Haitianos em Uberlândia ocuparam por uma noite a barbearia de Josué Nozil para acompanhar o confronto entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo — cena que misturou patriotismo, melancolia e afeto pela nova pátria.
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Haitianos em Uberlândia: barbearia, hino e dilema
A barbearia, decorada com bandeiras do Haiti e do Brasil, recebeu cerca de trinta torcedores que acompanharam o jogo em duas televisões e cantaram o hino haitiano a plenos pulmões quando a seleção do Caribe entrou em campo. Entre eles estavam o proprietário Josué, que mora no Brasil há dez anos, e o filho João Malvino, de dois anos.
O encontro foi retrato da complexidade das identidades migrantes: muitos admiram a Seleção Brasileira, mas, naquela noite, a maioria exibiu orgulho ao ver o Haiti em uma Copa pela primeira vez para grande parte da geração presente. Ao mesmo tempo, havia espaço para a brincadeira e a prática — Josué confessou ter apostado na vitória do Brasil, e a questão do dinheiro virou motivo de riso no intervalo.
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Quem estava no salão
Entre os presentes estavam nomes conhecidos dentro da comunidade: Snawons Estimable, eletricista no Brasil há 11 anos; Joelson, jogador de um time local formado por haitianos; e menções ao meia Jean-Ricner Bellegarde e a Ruben Providence, responsável por parte das expectativas de ataque do Haiti. Muitos vestiam azul, cor da seleção caribenha, enquanto duas brasileiras nas camisas amarelas se misturavam à festa e demonstravam solidariedade aos jornalistas presentes.
O evento reuniu histórias de migração e integração: Josué trouxe a esposa e constituiu família no Brasil, e a rotina da barbearia foi adaptada para acolher parentes e vizinhos que queriam assistir ao jogo juntos. A presença de crianças e a tentativa de falar em português por parte dos convidados mostraram o processo contínuo de adaptação.
O jogo e a reação
A partida apresentou momentos de celebração e frustração. A torcida improvisada fez barulho nas investidas do Haiti, pediu marcação firme para segurar Vinícius Júnior e celebrou atos de generosidade em campo. Ainda assim, a contundente derrota por 3 a 0 deixou claro que a caminhada do Haiti no torneio terminou naquela rodada.
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Apesar do resultado, houve aplauso ao final, reconhecimento pela entrega dos atletas haitianos e conversas em crioulo nos cantos do salão. Alguns descreveram o jogo com termos severos, outros celebraram a experiência de ver o país representado em uma Copa.
Importância local e integração
A presença de haitianos em Uberlândia em um evento como esse reforça o papel do esporte como espaço de sociabilidade e de preservação cultural. Em uma cidade com comunidades migrantes estabelecidas, encontros informais como o da barbearia ajudam a manter laços, a fortalecer redes e a oferecer visibilidade a trajetórias pessoais.
- Ritos de coletividade: cantar o hino e torcer juntos.
- Integração cotidiana: mistura de línguas e costumes no espaço público.
- Identidade transnacional: amor por duas pátrias que coexistem na vida dos migrantes.
O episódio em Uberlândia também dialoga com outras pautas locais relacionadas ao futebol. A cidade aparece em reportagens que vão desde a paixão por torcedores nascidos em datas simbólicas até a formação de times e decisões técnicas do clube local — episódios que mostram como o futebol atravessa diferentes camadas da vida urbana e comunitária.
Para quem quiser contextualizar a cidade em outras reportagens, há textos sobre a paixão local pela Copa e a rotina do Uberlândia como time, que ajudam a entender melhor o cenário: a história de uma torcedora de Uberlândia, a chegada de Danilo ao Uberlândia e a menção ao duelo que envolve a cidade em competições regionais, como na publicação sobre o tabu enfrentado pelo Rio Branco-ES contra o Uberlândia.
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Fechamento
O encontro na barbearia de Josué ilustra como grandes eventos esportivos reverberam em escalas locais e íntimas. Haitianos em Uberlândia transformaram um espaço de trabalho em palco de memória e afeto, entre cantar hinos, dividir risos e aceitar a ambivalência de torcer por duas nações. Para muitos, a experiência ficará registrada como uma noite de festa coletiva, ainda que breve.
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