Jornalistas franceses realizaram um protesto antes da coletiva de Didier Deschamps em defesa de Christophe Gleizes, repórter da revista So Foot preso na Argélia. O ato foi feito nas vésperas de compromissos da seleção na Copa do Mundo e chamou atenção pela exibição de faixas e pelo apoio público do técnico.
Christophe Gleizes
Cerca de 20 faixas com a inscrição “Liberdade a Christophe Gleizes” foram exibidas pelos profissionais de imprensa presentes na sala de entrevistas, em um gesto de solidariedade ao colega que, segundo entidades de direitos humanos, foi alvo de acusações infundadas. A mobilização ocorreu nos arredores da coletiva de Deschamps, que manifestou solidariedade à causa e disse esperar pelo retorno do repórter.
O episódio ganhou repercussão internacional porque Gleizes foi credenciado pela Fifa para a cobertura da Copa do Mundo — situação que levou a entidade a destacar, publicamente, a ausência do jornalista. Na entrevista no estádio Azteca, palco da abertura do Mundial, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, citou que uma cadeira foi deixada vaga na sala de imprensa em referência a Gleizes.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2026/g/Z/cMNpb4TXqlsLPGGny6Eg/a4dc5e10-7c81-4115-8c55-32105725ea43.png)
Contexto e cronologia
As informações públicas indicam que Christophe Gleizes foi detido em maio de 2024 enquanto produzia uma reportagem sobre o clube JS Kabylie. Cerca de um ano depois, ele foi condenado a sete anos de prisão por acusações que incluem apologia ao terrorismo e publicações consideradas propaganda contrárias ao interesse nacional. Organizações como a Repórteres Sem Fronteira classificam as imputações como infundadas e pedem a libertação do jornalista.
- Maio de 2024: detenção durante reportagem sobre JS Kabylie;
- Junho de 2025 (aproximadamente um ano depois): condenação a sete anos de prisão;
- 2026: acreditação da Fifa e repercussão do caso durante a Copa do Mundo.
O apoio público de colegas de profissão na coletiva com Didier Deschamps reforça a pressão sobre autoridades e amplia a discussão sobre liberdade de imprensa em contextos esportivos e políticos. Thibaut Bruttin, diretor-geral da Repórteres Sem Fronteira, afirmou que o lugar de um jornalista esportivo não é na cadeia, mas nos estádios e bastidores de competições, e conclamou profissionais a manter o tema vivo durante o torneio.
Deschamps, ao ser questionado, declarou ter encontrado os pais de Christophe e expressou o desejo de que o repórter possa voltar para exercer sua função e fazer perguntas pessoalmente o quanto antes. O posicionamento do comandante da seleção foi recebido como um gesto de empatia pela equipe presente.
O episódio também reacende debate sobre a atuação de organizações esportivas e a proteção de profissionais de imprensa em países onde casos judiciais contra jornalistas são vistos por entidades internacionais como problemáticos. Decisões e ações da Fifa relacionadas a credenciamentos e tratamento de casos sensíveis já foram alvo de cobertura em outros episódios durante o Mundial, como mostra a cobertura sobre medidas da entidade e repercussões em salas de imprensa.
Para quem acompanha a cobertura do torneio, há material de referência que aproxima a discussão do que tem ocorrido nos palcos das competições e nas decisões sobre acesso e transparência: reportagem sobre liberação de entrevistas pela Fifa e atualizações diárias da programação do Mundial em cobertura da Copa do Mundo. Ainda, análises de estreias e contextos de seleções ajudam a entender o ambiente esportivo em que o caso ganhou visibilidade, como em reportagem sobre a estreia da Espanha.
Repercussão internacional
Organizações de imprensa e direitos humanos têm feito campanhas e pedidos formais de revisão do caso de Christophe Gleizes. A mobilização na coletiva com Deschamps é um dos momentos mais visíveis dessa pressão desde a detenção, porque mistura a visibilidade do Mundial com uma pauta de liberdade de imprensa.
O caso permanece sob avaliação por entidades que atuam pela defesa de jornalistas; enquanto isso, a atenção internacional aumenta a possibilidade de acompanhamento por parte de observadores e organizações médicas e jurídicas ligadas à proteção de profissionais de mídia.
O que vem a seguir
Com a continuidade da Copa do Mundo, a expectativa de Repórteres Sem Fronteira é que colegas e veículos mantenham a pauta ativa em cada cobertura, usando a presença global do torneio para chamar atenção para o caso de Christophe Gleizes até que haja uma resolução que permita a avaliação independente das acusações.
O cenário apresentado confirma a interseção entre esporte e direitos humanos, e mostra como grandes competições podem ser palco de iniciativas que buscam visibilidade para causas além do gramado.
Para acompanhar mais notícias e bastidores do esporte, siga o Guia Esportivo no Instagram.
1 visualizações



