Humaitá na Série D: presidente desabafa após goleada histórica

Humaitá na Série D após goleada e campanha sem pontos
Com 10 derrotas em 10 jogos, Humaitá é primeiro clube do Acre a não pontuar em uma edição da Série D — Foto: Sueli Rodrigues/Arquivo Pessoal

Humaitá na Série D viveu na temporada de 2026 uma campanha que ficará marcada como a pior do clube e do futebol acreano: com 10 derrotas em 10 jogos e a maior goleada da história do Brasileirão, a equipe encerrou sua participação sem somar nenhum ponto.

Humaitá na Série D: contexto e desabafo do presidente

O fechamento da participação do clube na competição aconteceu após a derrota por 13 a 0 para o Porto Velho, jogo realizado em Ariquemes na noite de domingo (14). Ao todo, o Tourão de Porto sofreu 50 gols na campanha e figurou na lanterna do Grupo A2 pelo terceiro ano consecutivo, além de registrar quatro das 11 maiores goleadas aplicadas na Série D naquela edição.

Passados alguns dias do vexame, o presidente do Humaitá, Igor Cotta, enviou um texto de desabafo ao ge, explicando que a decisão de escalar uma equipe sub-20 na competição foi proposital e parte de um protesto contra a situação do futebol no estado.

“A decisão de disputar o Campeonato Brasileiro com o time sub-20 foi intencional, como uma forma de protesto por tudo que vem acontecendo no futebol acreano… Tenho muita coisa para falar e denunciar, mas vou fazer na hora certa. Os presidentes estão unidos e queremos mudanças. Vamos lutar para isso. Peço perdão aos nossos torcedores, vamos nos reerguer novamente.”

No desabafo, Igor Cotta citou questões financeiras e críticas à arbitragem como fatores que têm prejudicado os clubes do Acre. Segundo a mensagem, o grupo tentou chamar atenção para a destinação dos recursos públicos e para desigualdades no apoio às equipes nas competições nacionais. O presidente também afirmou que pretende formalizar denúncias em momento oportuno.

Igor Cotta, presidente do Humaitá
Igor Cotta, presidente do Humaitá — Foto: Arquivo Pessoal

O episódio reacende debate sobre a estrutura e o financiamento do futebol em estados menores, onde clubes frequentemente dependem de repasses de governos estaduais e prefeituras para participar do calendário nacional. Em 2026, conforme apontado pelo dirigente, parte dos recursos teria sido destinada a outros itens, segundo sua avaliação, o que motivou a medida de lançar uma equipe jovem como forma de protesto.

Impacto esportivo e administrativo

Do ponto de vista esportivo, a sequência negativa significou não só a eliminação precoce, como também danos à imagem do clube — fato ressaltado pelo próprio presidente. Administrativamente, a instituição encara o desafio de reorganizar elenco, staff e relações com parceiros, torcedores e autoridades.

O episódio do Humaitá também foi tratado em levantamentos locais sobre a campanha da Série D. Para leitura complementar sobre a situação do clube e do grupo, o portal Guia Esportivo publicou um levantamento sobre a campanha: Humaitá na Série D: lanterna e pior campanha do Acre por três temporadas. Outra reportagem que contextualiza a despedida da equipe trata da rodada final do estadual com confrontos fora de casa: Galvez e Humaitá se despedem da Série D com jogos fora de casa. A programação da fase seguinte do torneio também é tema de cobertura especializada: Segunda fase da Série D define 32 confrontos e datas.

Em situações como esta, o diálogo entre dirigentes, federação e órgãos públicos costuma ser apontado como essencial para encontrar soluções que garantam competitividade e sustentabilidade. No caso do Humaitá, a promessa de denúncias e a mobilização entre presidentes dos clubes do estado indicam que haverá esforço por mudanças estruturais.

Pontos-chave do desabafo

  • Decisão pelo time sub-20 foi, segundo o presidente, um protesto.
  • Críticas à destinação de recursos públicos e à arbitragem foram citadas como fatores do desempenho.
  • O clube sofreu 50 gols e teve a maior derrota do campeonato (13 a 0).
  • Igor Cotta pediu desculpas à torcida e prometeu reerguer o clube.

Embora a sequência de resultados seja a face mais visível da crise, o cenário apresentado pelo dirigente aponta para questões mais amplas de governança e financiamento do futebol regional. O Humaitá, que conquistou um título inédito em 2022 e vinha mantendo presença em competições nacionais, agora precisa reconstruir credibilidade interna e externa.

O apelo do presidente por união entre os clubes do Acre e sua promessa de providências mostram que o desfecho esportivo da Série D pode provocar debates administrativos e possíveis mudanças nas formas de apoio e fiscalização das competições.

Para os torcedores, resta a expectativa de uma reação organizada do clube e de pistas mais claras sobre as denúncias anunciadas pelo presidente. Enquanto isso, a memória da campanha e da goleada sofrida ficará registrada tanto em estatísticas quanto no roteiro de recuperação que o Humaitá pretende traçar.

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