TJD-RJ suspende jogadores por Manipulação no Carioca

Sidão e Luís Gustavo em audiência - Manipulação no Carioca
Os jogadores foram defendidos pelo advogado Vivaldo Lúcio Neto: "Não há provas concretas para afirmar que praticaram crimes. Estamos no mundo da especulação" — Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro aplicou punições nesta quarta-feira em caso ligado à Manipulação no Carioca: dois atletas que atuaram na primeira divisão foram suspensos por 365 dias e multados, enquanto dirigentes da Portuguesa receberam penalidades por obstrução ao processo.

Manipulação no Carioca

O julgamento confirmou as sanções contra o zagueiro Sidão, do Nova Iguaçu, e o lateral Luís Gustavo, da Portuguesa: ambos foram suspensos por 365 dias com base no artigo 243 e multados em R$ 1.000. Ainda cabe recurso ao Pleno do TJD-RJ, segunda instância do tribunal estadual.

O processo tem origem em investigação desencadeada durante o Carioca de 2026, após alerta da Unidade de Integridade de Futebol da CBF e da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) sobre volume atípico de apostas casadas relacionadas a cartões para os dois jogadores na partida Portuguesa 1 x 0 Nova Iguaçu, disputada em 7 de fevereiro no Luso-Brasileiro.

Luiz Gustavo e Sidão - Manipulação no Carioca
Luiz Gustavo, da Portuguesa, e Sidão, do Nova Iguaçu, foram punidos por um ano no TJD-RJ — Foto: A.A Portuguesa / NIFC

Segundo os autos, houve volume de apostas de R$ 253 mil no mercado analisado, com cerca de 80% das apostas focadas na ocorrência de cartões para os dois atletas. Na partida, Sidão recebeu amarelo aos 35 minutos do primeiro tempo e Luís Gustavo foi advertido aos três minutos do segundo tempo — eventos que motivaram a investigação.

Punições aplicadas

  • Sidão (Nova Iguaçu): suspensão de 365 dias (art. 243) e multa de R$ 1.000;
  • Luís Gustavo (Portuguesa): suspensão de 365 dias (art. 243) e multa de R$ 1.000;
  • Marcelo Gonçalves (presidente da Portuguesa): multa de R$ 5.000 (art. 220-A);
  • Muniz (supervisor da Portuguesa): multa de R$ 5.000 (art. 220-A).

Além das sanções individuais, o julgamento reforça medidas disciplinares previstas no Código Brasileiro de Justiça Desportiva para casos que envolvam manipulação no Carioca e outras competições estaduais.

Na sequência das diligências, a Portuguesa afastou o atleta Luís Gustavo ao tomar conhecimento da suspeita e divulgou comunicado reafirmando compromisso com “transparência, ética e respeito às instituições”. O Nova Iguaçu manteve Sidão no elenco até o fim do estadual; após o campeonato, o zagueiro acertou transferência para disputa em outra competição.

O caso integra um conjunto maior de investigações sobre apostas e possíveis manipulações no futebol carioca. A Decon, delegacia responsável por apurações desse tipo, mantém cerca de 15 inquéritos em andamento que envolvem competições de vários anos e divisões.

Contexto das investigações

Em nota enviada enquanto as apurações corriam, a Ferj lembrou que mantém programas de monitoramento e cooperação com órgãos como Polícia Civil, Ministério Público, Superior Tribunal de Justiça Desportiva e CBF. A federação também apontou redução no número de casos suspeitos nos últimos anos: 19 (2022), 7 (2023), 3 (2024) e 2 (2025), segundo dados informados à reportagem.

Relatos e levantamentos publicados durante a disputa do estadual mostraram que aproximadamente 15% dos atletas de equipes menores admitiram já terem recebido sondagens ou propostas relacionadas a manipulação de resultados — indicativo das vulnerabilidades que motivam ações de prevenção e investigação.

Para entender o fenômeno em perspectiva e os riscos nas competições de menor visibilidade, a reportagem do Guia Esportivo explica práticas e cuidados em apostas em ligas menores: oportunidades, riscos e checklist prático. Também é possível consultar matérias que abordam trajetórias e relações da Portuguesa com o futebol local, como a reportagem sobre a presença histórica do clube em eventos internacionais e movimentações de mercado envolvendo atletas formados na instituição: história da Portuguesa-RJ e a cobertura de transferências que mencionam a Portuguesa em negociações recentes: transferência envolvendo a Portuguesa.

O episódio julgado pelo TJD-RJ reforça a interface entre o aparato disciplinar do esporte e as investigações criminais, sempre observando o direito de defesa e a possibilidade de recursos. No tribunal, a defesa dos atletas argumentou, conforme registrado, que não haveria provas suficientes para caracterizar crime, afirmação expressa por advogados que acompanham o caso.

Especialistas em integridade esportiva costumam destacar que a prevenção passa por monitoramento de mercados de apostas, formação e orientação a atletas e dirigentes, além de canais seguros para denúncias. Esses mecanismos são citados por federações e pela CBF quando o tema é a manipulação no Carioca e em outros torneios.

O TJD-RJ segue com previsão de julgamento de recursos em segunda instância, o que pode alterar ou manter as decisões tomadas nesta sessão. A apuração administrativa corre paralela às investigações criminais em curso na Decon e em outras instâncias judiciais.

Para acompanhar desdobramentos sobre o caso e outras reportagens sobre integridade e apostas no futebol, siga o Guia Esportivo no Instagram.

Fechamento: O veredito desta quarta reforça ações disciplinares contra irregularidades detectadas no estadual, enquanto as apurações seguem em instâncias esportivas e policiais.

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