Gazela Negra luta na Justiça para obter reconhecimento como dependente e poder acompanhar a filha, Érica Simone Resende, em missão oficial nos Estados Unidos — uma viagem marcada para 13 de julho que coloca em risco a permanência da ex-velocista ao lado da única parente viva.
Gazela Negra e a batalha por reconhecimento de dependente
Considerada uma das maiores velocistas da história do Flamengo, Érica Lopes, conhecida como Gazela Negra, enfrenta hoje um entrave administrativo na Escola Superior de Guerra (ESG). A instituição não reconheceu a ex-atleta como dependente legal de sua filha, a professora concursada Simone, e isso impede a emissão dos documentos que viabilizariam a permanência de Érica durante a missão oficial em Washington.
A servidora Simone foi convidada para integrar o corpo docente do Colégio Interamericano de Defesa (CID) e, por isso, buscou junto à ESG o enquadramento que facilitaria vistos e passaportes diplomáticos para dependentes. Sem o reconhecimento, a alternativa seria solicitar visto de turismo B2 — que permite estada contínua de até 180 dias —, enquanto a missão tem duração prevista de um ano.
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Documentos, curatela e o trâmite com a ESG
Simone obteve na Justiça a curatela protetiva da mãe e reuniu documentos previstos na Portaria nº 4645/2022 para comprovar dependência econômica: escritura pública, declarações do imposto de renda e atestado da equipe médica. Segundo a professora, esses comprovantes foram encaminhados à ESG, mas não foram aceitos como prova, e a servidora optou por levar o caso ao Judiciário antes da conclusão da via administrativa.
A ESG, em nota, informou que solicitou a documentação necessária e que, como o processo está em trâmite na Justiça Federal, aguarda decisão judicial para prosseguir administrativamente.
O impasse tem consequências práticas imediatas: além do risco de não obter o visto adequado para toda a estadia, haveria a necessidade de a própria instituição custear passagens, plano de saúde e um auxílio familiar mensal estimado em R$ 3,2 mil (cerca de 640 dólares). Simone relatou que chegou a se oferecer para abrir mão de parte do auxílio, deixando claro que o objetivo central era viabilizar o passaporte e o visto para a mãe.
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Contexto humano e médico
Com 89 anos, Gazela Negra sofre de diabetes, faz uso diário de insulina e toma múltiplos medicamentos por condição renal, o que torna a presença constante da filha essencial aos cuidados desde 2018, quando ficou viúva. Simone é quem administra a rotina de remédios e o acompanhamento médico da mãe.
Segundo a servidora, a situação configura questão de dignidade humana e direito ao bem-estar do idoso, protegido pela Constituição. A possibilidade de separar mãe e filha por questões burocráticas levou a família a buscar medidas judiciais para garantir o acompanhamento durante a missão no exterior.
Vistos e legislação: entraves do passado
O caso abre discussão sobre regras que regem missões no exterior. O texto que regula direitos de civis e militares em deslocamentos internacionais remonta a 1973 e, na avaliação da filha, não contempla arranjos familiares contemporâneos. A portaria mais recente (2022) trouxe critérios para comprovação de dependência econômica, mas sua aplicação prática tem gerado divergências entre servidores e a própria administração pública.
Na prática, o reconhecimento do vínculo como dependente pelo órgão a que a servidora está vinculada é decisivo para facilitar vistos de categoria A2 e o fornecimento de documentos oficiais. Sem esse reconhecimento, alternativas reduzem-se a vistos temporários e à insegurança quanto à permanência quando o período de estadia expirar.
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Legado esportivo e repercussão
Érica Lopes construiu carreira vitoriosa nas pistas: nasceu em Porto Alegre, destacou-se pelo Grêmio, foi campeã brasileira pelo Internacional e, a partir de 1960, marcou época defendendo o Flamengo, onde conquistou bicampeonato carioca e o apelido pelo qual é conhecida. Entre títulos, houve conquistas no Troféu Brasil e no Campeonato Sul-Americano.
Ao mesmo tempo em que seu legado esportivo é relembrado em homenagens e eventos, a situação atual ganhou atenção por unir direitos administrativos, proteção ao idoso e a necessidade de atualização de normas que regulam missões do serviço público no exterior.
- Missão oficial de Simone no CID em Washington tem início previsto para 13 de julho.
- Visto de turismo B2 permite permanência contínua de até 180 dias.
- Auxílio familiar mensal estimado em cerca de R$ 3,2 mil (640 dólares) segundo a servidora.
Com o processo em andamento na Justiça Federal, mãe e filha se preparam para viajar sem garantia de que a Gazela Negra terá documentação que assegure sua permanência ao longo de todo o período da missão. A entrevista com o Consulado americano foi prevista para a semana seguinte à reportagem, e a família avalia alternativas caso o reconhecimento não seja concluído a tempo.
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Fechamento: O impasse entre a Escola Superior de Guerra e a servidora Simone expõe lacunas administrativas diante de arranjos familiares atuais e coloca em risco a rotina de cuidados de uma ex-atleta de destaque que, aos 89 anos, depende integralmente da filha para sua assistência.
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