O Diretor Global de Esports de League of Legends falou abertamente sobre os desafios do Tier 2 do LoL em entrevista ao portal RFTGG News. Chris Greeley destacou que a principal barreira hoje é financeira e explicou por que atrair investimentos para esse nível do competitivo é mais complexo do que parece.
Desafios do Tier 2 do LoL
Segundo Greeley, o problema central não é falta de vontade, mas a lógica de mercado: investidores preferem direcionar recursos ao Tier 1, onde o retorno é mais previsível. A Riot, explicou o diretor, busca alternativas que não retornem ao antigo modelo de subsídios indiscriminados, que acabou se mostrando insustentável.
Por que o modelo atual falha em alguns mercados
O executivo apontou diferenças claras entre regiões. Na Europa, as ERLs (ligas regionais de desenvolvimento) funcionam como uma via sólida para jogadores e organizações chegarem ao topo. Já na América do Norte, as tentativas de fortalecimento do Tier 2, como o retorno do sistema de promoção e rebaixamento, não tiveram o impacto esperado.

Para além das diferenças regionais, há uma questão estrutural: organizar competições de nível intermediário exige um ecossistema com patrocinadores locais, mídia e infraestrutura de base. Sem esses elementos interligados, modelos isolados tendem a fracassar ou a se tornar dependentes de aportes externos.
Iniciativas e soluções em desenvolvimento
Greeley citou esforços práticos que a Riot tem testado para fortalecer o processo de desenvolvimento internacional, entre eles a criação da Asian Development League (ADL) e a promoção de mais confrontos entre equipes de Tier 2 de diferentes regiões. A ideia, segundo ele, é incrementar o calendário de partidas relevantes e gerar mais visibilidade para investidores.
Entre as propostas em avaliação estão:
- Mais competições inter-regionais para elevar a atratividade comercial;
- Formatos que permitam passagem gradual de talentos para o Tier 1;
- Parcerias com ligas locais para profissionalizar estruturas e público.
Essas medidas visam criar circuitos mais robustos, em que performance e visibilidade caminhem juntas — condição essencial para transformar interesse pontual em investimento contínuo.
No entanto, Greeley reconheceu que a resposta não é única: a Riot procura uma estratégia global com adaptações regionais, levando em conta que cada ecossistema evoluiu de forma distinta ao longo dos últimos 15 anos.

O debate sobre o financiamento e o formato do desenvolvimento competitivo também aparece ligado à operação das próprias organizações, que precisam equilibrar orçamento, formação de elenco e exposição. Segundo a entrevista, um aumento programado de confrontos internacionais entre Tier 2 poderia acelerar o desenvolvimento técnico e comercial das equipes.
Além disso, houve menção explícita à dificuldade de simplesmente subsidiar toda a cadeia: isso pode gerar dependência e distorcer incentivos, como aconteceu em modelos anteriores. Por isso, a Riot busca mecanismos que combinem competição, visibilidade e sustentabilidade econômica.
Para acompanhar as repercussões e a cobertura do circuito superior, inclusive o MSI 2026, o leitor encontra análises e desdobramentos aqui no site. Entre os conteúdos relacionados estão reportagens sobre a discussão em torno de jogadores consagrados e as performances das equipes brasileiras no torneio internacional, como as peças jornalísticas sobre a aposentadoria de grandes nomes e a avaliação do desempenho de times presentes no evento (entrevista sobre a aposentadoria do Faker, análise sobre a evolução do CBLOL e reportagem sobre a eliminação da FURIA no MSI 2026).
Impactos esperados no desenvolvimento
Se bem-sucedidas, as iniciativas desenhadas pela Riot podem aumentar a qualidade do torneio de base e oferecer trajetórias mais claras para jogadores e equipes. Ainda assim, a consolidação exige tempo, coordenação entre stakeholders e comprovação de que o investimento gera retorno real.
Na prática, o fortalecimento do ecossistema passa por capacitação de equipes, melhoria de transmissões, maior exposição da mídia e modelos comerciais que façam sentido para patrocinadores. A ampliação de confrontos internacionais e a organização de ligas de desenvolvimento são passos alinhados com esse objetivo.
O que esperar a curto e médio prazo
Nos próximos meses, a expectativa é por detalhes sobre a ADL e por testes de formatos que misturem equipes de diferentes regiões. A estratégia global da Riot promete ser flexível, com soluções específicas para cada mercado, o que pode acelerar a recuperação ou o fortalecimento do Tier 2 do LoL em alguns territórios.
Em síntese, a conversa com o Diretor Global de Esports deixou claro que não há uma solução única e imediata: é preciso combinar iniciativas regionais, competições relevantes e modelos de negócios atrativos para criar um ecossistema sustentável.
O futuro do Tier 2 do LoL depende, portanto, de ações coordenadas entre desenvolvedora, ligas, organizações e investidores — e de uma proposta que torne o investimento no segundo patamar tão interessante quanto o investimento no topo.
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