Messi na Argentina: de quase adeus à idolatria nacional

Messi na Argentina beijando a taça
Messi beija a taça da Copa — Foto: REUTERS/Hannah Mckay//File Photo

Messi na Argentina virou sinônimo de superação: de um anúncio de aposentadoria em 2016 a protagonista de um ciclo de títulos que reconduziu o craque à posição de ídolo inconteste do país.

A trajetória do camisa 10 com a seleção foi marcada por altos e baixos. Depois do ouro olímpico em 2008, vieram eliminações e vice-campeonatos que alimentaram críticas e questionamentos sobre sua capacidade de repetir com a Argentina o protagonismo que teve no Barcelona. O ponto de virada, segundo especialistas que acompanham a seleção, foi o título da Copa América no Maracanã, em 2021, que alterou a percepção pública e abriu espaço para um novo ciclo vitorioso.

Messi na Argentina com troféu de artilheiro da Copa América
Messi com o troféu de artilheiro da Copa América de 2021 — Foto: Divulgação/Conmebol

Messi na Argentina: a virada no Maracanã

Para o jornalista e historiador Ezequiel Fernández Moores, a conquista no Rio de Janeiro funcionou como um alívio psicológico que permitiu ao jogador transpor frustrações anteriores. A vitória encerrou um jejum de 28 anos e reduziu a pressão sobre Messi, que até então carregava o rótulo de não conseguir tornar-se campeão pela seleção principal.

A mudança foi percebida também nos números que acompanharam o atacante: antes da chegada de Lionel Scaloni, Messi havia disputado quatro Copas do Mundo, com 19 jogos e seis gols; sob a direção de Scaloni, em duas Copas, passou a registrar 10 partidas e 13 gols — uma diferença estatística que reflete, segundo analistas, a transformação do cenário ao redor do jogador.

O papel de Scaloni

Scaloni não teria alterado apenas a posição tática de Messi, mas, principalmente, a estrutura coletiva do time. O técnico montou um grupo sólido em que a responsabilidade passou a ser distribuída, permitindo que Messi atuasse com menos peso individual. Segundo observadores, o treinador criou um ambiente em que havia um objetivo comum: conquistar títulos para o capitão.

Moores ressalta que a seleção sempre tentou jogar em função de Messi, mas que o diferencial foi a construção de um elenco comprometido coletivamente. A combinação de um líder em campo, um comando técnico discreto e um grupo organizado resultou no ciclo mais brilhante da história recente do país, opinam especialistas.

Messi na Argentina com Scaloni no desembarque
Messi e Scaloni no desembarque da seleção da Argentina — Foto: Reuters

Ao longo do processo, a relação entre Messi e o grupo se consolidou. Jogadores passaram a ter um propósito compartilhado: celebrar conquistas que fizessem justiça ao legado do camisa 10. A dinâmica de equipe transformou frustrações em motivação coletiva, cenário que culminou em títulos que modificaram definitivamente a imagem pública do capitão.

  • 2008 — ouro olímpico;
  • 2014 — vice-campeão da Copa do Mundo;
  • 2015 e 2016 — vice-campeonatos da Copa América (derrotas para o Chile);
  • 2021 — vitória na Copa América, no Maracanã;
  • 2022 — conquista da Copa do Mundo, no Catar.
Messi na Argentina comemorando gol
Scaloni se emociona ao cumprimentar Messi após vitória da Argentina contra a Argélia — Foto: Tom Weller/picture alliance via Getty Images

O legado e as comparações com Maradona

As conquistas recentes também ressignificaram a comparação entre Messi e Diego Maradona. Para Moores, a comparação é inevitável, mas cada um construiu sua própria trajetória: Maradona foi campeão mais jovem, enquanto Messi alcançou o título máximo já aos 35 anos, no Catar. O tempo e as circunstâncias diferentes de cada carreira tornam essas comparações complexas, embora inevitáveis no debate público argentino.

Na cobertura do torneio, o fenômeno esportivo ganhou espaço em análises e reportagens sobre recordes e capítulos históricos — tema também abordado em textos locais sobre a Copa de 2026 e os números que têm marcado esta edição.

Em paralelo à análise esportiva, momentos de celebração pessoal foram registrados pela própria seleção: há relatos e imagens de homenagens e festas na concentração que destacaram a relação entre Messi e seus companheiros. A cobertura da preparação e das comemorações pode ser conferida em reportagens recentes, como a que detalha a festa surpresa na concentração e as ações do elenco em torno do aniversário do jogador.

O atual momento delineia uma trajetória de redenção esportiva: Messi na Argentina deixou de ser figura apenas contestada para ocupar um lugar de referência histórica, apoiado por resultados e por um ambiente coletivo que o protegeu e o valorizou.

Na sequência do torneio, a Argentina segue com partidas decisivas e com a possibilidade, sempre presente, de encerrar ciclos e celebrar a carreira de sua maior referência em competições oficiais. Enquanto isso, o debate sobre legado, comparações e a construção de uma imagem pública continuará fazendo parte do noticiário esportivo.

Para acompanhar a cobertura completa da seleção e matérias relacionadas, o leitor pode consultar a cobertura sobre recordes e capítulos da Copa 2026, a matéria sobre a festa surpresa na concentração e a nota sobre a comemoração do aniversário de Messi pela seleção.

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