Esmir Bajraktarevic nasceu em Appleton, Wisconsin, em 2005, e carrega a memória familiar do massacre de Srebrenica: filho de pais que fugiram da guerra, o meia optou pela seleção da Bósnia e converteu o pênalti que garantiu a vaga do país na Copa do Mundo.
Esmir Bajraktarevic: das raízes ao pênalti decisivo
A história de Esmir Bajraktarevic atravessa gerações. Os pais do jogador sobreviveram às perseguições e ao genocídio que marcaram a Guerra da Bósnia (1992–1995) e, após passagem pela Suíça, chegaram aos Estados Unidos em 2001 por meio de um programa de acolhimento a refugiados. Dez anos depois, em 2005, Esmir nasceu e cresceu em Appleton, cidade de cerca de 75 mil habitantes em Wisconsin.
Desde criança, influenciado pelo pai e pelos irmãos, Esmir respirou futebol. O jovem fez testes e jogou nas ligas locais até chamar a atenção fora da região — um processo que incluiu viagens a Chicago e convites para treinamentos com equipes de base nos Estados Unidos. Aos 16 anos mudou-se para integrar as residências estudantis do New England Revolution e, pouco depois, tornou-se profissional: estreou na MLS ainda jovem e foi conquistando espaço.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2026/F/7/iiSLmTR1uoxdOBRzfa4w/2026-06-03t084650z-565037347-rc2yfkaj2tf6-rtrmadp-3-soccer-worldcup-groupb-bosnia-1-.jpg)
Ascensão na MLS e a primeira convocação dos Estados Unidos
No New England Revolution, Esmir ganhou minutos e destaque. Na temporada de 2023 teve espaço crescente; em 2024 assumiu a titularidade, acumulando quatro gols e quatro assistências em 37 jogos, desempenho que o colocou nas convocações da seleção dos Estados Unidos. Apesar do vínculo com o país onde nasceu — e do agradecimento público às oportunidades recebidas —, a identidade bósnia sempre esteve presente: ele falava a língua em casa e assumia o orgulho pelas raízes familiares.
Escolha de seleção e passagem pelo PSV
Em setembro, após ter atuado em amistoso pelos EUA, Esmir decidiu vestir a camisa da Bósnia e logo deu retorno: na estreia, deu assistência para Edin Dzeko na partida contra a Holanda, pela Liga das Nações. A mudança de opção internacional foi acompanhada de atenção europeia — o PSV, da Holanda, contratou o jogador. Na primeira temporada ele apareceu com participações nos elencos principal e do time B, e em 2025/2026 consolidou-se: foram sete gols e quatro assistências em 36 jogos, contribuindo para o bicampeonato nacional do clube.
Na seleção, Esmir marcou gols decisivos nas Eliminatórias: anotou a virada contra a Romênia na penúltima rodada e, na partida que selou a classificação, converteu o pênalti que levou a Bósnia ao Mundial. O momento resumiu a trajetória entre memória, escolha e desempenho em campo, em que elementos culturais e religiosos da equipe apareceram lado a lado, como foi observado nos minutos que antecederam a cobrança.
Contexto histórico e importância simbólica
O massacre de Srebrenica é parte do pano de fundo dessa história: cerca de oito mil homens e meninos muçulmanos foram mortos naquele episódio que integrou a Guerra da Bósnia, conflito que deixou perto de 100 mil mortos e deslocou milhões de pessoas entre 1992 e 1995. Para os parentes de Esmir, a fuga e a reconstrução da vida nos Estados Unidos significaram a preservação de uma nova geração — que agora retorna ao cenário internacional com a camisa do país de origem de sua família.
Da vizinhança de Appleton ao reconhecimento
O percurso em Appleton também ilustra os desafios de jovens talentos fora dos grandes centros: clubes da MLS estavam a horas de distância, e a rotina de treinos e deslocamentos exigia sacrifícios. A relação próxima com a família de um amigo, que ajudou nas viagens e nas oportunidades, é parte do relato que acompanha o jogador desde os primórdios.
- Passado familiar e identidade cultural;
- Formação e acesso ao futebol profissional nos EUA;
- Alternância entre convocações e escolha pela Bósnia;
- Transferência ao PSV e temporada de destaque em 2025/2026.
Para entender como a Copa também é palco de imagens e histórias humanas, o leitor pode conferir reportagem sobre as comemorações oficiais da Copa e perfis de jogadores veteranos presentes no Mundial, como em nossa matéria sobre os quarentões da Copa. A preparação das equipes também envolve análise estratégica, como mostra o texto sobre a participação de especialistas na Suíça.
Agenda da Bósnia na Copa do Mundo
A seleção comandada por jogadores como Esmir terá pela frente três jogos nesta fase de grupos:
- 1ª rodada: Canadá x Bósnia, 12 de junho, às 16h, no Toronto Field
- 2ª rodada: Suíça x Bósnia, 18 de junho, às 16h, em Los Angeles
- 3ª rodada: Bósnia x Catar, 24 de junho, às 16h, no Seattle Field
O percurso de Esmir Bajraktarevic combina história pessoal e momento esportivo. Do pênalti decisivo às raízes familiares — passando pela experiência na MLS e pelo título com o PSV —, sua trajetória é um exemplo de como decisões de identidade podem ter impacto direto na seleção que um atleta representa internacionalmente.
Para acompanhar mais notícias e bastidores do esporte, siga o Guia Esportivo no Instagram.
3 visualizações



