O GP de Mônaco, disputado nas ruas de Monte Carlo, volta ao calendário neste fim de semana cercado de debate entre torcedores, mas com prestígio alto no meio do paddock. Em entrevista ao ge.globo, Gabriel Bortoleto afirmou que está no grupo dos pilotos que admiram o traçado monegasco e relacionou a conexão brasileira com a prova à história de Ayrton Senna no Principado.
Questionado sobre a divisão de opiniões a respeito do circuito, Bortoleto foi direto ao explicar por que Mônaco segue especial para quem cresceu no Brasil acompanhando Fórmula 1.
“Não tem como odiar este circuito sendo brasileiro, né? O (Ayrton) Senna ganhou aqui seis vezes, ele era o rei aqui.”
Segundo o piloto, o fascínio pelo evento vem de longa data: a tradição do GP, a atmosfera de rua e o desafio de buscar o limite entre guard-rails e muros. Para ele, correr no Principado na F1 é a concretização de um sonho alimentado desde a infância ao assistir às etapas pela TV.
GP de Mônaco: tradição, memória e um sonho brasileiro
O GP de Mônaco é um dos símbolos da Fórmula 1 e, ao mesmo tempo, um dos circuitos que mais geram discussões fora do carro. A justificativa é conhecida: trata-se de um traçado estreito, com pouca margem para erro e poucos pontos claros de ultrapassagem, o que frequentemente faz com que a corrida de domingo seja muito decidida pelo sábado.
Para Bortoleto, porém, essa característica não diminui a grandeza do evento. O piloto disse que a ideia de guiar ali sempre esteve associada ao imaginário de quem cresce ouvindo histórias das vitórias de Senna em Mônaco, um marco do automobilismo brasileiro.
“Quando você é um piloto jovem, você sonha um dia em competir na F1 aqui e lembro de assistir a todos os Grandes Prêmios de F1 de Mônaco pela TV.”
A fala reforça um ponto comum entre pilotos: Mônaco pode não entregar sempre a corrida mais movimentada, mas segue sendo um dos testes mais completos de precisão, confiança e leitura de risco.
Por que o GP de Mônaco costuma dividir opiniões
O próprio Bortoleto reconhece a crítica central feita por parte do público: a dificuldade de ultrapassar. Em uma pista em que o “erro” costuma significar encostar no muro, as tentativas de ataque são mais raras e, em muitos anos, a prova fica condicionada a estratégia, ritmo controlado e incidentes.
“Não vou mentir que na corrida pode ser meio entediante, porque algumas vezes você não tem muito o que fazer, já que a ultrapassagem pode ser muito complicada.”
A outra face da moeda, na avaliação do brasileiro, é a sessão de classificação, na qual a volta perfeita vira o grande prêmio particular de cada piloto, com velocidade alta para os padrões de um circuito de rua e margem mínima entre o carro e as barreiras.
“Mas fazer a classificação, buscando a volta perfeita, passando tão perto do muro, é incrível.”
Bortoleto também acrescentou que não retiraria Mônaco do calendário, destacando o conceito do traçado e a tradição como elementos que pesam no valor esportivo e simbólico da etapa.
O que costuma decidir um fim de semana no Principado
- Classificação: a posição de largada tem papel central, já que o espaço para ultrapassar é limitado.
- Precisão: o circuito pune erros com rapidez, por ser estreito e cercado por barreiras.
- Estratégia: ritmo controlado, janelas de pit-stop e eventuais neutralizações influenciam bastante o resultado.
- Confiabilidade: retomadas e tração em curvas lentas podem expor pontos fracos dos carros.
Audi aposta no cenário de baixa velocidade, mas faz ressalvas
Além do encanto pessoal, Bortoleto indicou haver um motivo técnico para chegar confiante ao GP de Mônaco: por ser um circuito de baixa velocidade e retas curtas, a pista tende a exigir menos do motor — justamente o ponto fraco apontado pelo time ao longo da temporada.
O chefe de equipe da Audi, Mattia Binotto, chegou a dizer que a equipe tem o quarto melhor chassi do grid. Em tese, isso poderia representar uma oportunidade em Monte Carlo, onde tração, equilíbrio e confiança em curvas lentas e médias têm grande peso.
O brasileiro, no entanto, evitou transformar a avaliação em promessa de resultado. Na entrevista, ele citou dificuldades de dirigibilidade e problemas relacionados a reduções e trocas de marcha, especialmente nas retomadas em curvas lentas — um tipo de trecho abundante em Mônaco.
“Nosso chassi é muito bom, mas ao mesmo tempo a gente sabe que tem uma deficiência na dirigibilidade do carro. A gente tem problemas na redução e para aumentar as marchas.”
Bortoleto afirmou que o time vem trabalhando para corrigir os defeitos e que levará melhorias para a etapa, com a expectativa de que as atualizações sejam confirmadas na pista ao longo do fim de semana.
“E a gente vai trazer melhorias para essa corrida. Esperamos que elas funcionem bem aqui em Mônaco, mas obviamente só saberemos quando a gente colocar na pista.”
Meta é voltar ao top-10 e a pontuar na temporada
O objetivo declarado para o fim de semana é voltar a terminar no top-10 e, consequentemente, somar pontos. Bortoleto destacou que o time conseguiu os primeiros pontos da história da equipe na estreia do ano, na Austrália, com a nona colocação.
Depois disso, segundo o relato do piloto, tanto ele quanto Nico Hulkenberg ficaram próximos do top-10 em outras etapas, mas sem pontuar novamente desde a prova em Albert Park. Em Mônaco, a expectativa é voltar a brigar na zona de pontos, ainda que com uma leitura realista do estágio atual.
“Acho que nossa posição realista nesse momento tem sido ali entre 11º e 13º. (…) Mônaco é uma pista totalmente feita de classificação, mais ou menos onde você classifica.”
Na visão do brasileiro, a receita é clara: extrair o máximo do carro no sábado, largar bem e tentar ganhar posições quando surgir uma brecha — algo raro no circuito, mas decisivo quando acontece.
Novas regras podem tornar o GP de Mônaco mais movimentado
Bortoleto também falou sobre o impacto do novo regulamento que estreia em Mônaco. Ele acredita que a etapa possa ser uma das mais movimentadas dos últimos anos, citando a possibilidade de diferença de velocidade maior no túnel por conta do modo de ultrapassagem quando se está a menos de um segundo do carro da frente.
O piloto lembrou ainda que os carros de 2026 são menores do que os do ano passado, um fator que, em teoria, pode ajudar na dinâmica em uma pista conhecida por estreiteza e por exigir precisão extrema.
“Eu acho que este GP de Mônaco será um dos mais movimentados dos últimos anos. (…) Quem sabe não saia algumas ultrapassagens. É difícil saber, só quando for a corrida mesmo.”
A programação do GP de Mônaco terá transmissão da TV Globo e do sportv, com a corrida marcada para este domingo, a partir das 10h.
1 visualizações



