Comissão de Ética do São Paulo recomenda suspensão de Dedé

Dedé em sessão do Conselho — Comissão de Ética do São Paulo
Dedé é ex-diretor social do São Paulo — Foto: Reprodução / Instagram

A Comissão de Ética do São Paulo decidiu, por maioria, rejeitar o pedido de expulsão do conselheiro Antonio Donizeti Gonçalves, conhecido como Dedé, e encaminhar ao Conselho Deliberativo uma proposta de suspensão de 120 dias por dano à imagem do clube. A determinação decorre da apuração sobre a atuação ligada à operação da FGoal no clube social.

Comissão de Ética decidiu pela suspensão de Dedé

O colegiado, formado por cinco membros, concluiu que não havia elementos suficientes para configurar gestão temerária ou comprovar prejuízo financeiro ao São Paulo, mas entendeu que a conduta do conselheiro provocou dano à imagem do clube ao fornecer uma declaração usada pela FGoal em processo judicial. A decisão aponta para a aplicação da penalidade de 120 dias, combinando a punição prevista por dano à imagem com o aumento por ter ocupado cargo na diretoria.

O relator do processo e um dos integrantes adotaram posição mais rigorosa, defendendo a exclusão do quadro associativo e indenização por eventuais prejuízos materiais, enquanto outro membro apontou apenas por advertência, alegando ausência de dolo ou enriquecimento ilícito. Como houve empate entre as opções, prevaleceu a regra de julgamento pela pena menor, resultando na suspensão proposta.

Olten Ayres será responsável por levar a votação ao Conselho — Comissão de Ética
Olten Ayres será responsável por levar a votação ao Conselho — Foto: Bruno Giufrida

Na avaliação do colegiado, houve falhas de governança relacionadas à aprovação da atuação da FGoal na sede social sem a formalização contratual adequada e em razão de uma declaração assinada pela empresa em processo judicial contra o São Paulo. A FGoal prestava serviços de alimentação e bebida em dias de eventos no Morumbi, assunto que motivou a investigação interna quando o clube rompeu unilateralmente o contrato alegando saques indevidos nas máquinas de pagamento.

Como foi a votação

  • Dois membros votaram pela exclusão do quadro associativo e indenização;
  • Dois membros optaram pela suspensão como pena adequada;
  • Um membro sugeriu apenas advertência, por entender que não houve dolo.

Por conta do empate entre as alternativas mais severas, a Comissão de Ética aplicou a interpretação que favorece a pena menor, mas determinou que Dedé seja julgado especificamente pelo dano à imagem. Ao final do procedimento, a proposta será enviada ao Conselho Deliberativo, cujo presidente, Olten Ayres, deverá marcar data para a votação.

O episódio tem repercussão interna e externa ao clube: além da apuração administrativa, a questão gerou disputas judiciais entre a FGoal e o São Paulo. A empresa chegou a anexar aos autos uma carta assinada por Dedé, na qual o então diretor social afirmava ter autorizado verbalmente a operação e relatava que a diretoria financeira teria acesso à plataforma e acompanhamento de relatórios.

FGoal prestava serviço no Morumbi — Comissão de Ética
FGoal prestava serviço de Alimentação e Bebida em dias de eventos no Morumbis — Foto: Eder Traskini

Em fevereiro, o clube rescindiu o contrato com a FGoal, que afirmava ter recebido autorização para operar e disse que a rescisão teve motivação política. A empresa também alegou que a permissão estava relacionada à implementação de um sistema de meios de pagamento que repassaria taxas para a operação com cessionários. A controvérsia levou a ações na Justiça, das quais uma foi retirada após tratativas e documentos apresentados.

Próximos passos e impacto institucional

Com a recomendação formal feita pela Comissão de Ética, caberá agora ao Conselho Deliberativo analisar e deliberar sobre a proposta de suspensão. A votação no Conselho será o momento decisivo para confirmar ou alterar a sanção sugerida pelo colegiado responsável pela apuração ética. O desfecho terá implicações internas, principalmente sobre procedimentos de governança e a relação entre conselheiros, diretoria e empresas terceirizadas que atuam na sede do clube.

Enquanto o processo administrativo segue, o clube também lida com a rotina esportiva e decisões de elenco. Notícias recentes, como o anúncio do retorno de Arboleda ao elenco, apontam para um cenário de movimentações dentro do clube; veja a matéria sobre o anúncio do retorno de Arboleda e como isso tem sido tratado internamente.

Além disso, a preparação do grupo segue entre atividades técnicas e físicas — confira cobertura sobre os treinos do time em outra matéria sobre os treinos em dois períodos. A gestão do clube terá de conciliar decisões administrativas e a rotina desportiva nos próximos dias.

Entre as motivações do colegiado para a punição, pesou o uso da declaração atribuída a Dedé em processo judicial, que foi interpretada como elemento que afetou a imagem institucional do São Paulo. Documentos, comunicações e correspondências entre a empresa e dirigentes foram citados como fontes de verificação, embora o colegiado não tenha sustentado a acusação de gestão temerária.

O caso segue acompanhando o procedimento estatutário: após a remessa ao Conselho Deliberativo, será convocada sessão para deliberação. A trajetória administrativa e judicial em torno da questão reforça a importância de aprimorar controles e formalizações contratuais na gestão do clube.

Para leitores que acompanham o dia a dia do São Paulo, essas decisões internas podem influenciar a governança e a relação com fornecedores, além de repercutir no ambiente político do clube. A expectativa é de que o Conselho Deliberativo fixe data em breve para votar a recomendação da Comissão.

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