Ancelotti e jovens: como treinador lidou com Endrick, Kaká e Buffon

Imagem gerada com ajuda de iA (Inteligencia Artificial)

Carlo Ancelotti e jovens têm uma relação de contrastes ao longo da carreira do treinador: enquanto em alguns casos o italiano acelerou trajetórias, em outros optou pela cautela, como tem acontecido com Endrick na seleção e no Real Madrid.

Ancelotti e jovens: casos emblemáticos

O uso de jogadores promissores por Ancelotti varia conforme o contexto do clube, a concorrência no elenco e o estágio de desenvolvimento dos atletas. Endrick, por exemplo, teve poucas oportunidades sob o comando do técnico tanto na seleção brasileira quanto no Real Madrid. Na temporada 2024/25, pelo clube espanhol, o atacante fez 37 partidas, somando 845 minutos em campo — média de 22,8 minutos por jogo — e entrou em poucos jogos como titular.

Arda Güler e Endrick no Real Madrid
Jovens estrelas Arda Güler e Endrick foram pouco utilizados por Ancelotti no Real Madrid — Foto: Getty Images

Casos como o de Arda Güler e Anthony Gordon ilustram a postura cautelosa do treinador. Güler teve momentos expressivos — seis gols em 12 partidas em uma temporada — mas, com Ancelotti, passou a ter média reduzida de minutos em campo nos jogos seguintes. Já Gordon, que trabalhou com Ancelotti no Everton ainda jovem, acumulou 19 partidas sob o italiano entre 2019 e 2020 antes de seguir por empréstimo e depois se firmar com outros treinadores.

Nestes exemplos, Ancelotti e jovens mostram que o treinador costuma recomendar paciência no desenvolvimento, optando por rodar atletas ou enviar para empréstimos até que estejam prontos para assumir protagonismo.

Quando Ancelotti impulsionou carreiras

Em contrapartida, há episódios em que Ancelotti foi decisivo para o salto de jogadores jovens. Kaká, contratado pelo Milan em meados de 2003, encontrou no treinador um ambiente para crescer e se consolidar entre os principais do planeta. Vinicius Júnior também ganhou mais protagonismo com Ancelotti, especialmente na temporada 2021/22, quando passou a ter papel de destaque no Real Madrid.

Kaká e Pato treinados por Ancelotti
Kaká e Pato foram treinados por Carlo Ancelotti no Milan — Foto: Getty Images

O lançamento mais emblemático ocorreu no Parma, quando Ancelotti confiou no jovem Gianluigi Buffon, colocando-o como titular ainda com 17 anos. Casos como Buffon, Crespo e Pato mostram que, quando avaliava que o atleta estava pronto, Ancelotti não hesitava em promovê-lo ao elenco principal.

  • Thierry Henry: pouco aproveitado na Juventus inicialmente, com 21 partidas entre janeiro e julho de 1999.
  • Arda Güler: gols e qualidade, mas minutos limitados sob Ancelotti no Real Madrid.
  • Anthony Gordon: experiência no Everton com pouca participação antes de se firmar em outros clubes.
  • Kaká, Vinicius Júnior, Buffon: exemplos de aproveitamento imediato e crescimento sob Ancelotti.

O balanço entre conservadorismo e lançamento imediato dependeu, em cada caso, de variáveis conhecidas: esquema tático, concorrência por posições, ritmo da temporada e a própria ideia de gestão de elenco que o treinador adotou em diferentes clubes e momentos.

Para quem acompanha a Seleção e as discussões sobre escalação, há análises e reportagens que aprofundam esse tema e trazem dados sobre Endrick e a postura do treinador. Uma abordagem detalhada sobre a cautela de Ancelotti com o jovem na seleção está disponível em uma reportagem sobre a cautela com Endrick. Críticas e defesas ao uso do atacante também foram pautas recentes, como no texto em que Zico defende Endrick e em análises sobre o momento ideal para colocá-lo entre os titulares, discutidas em outra matéria que avalia a titularidade de Endrick.

Por que a variação no aproveitamento?

A gestão de jovens de alto potencial obriga técnicos a equilibrar desenvolvimento individual e metas coletivas. Ancelotti e jovens representam um estudo de caso: há jogadores que saíram rapidamente do abrigo para a equipe principal e outros que tiveram trajetória mais gradual. O padrão do treinador indica que a decisão é tomada caso a caso, sem uma regra fixa aplicada uniformemente.

Em competições de alto nível, especialmente em clubes com elenco recheado de estrelas, a paciência pode ser a opção para não comprometer resultados imediatos. Ao mesmo tempo, quando o jogador apresenta maturidade técnica e psicológica suficientes, Ancelotti já demonstrou estar disposto a entregar responsabilidades.

Em curto fechamento, a história mostra que Carlo Ancelotti e jovens podem ter trajetórias diferentes: ora o técnico acelera carreiras, ora opta por uma inserção gradual. Isso explica por que a postura com Endrick tem sido motivo de debate entre torcedores e especialistas.

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