Olten Ayres enfrenta novo pedido de afastamento no São Paulo

Olten Ayres, presidente do Conselho do São Paulo
Olten Ayres, presidente do Conselho do São Paulo — Foto: Bruno Giufrida

Olten Ayres é alvo de uma representação ético-disciplinar no São Paulo por supostas irregularidades envolvendo um veículo do clube que estava à sua disposição. O documento, protocolado por conselheiros e associados, pede a suspensão do dirigente por até 360 dias e solicita ressarcimento por despesas apontadas como prejuízo ao clube.

Olten Ayres e a representação ética no São Paulo

A representação foi encaminhada pelo próprio Olten Ayres à Comissão de Ética do clube, que agora tem a tarefa de verificar se existem elementos suficientes para a abertura formal do processo. Se a Comissão aceitar a representação, o presidente do Conselho terá prazo para apresentar defesa antes que o caso seja levado a voto entre os conselheiros.

Segundo a reportagem original citada no documento, o automóvel ligado ao dirigente teria gerado mais de 171 multas e despesas que, somadas, ultrapassariam a casa dos R$ 100 mil. Os autores da representação pedem que Olten ressarça o São Paulo por eventuais prejuízos financeiros decorrentes do uso do carro.

Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo
Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo — Foto: Reprodução

Além das questões financeiras, a representação sustenta que o dirigente teria infringido a alínea “q” do artigo 10 do Regimento Interno do clube, que prevê punição para quem “causar dano à imagem do São Paulo no exercício de cargo de poder”. A infração prevê pena entre 90 e 270 dias, e os autores pedem a aplicação de agravante que elevaria a suspensão para até 360 dias.

Como funciona o procedimento

O rito descrito no estatuto prevê três etapas principais: análise preliminar da Comissão de Ética para decidir sobre a abertura de processo, apresentação da defesa pelo acusado e, eventualmente, votação no plenário do Conselho Deliberativo. No caso em questão, a iniciativa partiu de conselheiros e associados, que formalizaram a representação com pedido de suspensão cautelar.

  • Análise preliminar pela Comissão de Ética;
  • Notificação e prazo para apresentação de defesa pelo dirigente;
  • Votação e decisão dos conselheiros em sessão específica.

O pedido entrou em um contexto de turbulência política interna. Olten Ayres já passou por momentos anteriores de contestação: chegou a ser afastado temporariamente da presidência do Conselho para se defender de outra acusação, relacionada a gestão temerária apresentada pelo presidente do clube, Harry Massis. O afastamento cautelar de 120 dias foi rejeitado pelos conselheiros no início do mês, e Olten retornou ao cargo. O mérito daquela denúncia, no entanto, ainda deverá ser apreciado e votado.

As repercussões políticas internas e a visibilidade do caso tornam provável que a Comissão de Ética conduza uma apuração detalhada, inclusive para verificar a existência de eventual comprovação contábil das despesas e se houve falhas em controles administrativos. A transparência do processo é vista por parte dos conselheiros como essencial para resguardar a imagem do clube e a legitimidade das decisões futuras.

A sequência do caso terá impacto direto na rotina do Conselho Deliberativo: uma eventual suspensão de até 360 dias significaria afastamento que pode alterar votações e o equilíbrio político interno do São Paulo. Enquanto a apuração não for concluída, o estatuto garante ao acusado o direito de ampla defesa e contraditório.

Repercussão e contexto esportivo

O episódio também chega em um momento em que o clube enfrenta decisões relevantes dentro do planejamento da temporada. Em paralelo às questões administrativas, o São Paulo tem movimentações no elenco e no mercado — ações que exigem estabilidade nas instâncias deliberativas. Em recentes matérias sobre o time, o clube sinalizou mudanças no elenco e no planejamento de preparação para a temporada, o que reforça a necessidade de resolução célere dos conflitos internos.

Leia também sobre mudanças no plantel e estrutura do clube em reportagens anteriores do Guia Esportivo: o clube liberou jogadores e sinalizou reformulação do elenco, e o tema de governança já esteve em pauta quando o Conselho aprovou voto eletrônico para eleições do clube. Para o trabalho do departamento médico e comissão técnica, veja também o planejamento da intertemporada do São Paulo.

Os próximos passos formais dependem do calendário interno da Comissão de Ética. Caso o órgão decida pela abertura de processo, será estipulado prazo para apresentação de defesa e posterior votação no plenário do Conselho Deliberativo. Até que haja decisão final, a medida mais provável é a condução técnica e documental da apuração.

O desenvolvimento do caso será acompanhado por conselheiros, associados e torcedores, que acompanham de perto os desdobramentos políticos do clube. A forma como o São Paulo conduzirá a apuração e a transparência das decisões será determinante para a reação interna e para a percepção pública sobre a gestão.

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Fechamento: A representação contra Olten Ayres formaliza um novo capítulo de conflito político no São Paulo. A Comissão de Ética terá agora a responsabilidade de avaliar documentos e provas para decidir se o caso vira processo e, em última instância, se o dirigente será suspenso por até 360 dias, conforme solicitado pelos autores da representação.

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