Alisson na Seleção enfrenta hoje uma avaliação dual: ídolo no Liverpool e questionado por parte da torcida brasileira. Aos 33 anos e titular pela terceira Copa seguida, o goleiro chega ao Mundial com um histórico de sucesso em clubes e episódios recentes que alimentam debate sobre sua performance pela seleção.
Alisson na Seleção
Revelado pelo Internacional e profissional desde 2013, Alisson consolidou-se rapidamente como titular da Seleção e depois como um dos principais nomes do futebol mundial. No entanto, haverá sempre diferenças na forma como seu trabalho é visto no clube e na seleção, onde as cobranças se intensificam nos torneios mata-mata.
No Liverpool, o goleiro construiu trajetória que inclui títulos da Premier League e da Liga dos Campeões, além de prêmios individuais como a luva de ouro da Inglaterra em duas oportunidades. A transferência do Roma para o Liverpool, por 72,5 milhões de euros, o colocou entre os goleiros mais valorizados do planeta. Ainda assim, a trajetória recente é marcada por episódios que pesam na leitura pública: lesões e ausências frequentes nos últimos anos e atuações em disputas decisivas que nem sempre tiveram desfecho favorável.
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Lesões, ritmo de jogo e percepção pública
Dados reunidos por agências especializadas apontam que, nos últimos três anos, Alisson teve 13 períodos de baixa e deixou de atuar em 73 partidas entre Liverpool e Seleção, segundo levantamento do site Transfermarkt. O goleiro passou por afastamentos que limitaram seu ritmo — em um dos intervalos mais recentes, ficou dois meses fora e disputou apenas uma partida pelo clube nos três meses anteriores à apresentação à Seleção.
Esses períodos afastado fazem diferença na leitura do torcedor: enquanto no Liverpool Alisson tem rodagem constante — jogos de campeonato e de torneios europeus que oferecem oportunidades regulares de destaque —, na Seleção as partidas relevantes são mais espaçadas e os eventos decisivos ocorrem a cada competição, principalmente em Copas do Mundo e torneios de mata-mata.
O peso das penalidades e decisões difíceis
Em disputas de pênaltis, a memória coletiva tende a marcar goleiros por defesas decisivas ou por falhas em momentos cruciais. Alisson já participou de decisões por pênaltis com a Seleção: em 2019 foi decisivo nas quartas de final contra o Paraguai, com uma defesa, e na Copa América de 2024 fez uma defesa em outra disputa que não evitou a eliminação. Em 2022, nas quartas da Copa, o goleiro não conseguiu evitar a eliminação da seleção na disputa contra a Croácia, sem defesas nos pênaltis.
Essa alternância entre atuações de destaque e momentos de questionamento alimenta a narrativa pública sobre o que falta a Alisson na Seleção. Parte da crítica também se relaciona à comparação com goleiros que se tornaram símbolos nacionais, como Taffarel e Marcos, cuja consagração esteve ligada a títulos e atuações decisivas.
Fatores que aumentam a cobrança
- Expectativa por conquistas em torneios de mata-mata, onde a Seleção é julgada;
- Menor continuidade de jogos com a camisa nacional, reduzindo chances de “resgatar” a confiança do torcedor;
- Lesões e afastamentos que diminuem o ritmo de competição e a presença na memória recente do público;
- Comparação com ídolos nacionais que se eternizaram com títulos importantes.
Especialistas e repórteres que acompanham o Liverpool reconhecem que Alisson é um goleiro de classe mundial, com qualidades técnicas, saída de bola e reflexos elogiados. Como destacou Aadam Patel, repórter da BBC, trata-se de um atleta que qualquer clube de alto nível desejaria ter — mas as lesões dos últimos anos alteraram parte da análise sobre sua consistência física.
No campo da Seleção, pressões externas, como vaias em amistosos — como a registrada no Maracanã contra o Panamá —, refletem um torcedor exigente e uma conjuntura em que só os resultados definitivos apagam dúvidas. Ainda que o futebol seja coletivo, goleiros frequentemente recebem boa parte da responsabilidade simbólica em eliminações decisivas.
Para entender melhor o contexto de convocação e a relação com a torcida, o leitor pode acompanhar reportagens sobre listas de convocados e recepções dos torcedores, como a cobertura sobre a lista de convocação apontada por torcedores e registros de partidas internacionais em que Alisson foi protagonista, por exemplo na reportagem sobre o gol de Che Adams que fez história frente ao goleiro (Che Adams: o camisa 10 da Escócia que fez gol em Alisson). Para um olhar mais amplo sobre a relação entre a Copa e as tradições locais, há também a matéria sobre o Quarteirão da Copa.
Próximos capítulos e o que esperar
Alisson na Seleção seguirá sob escrutínio enquanto a Seleção avançar no torneio. A natureza dos torneios internacionais concentra julgamentos em poucos jogos, e goleiros de alto nível podem ter oportunidades de reverter percepções com atuações decisivas. Por outro lado, a combinação de lesões recentes e a pressão por resultados imediatos mantém a avaliação em compasso de espera.
Em última análise, a discussão sobre o que falta a Alisson na Seleção mistura elementos técnicos, históricos e emocionais: precisa de um desfecho coletivo vitorioso para transformar questionamentos em consagração. Até lá, o goleiro seguirá sob os holofotes, com credenciais europeias e a tarefa de convencer parte do público em campo.
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