Ao completar 105 anos, o Figueirense revisita um dos capítulos mais curiosos de sua trajetória: o Orlando Scarpelli quase virou arena para receber jogos da Copa do Mundo de 2014, quando Florianópolis entrou na disputa entre 2007 e 2009.
Orlando Scarpelli: projeto da Arena e impacto
Entre 2007 e 2009 a candidatura de Florianópolis para sediar partidas do Mundial colocou o estádio do Figueirense no centro das atenções. O projeto — popularmente tratado como Arena Florianópolis — previa a reforma completa do Orlando Scarpelli, com investimentos estimados entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões caso a cidade fosse selecionada como sede.
O relatório da Fifa de 2007 citou o estádio ao lado de praças como Beira-Rio, Morumbi e Arena da Baixada como possibilidades viáveis, desde que passassem por intervenções estruturais. Na hipótese em que Florianópolis não integrasse a lista final de sedes, a proposta previa uma obra menos ambiciosa, capaz de deixar o estádio com capacidade para 30 mil torcedores — suficiente, na visão dos proponentes, para receber finais de competições nacionais e sul-americanas.
Do planejamento às disputas locais
A expectativa do clube era ter o planejamento pronto já no início de 2008. O presidente da comissão responsável pelo tema à época, Paulo Prisco Paraíso, projetava um cronograma que acompanharia a definição das sedes e culminaria com a entrega das obras antes dos eventos-teste. Houve, porém, discussão jurídica e urbanística: a reforma exigia alteração do plano diretor do bairro Estreito e motivou uma ação movida pela União Florianopolitana de Entidades Comunitárias, que acabou derrotada na Justiça.
Em janeiro de 2009 foi apresentado o projeto definitivo: a Arena Florianópolis projetada para 42.473 torcedores, 63 cabines de camarote, 278 assentos na área Vip e 629 lugares destinados à imprensa. Na ocasião, Carlos Gonzaga Aragão, vice-presidente de Patrimônio do Figueirense, afirmou que foram feitas adequações arquitetônicas e todos os 16 projetos básicos solicitados pela Fifa, incluindo aspectos de segurança e energia sustentável.
- 2007: primeira menção do local em relatório da Fifa;
- 2008: projetos e cronograma previstos pelo clube;
- Janeiro de 2009: apresentação do projeto definitivo (42.473 lugares);
- Maio de 2009: Florianópolis fica fora da lista final de sedes.
O episódio deixou marcas na agenda esportiva e urbana da cidade, mesmo sem a obra sair do papel. O Orlando Scarpelli permaneceu como o principal símbolo desse projeto incompleto e da mobilização que envolveu poder público, iniciativa privada e a própria comunidade local.
Por que Florianópolis não foi escolhida
Durante as inspeções finais, técnicos da Fifa e do Comitê Organizador Brasileiro avaliaram não apenas o projeto do estádio, mas aspectos como mobilidade urbana, aeroporto, rede hoteleira e infraestrutura geral. A visita de uma comitiva que sobrevoou a cidade e conheceu a proposta da Arena Florianópolis rendeu sugestões de ajustes pontuais — por exemplo, relativas à altura do público em relação ao campo —, mas não garantiu a inclusão de Florianópolis entre as doze sedes anunciadas em maio de 2009.
Ao fim do processo, as cidades escolhidas foram Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Cuiabá, Manaus, Fortaleza, Salvador, Recife e Natal. A decisão provocou reação política em Santa Catarina; o então governador classificou a exclusão como motivada por interesses políticos.
Mesmo sem jogos, Florianópolis teve participação simbólica no Mundial: em 2014 a cidade recebeu no Costão do Santinho o congresso técnico da Fifa com representantes das seleções classificadas, evento que contou com presença de figuras ligadas ao Comitê Organizador Local.
Legado e memória
A história de quando o Orlando Scarpelli esteve na disputa para ser uma arena da Copa de 2014 permanece como um capítulo curioso na trajetória do Figueirense. A proposta de transformação do estádio mostra como grandes eventos internacionais podem influenciar planos de modernização urbana e gerar debates sobre financiamento, impacto local e preservação do tecido comunitário.
Hoje, o clube e a cidade seguem lidando com desafios cotidianos do futebol profissional. A nova gestão da SAF, por exemplo, tem trabalhado em questões financeiras do clube, como a quitação de salários atrasados do Figueirense, parte importante para estabilizar o ambiente e viabilizar projetos futuros.
Na rotina esportiva, o time também segue sua agenda de competições: a preparação para partidas decisivas foi pauta em reportagens recentes, como a cobertura sobre a reta final antes de encarar o Floresta e entrevistas com integrantes do elenco, a exemplo de Lucas Dias, que destacou o comprometimento do grupo.
Embora a Arena Florianópolis jamais tenha saído do papel, a memória do projeto e as discussões que o cercaram fazem parte da narrativa do clube em seu aniversário de 105 anos — um marco que convoca torcedores a relembrar episódios, conquistas e momentos de virada.
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