Alonso critica F1 ao afirmar que os carros de 2026 têm menos potência que um Fórmula 2 e que ultrapassagens passaram a depender de um botão, mais do que da habilidade do piloto. Após o GP da Grã-Bretanha, o bicampeão voltou a destacar que o atual equilíbrio entre motor elétrico e combustão mudou profundamente o papel do condutor nas disputas.
Alonso critica F1 por menos potência que a F2
O piloto da Aston Martin disse que a distribuição de energia nas unidades de potência — em que o motor elétrico representa cerca de 43% e o motor a combustão 47% da força total — transformou estratégias de corrida e aumentou o protagonismo do gerenciamento de bateria. “Basta apertar um botão, e você ultrapassa se tiver uma unidade de potência melhor do que o carro à sua frente”, afirmou Alonso depois das corridas em Silverstone.
A reclamação do espanhol não é inédita. Ele havia feito críticas semelhantes ao longo da temporada, inclusive nos testes de pré-temporada e no GP do Japão, quando alertou que a necessidade de recarregar a bateria passou a ditar o que acontece na pista. Em 2015, já havia demonstrado sua frustração com unidades de potência deficitárias, chegando a dizer “Motor de GP2!” pela rádio da equipe — referência à antiga GP2 Series, hoje Fórmula 2.
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As queixas de Alonso refletem uma preocupação mais ampla no paddock: em circuitos como Silverstone e Spa, onde retas longas são decisivas, a gestão da energia pode deixar pilotos sem potência nos trechos seguintes, provocando uma sequência atípica de ultrapassagens e retaliações. O próprio espanhol apontou que, ao usar toda a potência em um trecho, há risco de ficar sem energia no setor seguinte — uma situação que ele classificou como prejudicial ao espetáculo e à necessidade de habilidade individual.
O que mudou nas regras e a resposta da FIA
Diante das críticas, a Federação Internacional do Automobilismo anunciou mudanças que começaram a valer a partir do GP de Miami, em maio, e declarou um plano para aumentar a potência do motor a combustão gradualmente até 2028. Essas alterações visam reduzir a dependência excessiva do motor elétrico e recalibrar a dinâmica de corrida.
Mesmo com as mudanças, Alonso critica F1 repetidamente em entrevistas e nos bastidores, mantendo o tema em pauta. Pilotos e equipes têm cobrado ajustes para que ultrapassagens voltem a exigir mais iniciativa do condutor — como frear melhor, ousar nas saídas de curva e fazer escolhas de traçado que forcem a disputa lado a lado.
- Gestão de energia mudou a estratégia de corrida;
- Ultrapassagens por vantagem elétrica aumentaram em retas longas;
- A FIA propôs medidas e aumento gradual da potência de combustão até 2028;
- Pilotos reclamam que talento foi reduzido ao gerenciamento de baterias.
No episódio mais recente em Silverstone, a corrida sprint teve um número elevado de intervenções elétricas, com pilotos aproveitando picos de potência para ganhar posições sem a necessidade de manobras arriscadas. Alonso afirmou que isso retira do esporte uma dimensão tradicional de risco e técnica que sempre foi valorizada pela categoria.
Para contextualizar o debate histórico, vale lembrar que a GP2 — hoje Fórmula 2 — sempre foi vista como categoria de formação, com carros cujo desempenho tradicionalmente fica abaixo do da F1. A afirmação de Alonso de que os F1 de 2026 chegam a ter “menos potência do que na F2” causou repercussão justamente por inverter essa expectativa e sublinhar o impacto das novas regras técnicas.
Repercussões e reações a respeito das críticas do espanhol vêm de diferentes frentes. Algumas vozes no paddock reconhecem a necessidade de ajustes, enquanto outras defendem o caráter tecnológico da era atual e a transição para soluções híbridas mais complexas. Entre as alterações já confirmadas pela FIA estão limites e parametrizações para a recuperação de energia e intervenções na configuração das unidades de potência.
Alonso também avisou que o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, deve apresentar problemas semelhantes aos vistos em Silverstone, por depender muito da energia disponível ao longo das longas retas. O circuito belga tem trechos onde a gestão da potência é determinante, e o piloto acredita que a situação pode se repetir caso as regras não equilibrem melhor motor elétrico e a combustão.
A discussão ganhou espaço na mídia e entre torcedores, que têm acompanhado declarações e análises técnicas sobre o novo pacote de 2026. Para aprofundar o contexto sobre a trajetória recente de Alonso, o leitor pode consultar reportagens anteriores sobre o piloto, como sua avaliação sobre um possível retorno a Le Mans e notícias sobre sua programação de corridas:
Leia também: Alonso abre portas para retorno a Le Mans, Alonso F1 2027 sugere aposentadoria e Fernando Alonso corre em Barcelona e prevê fase dolorosa.
O tema central continua a provocar debates técnicos e esportivos: enquanto a FIA ajusta o regulamento, pilotos como Alonso seguem vocalizando suas reservas sobre o impacto das novas unidades de potência no cerne da competição — e insistem que ultrapassagens devem exigir mais do piloto do que um simples ganho elétrico.
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