Brasil usa colete de gelo e ‘raspadinha’ para minimizar calor na Copa

Bruno Guimarães se refresca com colete de gelo durante jogo — calor na Copa
Bruno Guimarães se refresca durante a partida entre Brasil e Marrocos — Foto: Hugo Rivera/Jam Media/Getty Images

Com a previsão de 31ºC para o jogo contra a Escócia em Miami, a Seleção já adotou várias medidas para reduzir o impacto do calor na Copa. A preparação incluiu chegada aos Estados Unidos 10 dias antes da estreia, compra de equipamentos de resfriamento e protocolos personalizados de hidratação.

calor na Copa: como a comissão técnica se antecipou

A comissão técnica da CBF montou um plano que começa antes mesmo da viagem: a delegação desembarcou com antecedência para favorecer a aclimatação e evitar alterações bruscas de rendimento por causa do clima. Entre os recursos adotados estão os chamados “ice vests” (coletes de gelo), toalhas molhadas e geladas aplicadas em pontos estratégicos, além de uma máquina que produz bebida com gelo moído — a popular “raspadinha” — para uso em treinos e intervalos.

O fisiologista Guilherme Passos explicou a lógica por trás das ferramentas de resfriamento: os coletes permitem reduzir a temperatura do tórax entre as atividades, enquanto as toalhas frias aliviam a sensação térmica ao atuar em áreas com maior sensibilidade. Essas medidas são complementares às práticas de recuperação e aos protocolos de hidratação individualizados.

Livano Comenencia usa colete com gelo durante pausa para hidratação
Livano Comenencia, de Curaçao, usa colete com gelo durante pausa para hidratação — Foto: REUTERS/Hannah Mckay

Testes, alimentação e hidratação individual

Além dos equipamentos, a preparação envolveu avaliação fisiológica. Na data Fifa de março, os jogadores convocados passaram por testes para mapear a composição do suor e identificar perdas de sais minerais. Esse diagnóstico permite montar estratégias de reposição de eletrólitos e hidratação adaptadas a cada atleta, evitando tanto a desidratação quanto o excesso de água que pode diluir eletrólitos importantes.

A nutróloga Andreia Picanço liderou os protocolos de alimentação e reposição, e o trabalho foi realizado em parceria com a fornecedora oficial de bebidas da Seleção. O objetivo é que cada jogador receba uma prescrição de fluidos e sais que compense perdas individuais observadas nos testes.

Contexto dos jogos e variação de temperaturas

O impacto do calor na Copa varia conforme cidade e horário das partidas. Na estreia, contra Marrocos, a Seleção encontrou cerca de 30ºC; já no jogo contra o Haiti, que teve início mais tarde, a temperatura foi mais amena, na casa dos 22ºC. Para a sequência, a diferença de cenários pode ser significativa: caso avance como primeira do grupo, o Brasil jogará a próxima fase em Houston, em estádio fechado e climatizado; se ficar em segundo, viajará para Monterrey, no México, que tem registrado temperaturas acima de 30ºC.

As escolhas táticas e físicas tendem a sofrer influência do ambiente. Jogadores e comissão reconhecem que, mesmo com toda a preparação, é difícil reproduzir o ritmo das ligas europeias em dias de calor intenso. Como ressaltou o atacante Gabriel Martinelli, a temperatura reduz a capacidade de manter o mesmo nível de intensidade visto em campeonatos como a Premier League.

Medidas adotadas durante os jogos

Dentro do estádio, a equipe técnica procura maximizar janelas de recuperação: pausas estratégicas, uso de coletes e toalhas geladas nos intervalos e calorias e fluidos de reposição durante os momentos permitidos. A máquina de gelo moído tem função prática para reduzir a temperatura corporal de forma rápida e oferecer uma sensação refrescante no curto espaço entre atividades.

  • Chegada antecipada para aclimatação;
  • Uso de coletes de gelo e toalhas geladas;
  • Hidratação individual baseada em testes do suor;
  • Alimentação ajustada para recuperação e reposição de eletrólitos;
  • Recursos de resfriamento pontuais, como bebidas com gelo moído.

As medidas são adotadas em função do que está disponível no calendário e do contexto de cada partida. Para quem acompanha a competição, a diferença entre as cidades e os horários de jogos pode alterar não só o conforto, mas também o plano de jogo e a gestão física dos atletas.

O que esperar nas próximas partidas

Com o Brasil ainda na fase de grupos, a atenção ao calor na Copa segue como prioridade. Equipe, comissão e preparadores continuam monitorando previsões e sinais fisiológicos dos jogadores, prontos para adaptar a rotina sempre que necessário. Para quem quer acompanhar os próximos jogos e horários, o Guia Esportivo oferece atualizações diárias sobre as partidas e transmissões, ajudando o torcedor a planejar a cobertura do torneio.

Antes do confronto decisivo contra a Escócia, a comissão deve manter as rotinas de resfriamento e hidratação, aproveitando as janelas de preparação e recuperação para reduzir o impacto do calor na Copa sobre o desempenho coletivo.

Leia mais sobre a programação e o que está em jogo na fase de grupos em nossa cobertura: calendário e transmissões, análise do que está em disputa na última rodada: o que está em jogo, e detalhes práticos para o duelo: Escócia x Brasil: onde assistir.

Para acompanhar mais notícias e bastidores do esporte, siga o Guia Esportivo no Instagram.

Fechamento: a combinação de tecnologia, ciência e rotina personalizada busca reduzir os efeitos do calor na Copa sem prometer impossibilidades; a realidade é que, em dias quentes, a gestão e a adaptação continuam sendo fatores decisivos para o rendimento da Seleção.

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