Torcedor mineiro abandona seleção e se torna fã da Argentina

Torcedor mineiro Gilberto Mateus torce pela Argentina
Gilberto Mateus largou a seleção brasileira e torce para a Argentina desde 1998 — Foto: Bruno Ribeiro

Torcedor mineiro Gilberto Mateus de Oliveira decidiu deixar de lado a camisa verde e amarela após a Copa de 1998 e passou a torcer apenas pela Argentina, segundo relato do próprio comerciante de Juiz de Fora.

Torcedor mineiro Gilberto Mateus de Oliveira, torcedor da Argentina, Juiz de Fora
Gilberto Mateus de Oliveira, torcedor da Argentina, Juiz de Fora — Foto: Bruno Ribeiro

Torcedor mineiro: como a virada aconteceu

O processo de mudança de Gilberto começou com o trauma da derrota do Brasil na final da Copa de 1998 e se consolidou após a primeira viagem à Argentina, em 2003. À reportagem, ele contou que o 3 a 0 para a França foi o ponto de ruptura: “Aí eu tomei nojo”, disse, referindo-se ao episódio que marcou sua geração.

No retorno às arquibancadas, a curiosidade por outra cultura futebolística o levou a acompanhar de perto a intensidade dos torcedores argentinos, as festas em La Boca e o respeito dado a ídolos locais. A presença de um amigo com loja de artigos esportivos perto da Bombonera, Robert Ojeda, também facilitou a adaptação às tradições do país vizinho.

Do trauma à paixão

Gilberto juntou as experiências pessoais com o impacto emocional daquele Mundial para explicar a conversão: primeiro foi o afastamento por causa de 1998; depois, a aproximação cultural e afetiva com a Argentina. Em suas palavras, a paixão dos argentinos pelo futebol era algo que ele só entendeu ao vivenciar.

Beto na Argentina, ao lado da família de Robert Ojeda (à esquerda)
Beto na Argentina, ao lado da família de Robert Ojeda (à esquerda) — Foto: Gilberto Mateus de Oliveira

O relato de Gilberto também passa por referências futebolísticas: Maradona figura como o ídolo máximo da sua geração e Messi como o expoente contemporâneo. Ao mesmo tempo, ele guarda carinho por Ubaldo Fillol, goleiro argentino que também atuou no Flamengo, e vê em nomes como Thiago Almada uma esperança para a seleção albiceleste.

Torcedor mineiro e a ligação com o Botafogo

Apesar da nova paixão internacional, Gilberto mantém a identidade de botafoguense. Ele recorda com emoção a final da Libertadores de 2024, no Monumental de Núñez, e a interação com jogadores argentinos que vestiram a camisa do Botafogo. A mistura entre amor ao clube local e admiração por atletas estrangeiros é um traço recorrente na trajetória dele.

O caso de Gilberto dialoga com histórias de viagens e trocas culturais do clube — o Botafogo já teve excursões e confrontos que marcaram sua relação com seleções e times fora do país, algo abordado em reportagens sobre a história de excursões do Botafogo. A experiência internacional do torcedor também lembra iniciativas recentes do clube, como a intertemporada na Rússia, que aproximam torcedores e jogadores de outras culturas.

Gilberto Mateus, torcedor do Botafogo, na final da Libertadores de 2024, no Monumental de Nuñez
Gilberto Mateus, torcedor do Botafogo, na final da Libertadores de 2024, no Monumental de Nuñez, na Argentina — Foto: Bruno Ribeiro

Motivos apontados

  • O desapontamento com a seleção brasileira após a final de 1998;
  • A experiência cultural e afetiva vivida em viagens à Argentina;
  • A amizade com locais, como Robert Ojeda, que facilitaram a imersão no cotidiano do futebol argentino.

Além disso, Gilberto organiza e exibe um acervo pessoal de camisas e lembranças relacionadas ao futebol argentino, evidência material de uma preferência que se firmou ao longo de mais de duas décadas.

Gilberto Mateus com camisas do Botafogo e da Argentina
Gilberto Mateus, torcedor do Botafogo, na final da Libertadores de 2024 — Foto: Bruno Ribeiro

Torcedor mineiro e o futuro da seleção argentina

Apesar do carinho pela Albiceleste, Gilberto não se mostra plenamente confiante no tetracampeonato em 2026. Ele aponta a concorrência de seleções como França, Portugal e Espanha, e não descarta surpresas vindas de Croácia ou Marrocos. A prudência dele reflete um olhar crítico, mesmo entre os mais apaixonados.

Em meio a essa mistura de emoção e análise, o torcedor destaca jogadores que marcaram sua trajetória: Maradona, Fillol e Messi, além de nomes mais recentes como Thiago Almada, cuja passagem pelo Botafogo despertou elogios do próprio Gilberto.

Torcedor mineiro reverencia Ubaldo Fillol
Apesar de ser botafogense, Beto tem carinho especial pelo ex-goleiro do Flamengo e da Argentina, Ubaldo Fillol — Foto: Gilberto Mateus/Arquivo pessoal

O caso de Gilberto é um exemplo de como memórias de jogos, viagens e relações pessoais podem transformar a identificação clubística e nacional no futebol. Para muitos torcedores, a relação com o esporte vai além das fronteiras, e experiências vividas em estádios e bairros como La Boca passam a integrar a própria identidade.

Este é o contexto que explica por que, mais de duas décadas depois, o Torcedor mineiro mantém com firmeza sua opção pela Argentina: uma construção afetiva que mistura decepção, descoberta e convivência.

Para ver outras narrativas sobre torcedores e trocas culturais no futebol, leia também sobre a estreia de jovens no futebol nacional e reportagens que traçam o perfil de clubes e torcidas.

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