Uma iniciativa inédita está mobilizando ativistas e organizações de direitos humanos para apresentar uma queixa formal contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, logo após a Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. A campanha, liderada pela ONG FairSquare, conta com o respaldo da Federação Norueguesa de Futebol (NFF) e promete ser a maior denúncia já protocolada contra a entidade.
Campanha Reboot Fifa: foco na ética e direitos humanos
Batizado de Reboot Fifa, o movimento está coletando assinaturas para uma ação coletiva que será enviada ao Comitê de Ética da Fifa. O documento enfatiza diversas insatisfações relacionadas à gestão de Infantino, abrangendo questões como segurança nos estádios, preços abusivos de ingressos e sérias alegações de violação de direitos humanos.
De acordo com a FairSquare, Infantino teria infringido o artigo 15 do Código de Ética da Fifa, que exige neutralidade política. A ONG aponta que o presidente da Fifa descumpriu esse artigo em quatro ocasiões ao participar do Conselho de Paz promovido pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e por ter concedido a ele o Prêmio de Paz da entidade.
Medidas propostas para maior transparência
Além da denúncia, o grupo busca implementar mudanças estruturais na Fifa, incluindo a criação de mecanismos rigorosos para fiscalizar os recursos financeiros repassados às federações nacionais. Outra proposta importante é a separação das áreas comercial e de governança dentro da organização para minimizar conflitos de interesse e fortalecer o controle interno na gestão do futebol mundial.
Apoio oficial da Noruega e desdobramentos futuros
A solidariedade da Federação Norueguesa de Futebol ganhou destaque após o envio de uma carta oficial ao Comitê de Ética da Fifa, demandando uma investigação aprofundada sobre as ações de Infantino. Lise Klaveness, presidente da NFF, afirmou à imprensa internacional que pretende manter a pressão política e acompanhar o andamento do processo após o campeonato mundial.
“Enviamos esta carta e isso já gerou algumas reações políticas, mas o passo está dado. Vamos continuar a pressão, solicitar reuniões e dar um novo impulso assim que a Copa do Mundo terminar”, declarou Klaveness ao The Guardian.
A dirigente reforçou que a carta foi enviada exclusivamente pela federação norueguesa e que não tem expectativas de apoio político imediato de outras federações, ressaltando o desafio de mobilizar a comunidade futebolística internacional em torno do tema.
Posicionamento de Infantino sobre a polêmica
Infantino, por sua vez, defendeu sua relação com Donald Trump, alegando que o ex-presidente dos EUA teve papel decisivo na resolução de conflitos e na preservação de vidas. Em entrevista à TV Sky News, o dirigente afirmou que tais relações são essenciais para garantir o sucesso do evento esportivo que movimentará o planeta neste mês.
Com a proximidade da Copa do Mundo, a ação da FairSquare e o apoio da Noruega prometem colocar sob os holofotes globais o debate sobre ética, governança e direitos humanos na Fifa, marcando um momento crítico para a principal instituição do futebol mundial.



