Ponte Preta amarga pior sequência do século e soma só um ponto

Elenco da Ponte Preta antes de jogo — Ponte Preta
Elenco da Ponte Preta antes de jogo da Série B — Foto: Marcos Ribolli

A Ponte Preta vive uma crise aguda na Série B do Campeonato Brasileiro, depois de completar dez jogos sem vitória — com nove derrotas e apenas um empate no período. A sequência negativa, aprofundada pela derrota por 2 a 0 para o Fortaleza, transformou o momento da Macaca em um dos piores do século em termos de rendimento por pontos conquistados.

Ponte Preta em crise: como o clube chegou até aqui

A derrota para o Fortaleza, na última quinta-feira, aumentou a pressão sobre elenco e diretoria. Em 16 rodadas, a Ponte Preta soma oito pontos e ocupa a vice-lanterna da Série B, com aproveitamento de 16,7%. O jejum de vitórias já é o mais duro do clube neste século quando se considera o total de pontos obtidos em sequências longas.

No período atual a equipe somou apenas um ponto dos 30 disputados, reflexo de dificuldades dentro e fora de campo. O ataque marcou dez gols, enquanto a defesa sofreu 31, resultando em saldo negativo de 21. A última vitória do time havia sido em 24 de abril, contra o Majestoso, quando venceu por 1 a 0.

Histórico de longas sequências

Embora a Ponte Preta já tenha vivido jejum de resultados em outras ocasiões, o desempenho recente se destaca por envolver mais derrotas e menos empates. Entre as sequências longas registradas no século, destacam-se:

  • 2010/2011: 12 jogos sem vencer (3 empates)
  • 2019: 10 jogos sem vitória (6 empates, 4 derrotas)
  • 2021: 11 jogos sem vencer (5 empates, 6 derrotas)
  • 2022: 10 jogos sem vencer (2 empates, 8 derrotas)
  • 2023: 10 jogos sem vencer (4 empates, 6 derrotas)

Os números deixam claro que o cenário atual é excepcionalmente negativo: a combinação de derrotas e a baixa produção ofensiva acentuam o risco esportivo e aumentam a exigência por intervenções no clube.

Além do desempenho em campo, a Ponte Preta convive com problemas administrativos e financeiros, citados como fatores que afetam a rotina do elenco. Questões como atrasos salariais e instabilidade na gestão são apontadas como parte do contexto que impede uma reação mais rápida.

Entre os episódios recentes fora do gramado, a busca por medidas trabalhistas ganhou espaço nas notícias do clube, com atletas recorrendo a instâncias para tentar regularizar contratos e pendências. Entre esses episódios está a movimentação do goleiro Diogo Silva, que acionou a CNRD em tentativa de rescisão — um capítulo que evidencia as dificuldades institucionais enfrentadas pela Ponte Preta nas últimas semanas. Ação de Diogo Silva na CNRD

Na administração do elenco, mudanças já ocorreram: saídas de jogadores e reorganizações no elenco foram confirmadas, enquanto a base começa a ganhar espaço como alternativa para compor o time. As movimentações recentes incluem a devolução de atletas e promoções da base, em tentativas de mitigar a escassez de opções. Saídas confirmadas pelo clube e a ascensão da base como alternativa são sinais das mudanças em curso.

O desempenho e o que está em jogo

Com apenas dois triunfos, dois empates e doze derrotas no geral, a Ponte Preta precisa reagir com urgência para se distanciar da zona de rebaixamento. A diferença para o primeiro fora da zona amarga já é de oito pontos, um número que pode crescer caso os concorrentes obtenham resultados na rodada em andamento. A situação pressiona o grupo técnico e amplia as cobranças sobre a diretoria por soluções de curto prazo.

Dentro do campo, o time tem encontrado dificuldades para produzir ofensivamente e evitar gols, e a soma de erros defensivos e falta de criação tem sido apontada como determinante nas derrotas recentes. Tecnicamente, qualquer ajuste passa por recompor o elenco, revisar a preparação física e também buscar estabilidade no comando da equipe.

A partida seguinte será um teste direto de recuperação: a Ponte Preta enfrenta o Criciúma, na quarta-feira, 8 de julho, às 20h, no Estádio Moisés Lucarelli, pela 17ª rodada da Série B. O confronto é visto como oportunidade para interromper a sequência negativa e recuperar confiança diante da torcida, mas também como mais uma prova da urgência das intervenções internas.

As próximas semanas serão decisivas para o futuro imediato do clube na competição. Se por um lado a reação dentro de campo é imprescindível para reduzir a distância à saída do Z-4, por outro a resolução de pendências administrativas e financeiras pode influenciar diretamente no clima do vestiário e na capacidade de reação da equipe.

Em campo, a Ponte Preta terá que conciliar opções da base e ajustes táticos para tentar melhorar o aproveitamento. Fora dele, a resposta da diretoria a demandas salariais e à necessidade de reforços poderá determinar se o clube conseguirá reverter a trajetória antes que a competição entre em fase ainda mais crítica.

Para acompanhar o desenrolar da crise e as próximas partidas, torcedores e observadores do futebol regional acompanham com atenção as movimentações do clube, que ainda busca a combinação certa entre opções dentro e fora de campo para retomar resultados.

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