Arena Fonte Nova planeja gramado híbrido e volta de cadeiras para Copa-2027

Arquibancada da Arena Fonte Nova
Arquibancada da Arena Fonte Nova — Foto: Mustafá Tambuc

A Arena Fonte Nova se prepara para assumir papel central na Copa do Mundo Feminina 2027. Em entrevista ao ge, a gerente de Operações Milena Andrade confirmou que a Arena Fonte Nova estuda a instalação de um gramado híbrido e o retorno de cadeiras no setor norte inferior, mudanças pensadas para atender às exigências da Fifa e ao cronograma do evento.

Arena Fonte Nova em Salvador
Arena Fonte Nova, em Salvador — Foto: Divulgação / Sefaz

Arena Fonte Nova: planos para 2027

A preparação da Arena Fonte Nova envolve entregas técnicas e operacionais alinhadas ao cronograma da Fifa. Segundo a gerente, o período de instalação das alterações começa a partir de 10 de junho de 2027, quando o estádio será entregue oficialmente à entidade. A janela exclusiva para o Mundial vai de 24 de junho a 25 de julho, intervalo em que todas as adequações deverão ser finalizadas.

Gramado híbrido e capacidade

Entre as exigências já discutidas está a costura de fibra sintética ao gramado natural — o chamado gramado híbrido, solução adotada em outros estádios brasileiros para aumentar resistência e qualidade da superfície. A proposta prevê manter a grama natural e incorporar uma fibra costurada, medida já aplicada em arenas como Maracanã e Neo Química Arena.

Gramado da Arena Fonte Nova
Gramado da Arena Fonte Nova — Foto: Mustafá Tambuc

Outra definição é que não serão instaladas arquibancadas móveis, como em 2014; assim, a capacidade ficará em 48.260 lugares, número considerado adequado pela Fifa para as partidas do Mundial. Também há demandas específicas sobre estruturas temporárias (overlay) para imprensa, tecnologia e atendimento à logística do torneio.

Organização interna e calendário

A equipe da Arena trabalha para conciliar manutenção com o calendário de eventos do estádio. Durante o período de exclusividade para a Copa, o clube local — Bahia — terá de buscar alternativas para mandar partidas em outras praças, conforme prevê o cronograma de entrega à Fifa.

Impactos na rotina do Bahia

Milena ressaltou o desafio de ajustar a agenda de jogos e a manutenção do palco: “Esse é um grande desafio de um estádio, conseguir conciliar a parte de manutenção com o cronograma de jogos e eventos”. A preparação prevê ações específicas de infraestrutura e logística para reduzir impacto sobre o calendário esportivo local.

Poder feminino e legado social

Além das obras físicas, a Arena Fonte Nova destaca a intenção de promover um legado social com foco em direitos humanos, sustentabilidade e fortalecimento do futebol feminino. Thaise Muniz, gerente de Comunicação, Comercial e de Responsabilidade Social, explicou que a casa já valoriza a presença feminina em cargos estratégicos e vê a Copa como uma oportunidade para ampliar esse protagonismo.

Thaise Muniz em entrevista ao ge
Thaise Muniz em entrevista ao ge — Foto: Mustafá Tambuc

Segundo Thaise, a Arena chega ao Mundial com uma cultura interna que já coloca mulheres em posições de liderança: são 37% de mulheres na estrutura administrativa e 50% nos cargos de liderança. Essa consistência, afirmam as gestoras, torna a preparação para 2027 um movimento natural de fortalecimento do futebol feminino na região.

As sedes e o caminho até 2027

O Brasil será a primeira nação sul-americana a sediar o torneio, com oito sedes confirmadas:

  • Arena Castelão (Fortaleza)
  • Fonte Nova (Salvador)
  • Arena de Pernambuco (Recife)
  • Beira-Rio (Porto Alegre)
  • Mineirão (Belo Horizonte)
  • Estádio Nacional (Brasília)
  • Maracanã (Rio de Janeiro)
  • Neo Química Arena (São Paulo)

Até fevereiro de 2027 haverá as fases de classificação e a repescagem; já estão garantidas 14 seleções, entre elas o Brasil e a Espanha. A vaga da Espanha, citada entre as classificadas, é lembrada como exemplo do nível da competição e da atenção que as sedes devem ter ao planejamento técnico e logístico — inclusive em aspectos que envolvem o gramado e a capacidade local na trajetória da equipe espanhola.

Enquanto as sedes fecham detalhes, outras capitais também avançam em processos administrativos e pedidos formais para a Copa, com atenção às estruturas já existentes. Em São Paulo, por exemplo, há tratamento administrativo sobre a manutenção da Neo Química Arena para o evento e discussões sobre o calendário.

O que vem a seguir

No planejamento da Arena, as próximas etapas incluem decisões técnicas sobre o tipo de fibra a ser costurada no gramado, o cronograma de instalação das estruturas temporárias e a revisão final da logística de público. Todas essas etapas precisam ser concluídas dentro do prazo estabelecido pela Fifa, assegurando que a Arena Fonte Nova esteja pronta para receber partidas de alto nível técnico e com conforto para os torcedores.

Ao mesmo tempo, a expectativa é que a realização da Copa de 2027 sirva para ampliar oportunidades para o futebol feminino e deixar um legado duradouro para a cidade e a região, tanto em termos esportivos quanto sociais.

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