A rotina de cuidados médicos com Michael Schumacher ganhou destaque durante o julgamento envolvendo a acusação de estupro de uma enfermeira contra Joey Mawson, piloto australiano e amigo da família do heptacampeão da Fórmula 1. O episódio teria ocorrido na residência de Schumacher, na Suíça, seis anos após o grave acidente de esqui que acometeu o ídolo em 2013. Mawson nega as alegações, afirmando que o ato sexual foi consensual, conforme reportaram os jornais britânicos Daily Express e The Sun.
Pressão e “cultura do silêncio” nos cuidados com Schumacher
Na audiência realizada na última terça-feira (2), o advogado da enfermeira declarou que o trabalho de cuidado intensivo a Schumacher era exaustivo física e emocionalmente, e que a vítima foi demitida injustamente quase um ano após o suposto abuso. Segundo a acusação, havia uma forte pressão para que os funcionários não revelassem detalhes sobre o estado de saúde do piloto, criando uma espécie de “cultura do silêncio” dentro da equipe de atendimento.
“É um trabalho extremamente exigente, tanto física quanto emocionalmente. Somado a isso, há a cultura do silêncio que envolve essa família. Isso é compreensível, mas para os funcionários, que nem sequer podiam falar com os amigos sobre o dia a dia, a pressão era enorme. Digo isso porque mostra o quão séria e apaixonadamente ela executou seu trabalho. Ela foi encarregada das tarefas mais difíceis”, afirmou o advogado da enfermeira.
Ele ainda reforçou que a profissional desempenhava suas funções com perfeição e que a própria família reconhecia a qualidade de seu trabalho, destacando que a vítima foi estuprada e posteriormente demitida injustamente.
A acusação criminal e o estado secreto de saúde de Schumacher
A enfermagem acusou formalmente Joey Mawson de tê-la estuprado duas vezes durante a noite do dia 23 de novembro de 2019. Na ocasião, Mawson estava hospedado na casa de Schumacher, localizada próxima ao Lago de Genebra, e participava de um jogo de sinuca com outras pessoas. A vítima, após um turno exaustivo, teria se juntado ao grupo, mas começou a se sentir mal após consumir bebidas alcoólicas.
Conforme relatos, a enfermeira precisou ser auxiliada e levada para o quarto ainda vestindo suas roupas. Mawson, entretanto, teria voltado ao quarto e cometido o abuso enquanto ela estava inconsciente. Ela despertou nua, sem memórias do acontecido.
Documentos judiciais apontam que sangue foi encontrado na cama, e havia sinais de imobilização à força na vítima. Ademais, uma mensagem de texto enviada por Mawson pedia desculpas pelo ocorrido, embora ele negue as acusações.
O piloto afirmou: “Eu não tinha percebido o quão embriagado estava até na manhã seguinte. Durante a noite, achei que ela estava menos bêbada do que percebi na manhã seguinte”.
O segredo da saúde de Schumacher e a expectativa pela sentença
Desde o acidente nos Alpes franceses, há 13 anos, Schumacher vive em reclusão absoluta. Ele sofreu lesões cerebrais graves, ficou seis meses em coma induzido e desde então é assistido em casa na Suíça, com seu estado de saúde mantido em total sigilo pela família, que tem atuado contra vazamentos e extorsões.
A acusação de estupro foi oficializada em 2022, e a família do ex-piloto afirma que desconhecia os fatos até a abertura do processo judicial. A sentença está prevista para ser divulgada nesta sexta-feira (5).



