensidade. No caso do jogo contra o Brasil, a tentativa não surtiu efeito porque a recomposição brasileira foi rápida e a cobrança do lateral foi feita com agilidade por Ibañez, permitindo que a Seleção neutralizasse a ação e afastasse o perigo.
Em termos práticos, a jogada deixa claro que treinadores buscam variações para desequilibrar o rival desde o primeiro minuto. A eficácia depende de treino, movimentação e decisão coletiva — e, como todo recurso tático, seu resultado só é conhecido durante a execução em campo.
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