O meia Josué, hoje camisa 10 do Coritiba, carrega uma lembrança que mistura frustração e arrependimento: mesmo com a figurinha no álbum oficial, ele ficou fora da lista final de Portugal para a Copa do Mundo de 2014. O motivo, segundo o próprio jogador e análises da imprensa portuguesa, passou por um episódio marcante na repescagem contra a Suécia, em 2013, quando uma comemoração terminou registrada por fotógrafos com um gesto obsceno em direção às arquibancadas.
A história ajuda a explicar por que aparecer no álbum do Mundial não significa, necessariamente, ter a presença garantida no torneio. Em diferentes Copas, jogadores ficaram pelo caminho por lesão, opção técnica ou, como no caso de Josué, por um acontecimento que extrapolou o campo e ganhou repercussão internacional.
Josué e a Copa de 2014: o episódio na Suécia
Portugal garantiu a classificação para a Copa do Mundo em novembro de 2013, na repescagem diante da Suécia, fora de casa. Josué fazia parte do grupo comandado por Paulo Bento e entrou em campo no duelo decisivo. Na partida, Cristiano Ronaldo marcou o terceiro gol que confirmou a vaga portuguesa, e o meio-campista foi um dos primeiros a correr para abraçar o capitão.
Enquanto a transmissão mostrava o clima pós-jogo, uma sequência de fotos registrou Josué fazendo o “dedo do meio” em meio à comemoração. A imagem se espalhou e repercutiu especialmente na Suécia, onde o gesto foi visto como ofensivo. Com o tempo, o jogador passou a tratar o caso como um erro.
“Foi uma infelicidade minha, da irreverência, da idade na altura, de mostrar o dedo do meio depois de um playoff, depois da torcida da Suécia não ter respeitado nosso hino português. (…) Agora, com a maturidade que tenho, voltando atrás obviamente faria tudo diferente.”
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Repercussão fora de campo e impacto na convocação
O caso ganhou proporções grandes a ponto de se aproximar de um desgaste diplomático no esporte, como relatado na época. Para o jornalista Pascoal Sousa, do jornal português A Bola, a situação afetou a imagem do atleta e pesou na decisão do técnico ao fechar a lista dos 23 nomes para o Mundial no Brasil.
“Eu acho que sim, é fato que esse jogo teve algum impacto na imagem do Josué. (…) Foi determinante para o técnico Paulo Bento, que não trouxe Josué entre os 23 convocados para a Copa de 2014.”
Portugal, vale lembrar, acabou eliminado ainda na primeira fase naquele Mundial. Para Josué, a ausência foi especialmente dura por acontecer quando a oportunidade parecia ao alcance. Ele contou que a figurinha do álbum ficou como símbolo dessa frustração.
Entre os pontos que marcaram a história de Josué com a seleção, ficam três elementos centrais:
- Contexto: participação na repescagem e presença no grupo que garantiu a vaga para 2014;
- O episódio: o gesto obsceno registrado em fotos após o jogo na Suécia;
- Consequência: repercussão negativa e ausência na lista final da Copa.
Convivência com Cristiano Ronaldo e lembranças da seleção
Mesmo com o desfecho amargo, Josué diz guardar boas recordações do período na seleção portuguesa, principalmente pela convivência com Cristiano Ronaldo, principal nome daquele elenco. Segundo o meia, o craque sempre manteve postura objetiva e voltada ao grupo durante as convocações em que estiveram juntos.
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Josué no Coritiba: liderança e números recentes
Aos 35 anos, Josué virou referência técnica e de liderança no Coritiba. Ele está no clube há quase duas temporadas, veste a camisa 10 e, no currículo recente, tem o título da Série B de 2025. Em 2026, soma nove assistências, sendo seis na Série A, e segue como peça importante no elenco.
O meia também marcou recentemente seu primeiro gol na elite do futebol brasileiro, na vitória do Coritiba por 3 a 0 sobre o Santos, resultado em que o time conseguiu construir vantagem com segurança.
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O sonho do Mundial ficou para trás
Apesar de acompanhar a seleção e desejar o melhor para Portugal, Josué trata a Copa como capítulo encerrado de sua carreira. A história, porém, permanece como uma das mais curiosas do futebol recente: um jogador eternizado no álbum do Mundial, mas ausente do torneio por um episódio que se tornou inesquecível — não pelos dribles ou gols, e sim por um gesto que ele próprio reconhece que não repetiria.
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