Dito Moura e “Martinha”: futebol de areia e formação na Praia de Iracema

Ana Kézia (Martinha) jogando futebol de areia na Praia de Iracema
Ana Kezia, conhecida como Martinha, é destaque no futebol cearense — Foto: Samuel Conrado/SVM

Na Praia de Iracema, o encontro entre experiência e promessa ganha forma no futebol de areia. O professor Expedito “Dito” Moura e a jovem Ana Kézia, conhecida como “Martinha”, representam a continuidade de uma tradição que vai além do jogo: formar cidadãos, revelar talentos e abrir caminhos dentro e fora das areias de Fortaleza.

Futebol de areia: Dito Moura e a formação na areia

O futebol de areia aparece, na rotina do projeto de Dito, como ferramenta socioeducativa. Ex-jogador da seleção brasileira da modalidade, Dito vive em Fortaleza desde 1993 e usa a experiência internacional para orientar crianças a partir dos seis anos. A prática na areia exige técnica, equilíbrio e leitura de jogo — qualidades que, no caso de Ana Kézia, já chamam atenção desde a infância.

Martinha tem 14 anos e carrega o apelido recebido nos treinos: referência à maior atleta do futebol feminino. O drible, o chute e a postura com a bola fazem com que ela seja considerada uma jogadora com desenvoltura incomum para a idade. A trajetória da jovem começou aos seis anos, quando passou a frequentar o projeto de Dito na Praia de Iracema; desde então ela recebeu acompanhamento técnico e social que a mantiveram firmada na prática do futebol de areia e nos gramados.

Dito Moura com alunos no projeto social de Praia de Iracema, referência em futebol de areia
Dito Moura foi campeão da Copa Latina com a seleção brasileira de futebol de areia, em Fortaleza, no ano de 2005 — Foto: Gildo Ferro

Da seleção para o trabalho social

Dito trouxe para o projeto a disciplina e a visão de quem atuou ao lado de nomes como Benjamim, Mão, Jorginho, Buru, André Bigode, Júnior Negão e Maestro Júnior. A experiência com a seleção serviu de base para que o treinador transformasse as areias em um espaço de formação integral: técnico, educacional e humano.

  • Trabalho com crianças a partir dos seis anos;
  • Foco em cidadania e acompanhamento familiar;
  • Convivência entre futsal, gramado e areia para desenvolvimento técnico;
  • Parcerias com programas locais de incentivo ao esporte.

O projeto participa do programa municipal “Atleta Cidadão”, que, segundo a Secretaria de Esporte e Lazer de Fortaleza (Secel), acompanha mais de 9.400 crianças em nove modalidades. Essa rede de apoio contribui para que jovens como Martinha tenham acesso a competições, viagens e oportunidades de formação além do esporte.

Em um desses caminhos, Ana foi convidada para uma seletiva após se destacar em amistoso contra uma equipe da Noruega durante o Cearense de Beach Soccer. A partir daí veio a convocação e a expectativa da primeira viagem para a Espanha, prevista para junho.

Dito Moura e Martinha no projeto social da praia de Iracema, futebol de areia
Dito Moura e Martinha no projeto social da praia de Iracema — Foto: Samuel Conrado/SVM

Formação de base e passagem pelo Ceará

A trajetória de Martinha também inclui passagem pelas categorias de base do Ceará, onde defendeu o time sub-15 em 2025 e integrou o elenco campeão do Campeonato Cearense da categoria. A experiência nas categorias de formação é parte do itinerário natural de um atleta jovem; no entanto, o fim da base no clube dificultou a continuidade da jogadora em Porangabuçu, que seguiu treinando por núcleos como Juventus e Fut Soccer.

O processo de descoberta e desenvolvimento na base tem ecos nas políticas locais e na vivência de clubes: a base do Ceará tem ganhado espaço e resistência, e iniciativas voltadas à formação seguem sendo decisivas para o futuro de atletas como Ana. A convivência entre futsal, gramado e o futebol de areia favoreceu a versatilidade técnica da jovem.

Ana Kézia (Martinha) e Dito Moura em dia de treino na praia de Iracema, futebol de areia
Ana Kezia (Martinha) e Dito Moura em dia de treino na praia de Iracema — Foto: Samuel Conrado/SVM

Conquistas locais e visibilidade feminina

Um dos títulos recentes do núcleo foi a Copa Guerreiras do Sol, competição organizada pela Prefeitura de Fortaleza com objetivo de dar visibilidade ao futebol feminino. Na final, o núcleo Praia de Iracema, comandado por Dito e com Martinha em campo, venceu o núcleo Praça Dom Bosco por 6 a 0 — resultado que reforçou o protagonismo das jogadoras locais.

A participação em torneios e seletivas mostra como o futebol de areia pode ser um vetor de oportunidades. Para muitos atletas, a areia é ponto de partida para trajetórias que passam por clubes, seleções e programas de intercâmbio técnico.

Ana Kezia, apelidada Martinha, pelo sub-15 do Ceará, futebol de areia
Ana Kezia, conhecida como “Martinha” pelo sub-15 do Ceará — Foto: Gabriel Silva/Ceará SC

Para Dito, a missão vai além do gol e do resultado: é formar pessoas. O treinador lembra que o retorno vem em diferentes formas, com ex-alunos que se graduaram em áreas como Fisioterapia e Educação Física, e com jovens que conseguem oportunidades fora do esporte.

Antes da viagem para a Espanha, Martinha equilibra escola e treinos entre gramado e areia. O período é de preparação técnica e expectativa por novas vivências. A projeção do treinador é de que a experiência externa enriqueça o repertório da atleta e abra portas para futuras convocações.

Time da Praia de Iracema campeão da Copa Guerreiras do Sol, futebol de areia
Time da Praia de Iracema foi o campeão da Copa Guerreiras do Sol — Foto: Rafaela Santos

O caso de Dito e Martinha ilustra como o futebol de areia segue sendo um elemento cultural e formativo em Fortaleza. Entre treinos, campeonatos e viagens, a cena reforça o papel do esporte como instrumento de inclusão e projeção para meninas e meninos que procuram nas areias seu primeiro campo de oportunidades.

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Fechamento: em uma cidade que se celebra nos seus 300 anos, as areias da Praia de Iracema seguem recebendo gerações. No centro desse gesto, o trabalho de Dito e a promessa de Martinha compõem mais um capítulo da história do futebol cearense.

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