Os árbitros da Copa do Mundo seguem uma rotina rígida em Miami para manter 169 oficiais prontos para as 104 partidas do torneio. Entre treinos físicos, simulações com jogadores semiprofissionais, reuniões táticas e revisão de lances com o chefe de arbitragem Pierluigi Collina, a preparação busca reduzir erros e uniformizar interpretações em campo.
Árbitros da Copa do Mundo: rotina diária em Miami
A concentração do chamado “Team One” começou em 31 de maio e reúne árbitros, assistentes e integrantes da equipe de vídeo. O dia típico tem café da manhã às 7h30 num hotel à beira-mar, seguido pela reunião de escalação comandada pela chefia e pelas atividades práticas em campos da Universidade Miami-Dade. Os 30 árbitros de vídeo trabalham em Dallas, nas cabines instaladas no IBC.
Por volta das 9h, três ônibus deixam o hotel com escolta policial rumo aos campos. Em espaços divididos, trios de arbitragem revezam exercícios de 10 minutos que simulam situações reais — pênaltis forçados, marcações de falta, cartões e reinícios com tiro de meta, pois, como lembra Massimo Busacca, “queremos faltas, não gols”. Jogadores locais contratados atuam como sparrings para reproduzir lances e padrões táticos das seleções a serem apitadas.
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Antes e após os treinos, os árbitros participam de análises de vídeo. Collina e sua equipe revisam jogadas recentes da Copa para discutir posicionamento, interpretação e uso do VAR. Lances como a disputa envolvendo Mbappé na partida entre França e Senegal e o contato de Messi em Mandi, na partida entre Argentina e Argélia, foram tema de debates: a chefia reforça que replays em câmera lenta podem aumentar a percepção do contato, mas a decisão final depende da interpretação do árbitro no ritmo do jogo.
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Treinos, análise tática e logística
Além da parte física, há sessões táticas. Analistas como Gianvito Piglionica e Cristiano Ciardelli apresentam formações e padrões de seleções para guiar o posicionamento dos árbitros em situações específicas — por exemplo, como reagir em esquemas de ataque e defesa ou em cobranças de escanteio. Parte desse trabalho é ajustar a leitura do jogo quando muitos atletas das equipes atuam em um mesmo campeonato, o que facilita o reconhecimento e a antecipação de comportamentos.
- Reunião matinal de escalação e instruções;
- Treinos práticos em campos com sparrings;
- Revisão de lances com chefia e analistas;
- Logística de viagens e recuperação física no hotel.
No hotel, a estrutura inclui preparação de refeições por chef, fisioterapia, suporte psicológico e áreas de lazer. A Fifa organizou ainda uma “Referees Cup” local antes da abertura do torneio para manter os oficiais em atividade. A logística de deslocamento é complexa: os árbitros viajam em voos comerciais, preferencialmente em classe executiva e sem identificação oficial para evitar incômodos.
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O processo de seleção para as fases finais também é acompanhado de perto: o “Team One” diminui à medida que o torneio avança, com expectativa de reduzir para cerca de 12 trios a partir das quartas de final e escolha do árbitro da final apenas após as semifinais, conforme a regra da Fifa que impede juízes de países finalistas de apitar a decisão.
Entre os nomes brasileiros na estrutura estão Raphael Claus, Ramon Abatti Abel, Wilton Pereira Sampaio e oito assistentes, além do árbitro de vídeo Rodolpho Toski Marques em Dallas. Sampaio foi alvo de discussões após o jogo de abertura, mas a chefia elogiou a correção das expulsões aplicadas — um episódio que também reforçou a importância da comunicação clara em inglês para oficiais em nível internacional.
O acompanhamento das comunicações entre campo e VAR é feito em salas do hotel, onde instrutores assistem aos jogos e selecionam lances para uso em palestras e treinamentos. Esse acesso, porém, não permite interferência no trabalho dos árbitros em campo; serve para aprendizado e padronização.
Para saber mais sobre partidas em análise e contextos táticos relacionados a jogos desta Copa, veja a análise de Holanda x Suécia e o levantamento sobre lesões que marcaram a história da Copa, conteúdos que complementam a compreensão das demandas enfrentadas pelos árbitros em campo.
Fechando a rotina, o time tem momentos de recuperação no hotel e liberdade para passeios leves pela região litorânea. A combinação de treinos, análise técnica e logística é a base para que os árbitros da Copa do Mundo cheguem preparados às partidas, com decisões pautadas por interpretação consistente e respaldo do VAR quando necessário.
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