A discussão sobre multinacionalidade no futebol voltou a ganhar força na abertura da Copa do Mundo, depois de gestos e escolhas de jogadores que evidenciam histórias de migração, ascendências e decisões profissionais que vão além das bandeiras.
Multinacionalidade no futebol e escolhas de seleção
O gesto de Yasin Ayari, que evitou comemorar o gol na vitória da Suécia sobre a Tunísia, foi um dos episódios que trouxe a discussão para destaque. Ayari nasceu na Suécia, filho de um tunisiano e de uma mãe marroquina, e optou pela seleção do país onde nasceu — uma decisão pessoal que espelha a dinâmica da multinacionalidade no futebol.
Casos semelhantes têm aparecido com frequência nas últimas edições do Mundial: o suíço Breel Embolo, nascido em Yaoundé (Camarões), também deixou claro o gesto de respeito em partidas anteriores; e Folarin Balogun, nascido nos Estados Unidos por circunstância familiar, escolheu defender a seleção norte-americana após se profissionalizar na Inglaterra. Essas trajetórias mostram que a multinacionalidade no futebol costuma ser uma combinação de fatores profissionais, afetivos e identitários.
Levantamento sobre origens e números
Um levantamento citado pelo jornalista Jaime Macias aponta quantos jogadores nascidos na França estão atuando por outras seleções na edição de 2026: Argélia (13), Costa do Marfim (8), Haiti (12), Marrocos (6, além de mais 6 espanhóis), RD Congo (11, com mais 5 belgas), Senegal (10) e Tunísia (7). Também há representantes em Cabo Verde (3), Catar (1), Espanha (1), Egito (1) e Gana (3). Esses números ajudam a explicar por que a multinacionalidade no futebol é tão visível nas convocações e nas escolhas de jogadores.
Entre os casos citados na rodada inaugural está o confronto envolvendo França e Senegal. Para informações práticas sobre essa partida e as escalações, há levantamento com detalhes em França x Senegal: onde assistir, escalações e horários na Copa do Mundo.
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Como as escolhas se articulam
A decisão de um jogador sobre qual seleção defender é quase sempre pragmática: oportunidades de jogo, identificação pessoal e laços familiares influenciam. No caso de atletas que têm dupla ou tripla nacionalidade, a alternativa de jogar por uma seleção com mais espaço para sua posição profissional costuma prevalecer. Esse cenário faz com que a multinacionalidade no futebol não seja apenas uma curiosidade, mas um aspecto estrutural do esporte moderno.
Exemplos práticos ajudam a entender: Dayot Upamecano e Ousmane Dembélé, da França, têm origens senegalesas; outros dez atletas franceses possuem pais provenientes da África Ocidental; quatro têm ascendência do Norte da África; e cinco têm raízes no Caribe. Apenas Brice Samba nasceu fora da França, no caso em RD Congo — detalhes que mostram a complexidade das identidades dentro das seleções.
Lista de exemplos citados
- Yasin Ayari — nascido na Suécia, filiação tunisiana e marroquina.
- Breel Embolo — nascido em Yaoundé (Camarões), naturalizado suíço.
- Folarin Balogun — nascido nos Estados Unidos, opção pelos EUA após caminho profissional.
- Jogadores franceses com origens em diversos países africanos e do Caribe, conforme levantamento indicado.
Arquibancadas, ingressos e representação
Além das escolhas de seleção, a multinacionalidade no futebol se manifesta nas arquibancadas. Torcidas de diferentes nacionalidades têm marcado presença e colorido a primeira rodada: a torcida marroquina se fez notar em sua partida contra o Brasil; Costa do Marfim compareceu em bom número; e o tradicional Tartan Army escocês transformou ruas e eventos na cidade-sede em cenas de festa.
Havia suspeitas de estádios vazios devido aos altos preços dos ingressos e à política de «dynamic pricing», além de relatos sobre revenda oficial. O Financial Times apontou que quase 180 mil ingressos para a fase de grupos estavam disponíveis na plataforma de revenda da FIFA antes do início da competição. No entanto, nas primeiras partidas a ocupação observada pelas imagens televisivas foi, de modo geral, satisfatória, ainda que episódios pontuais tenham levantado dúvidas sobre os números oficiais — como no jogo entre Coreia do Sul e República Tcheca, que apresentou assentos visivelmente vazios em um setor.
Sobre a repercussão das primeiras surpresas do torneio, há levantamento de reações e análises em Internautas repercutem primeiras zebras da Copa do Mundo, que contextualiza parte do que se viu nas rodadas iniciais.
Política, protestos e a Copa Além da Copa
A pauta da multinacionalidade no futebol também foi atravessada por tensões políticas. No jogo do Irã contra a Nova Zelândia, a presença de versões antigas da bandeira iraniana em e fora do estádio suscitou alertas e discussões. Autoridades iranianas pediram que jogadores e comissão técnica evitassem manifestações políticas, enquanto membros da diáspora usaram o espaço para exibir símbolos e expressar posições. A seleção do Irã teve ainda mudanças logísticas antes do torneio, com ajustes no centro de treinamento e restrições de deslocamento da delegação após a partida.
Para relato relacionado à composição das seleções e cortes de jogadores, destaca-se também a notícia sobre a corte de Matthew Garbett pela Nova Zelândia horas antes da estreia: Nova Zelândia corta Matthew Garbett horas antes da estreia na Copa do Mundo.
Fora das quatro linhas
Há ainda iniciativas e leituras que ajudam a compreender o fenômeno em perspectiva mais ampla. O box «Ludopédio» da edição original recomenda livros que conectam futebol, política e história, como obras que analisam o papel do esporte em lutas sociais e na formação de identidades regionais. Essas leituras ampliam o olhar sobre por que a multinacionalidade no futebol desperta tanto interesse público e político.
Em síntese, a primeira rodada deixou claro que a presença de jogadores com múltiplas origens é um traço definidor desta Copa. O fenômeno oferece narrativas ricas — pessoais e coletivas — e, ao mesmo tempo, alimenta debates sobre cidadania, representatividade e instrumentalização política.
Para acompanhar mais sobre a competição e as histórias além dos resultados, siga a cobertura dedicada e consulte análises e relatos que aprofundam estes temas.
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