O Vasco ainda pode vender a SAF mesmo após a decisão judicial que afastou Pedrinho do Conselho de Administração: a possibilidade existe, mas depende de condições apontadas pela juíza e da anuência de acionistas. A venda a SAF figura agora atrelada à concordância da 777 Carioca LLC e à atuação da interventora nomeada pela Justiça.
O que significa vender a SAF para o Vasco?
A decisão assinada pela juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca não impede, em termos absolutos, que o Vasco avance em negociação para transferir a gestão da sua sociedade de propósito específico (SAF). No entanto, a sentença ressalta que a 777 Carioca LLC mantém a condição de acionista, motivo pelo qual “qualquer alienação depende da anuência da peticionante”.
Na prática, isso quer dizer que uma assinatura de contrato com um comprador em potencial — como as tratativas já avançadas com o empresário Marcos Lamacchia — só terá efeito se observados os mecanismos societários e as exigências previstas no Plano de Recuperação Judicial, inclusive a cláusula citada pela juíza que remete ao juízo arbitral.
Antes da decisão, havia expectativa entre as partes de que o Memorando de Entendimento (MoU) fosse assinado até a primeira quinzena de julho, formalizando a intenção de compra de 90% dos ativos do departamento de futebol. A determinação judicial não fecha a porta para essa operação, mas impõe passos adicionais.
Quem ganha e quem perde com a intervenção?
A Justiça nomeou a advogada Samantha Mendes Longo como interventora da SAF por 60 dias. Cabe a ela reorganizar a governança, aumentar a transparência e prestar contas ao juízo a cada quinze dias. Segundo a decisão, a interventora também poderá auxiliar em uma eventual venda da SAF, caso seja necessário.
Com a gestão temporariamente retirada de Pedrinho e de outros integrantes afastados do Conselho de Administração, a condução das negociações passa a ter supervisão judicial direta. Isso dá mais segurança processual para o clube e para potenciais investidores, mas pode também alongar prazos e exigir ajustes contratuais para cumprir as condicionantes legais.
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As negociações com Lamacchia, que tratam da compra majoritária da SAF, podem prosseguir desde que respeitem a necessidade de concordância da 777 ou de autorização do juízo arbitral. A decisão deixa explícito que a venda sem transparência ou sem anuência não será validada pelo juízo da recuperação.
Quais são as etapas e exigências para efetivar a venda da SAF?
Para que o Vasco consiga vender a SAF, será preciso cumprir procedimentos societários e possivelmente submeter a transação à avaliação do juízo arbitral previsto no plano de recuperação. Entre os pontos destacados pela decisão estão:
- Obtenção da anuência da 777 Carioca LLC, enquanto acionista;
- Garantia de transparência e prestação de contas durante o processo;
- Eventual autorização do Juízo Arbitral, conforme cláusula do Plano de Recuperação Judicial;
- Supervisão e suporte da interventora judicial indicada pelo Tribunal.
Especialistas em reestruturação empresarial destacam que transações envolvendo SAFs em processos de recuperação exigem cuidados adicionais, justamente para proteger credores e evitar alienações que prejudiquem o patrimônio envolvido na recuperação. A intervenção judicial tende a criar uma camada extra de controle nesse sentido.
Contexto esportivo e financeiro do Vasco
O interesse em vender a SAF tem relação direta com a situação financeira do clube e com a urgência em captar recursos. A diretoria do Vasco tem tratado a operação com prioridade para aliviar a escassez de caixa e buscar investimentos para o elenco, enquanto luta para escapar da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro — a equipe ocupa o 17º lugar, com 20 pontos.
Além das negociações em curso, o clube encara outras frentes internas e externas que poderão interferir no calendário da venda. A comissão de inquérito e processos administrativos que envolveram dirigentes, por exemplo, já apareceram em decisões internas e podem compor o ambiente de complexidade das tratativas.
Para acompanhar a evolução da questão institucional, o leitor pode consultar reportagens publicadas pelo Guia Esportivo, como a matéria sobre o afastamento de Pedrinho e a nomeação da interventora e o histórico das apurações internas.
Reportagem sobre o afastamento de Pedrinho e a interventoria: Justiça afasta Pedrinho da SAF do Vasco e nomeia interventora
Apuração sobre a comissão que concluiu investigação sobre a venda: Comissão conclui investigação sobre venda da SAF do Vasco
Notícias sobre a preparação do elenco e o contexto esportivo: Vasco se reapresenta e inicia preparação para o segundo semestre
Contexto de gestão e demissões na era anterior: Renato Gaúcho é o quinto técnico demitido pela gestão Pedrinho no Vasco
Impactos práticos e próximos passos
Com a interventora em ação por 60 dias, o caminho para vender a SAF passa por uma interlocução clara entre o clube, a 777 Carioca LLC, o potencial comprador e o juízo responsável pela recuperação. A articulação judicial deve buscar assegurar que qualquer operação preserve os interesses dos credores e a legalidade do ato.
Nos próximos dias, é esperado que a interventora apresente medidas de governança e relatórios periódicos ao juízo. Eventuais negociações com Marcos Lamacchia precisarão se adaptar a esse novo ambiente de supervisão — sem, contudo, serem inviabilizadas automaticamente.
Em resumo: é possível vender a SAF, mas a operação dependerá de concordância societária e de adequação às exigências judiciais. A expressão vender a SAF aparece, portanto, como uma condição realista, porém condicionada a aprovações e transparência durante o processo.
Para acompanhar mais notícias e os desdobramentos sobre a venda da SAF e a intervenção judicial, siga o trabalho de apuração que continuará a cobrir as decisões e os impactos para o clube.
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