Senadora paraguaia exige Retratação de Mbappé e ameaça processá‑lo

Retratação de Mbappé — Mbappé em jogo pela Copa do Mundo
Mbappé é um dos artilheiros da Copa do Mundo — Foto: Jean Catuffe/Getty Images

A senadora paraguaia Celeste Amarilla publicou uma carta pública na qual exige a Retratação de Mbappé e afirma ter sido alvo de violência de gênero depois de a resposta do atacante ao seu post racista. A reação da parlamentar inclui a ameaça de medidas judiciais caso não haja um pedido formal de desculpas.

Retratação de Mbappé

No documento divulgado nas redes sociais, Amarilla diz que o problema é pessoal com o jogador e não com a França, e reclama de gestos e provocações atribuídos a Mbappé durante a partida entre França e Paraguai pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A senadora afirma que, além de críticas ao estilo de jogo, houve comportamento que ela considera de desrespeito e humilhação, especialmente ao negar o cumprimento ao goleiro paraguaio.

Amarilla acusa diretamente o atacante de tê‑la chamado de “mulher desprezível”, expressão que ela classifica como violência de gênero e que motivou a exigência de retratação. Em sua carta, a senadora ressalta sua trajetória pessoal e política e argumenta que não atacou a França como país, mas a postura do atleta.

Celeste Amarilla, senadora do Paraguai
Celeste Amarilla, senadora que fez ataque racista contra Mbappé — Foto: Reprodução

O que a senadora afirma

Na carta, Amarilla lista as razões que a levaram a publicar as mensagens iniciais — que foram apagadas depois — e sustenta que as postagens foram feitas “com o sangue fervendo” após a derrota do Paraguai. Entre as queixas estão:

  • provocações verbais antes da partida;
  • frases e gestos durante o jogo interpretados como desdém em relação aos paraguaios;
  • a recusa em cumprimentar o goleiro paraguaio ao fim do jogo.

A parlamentar diz ter se arrependido de ter reagido com insultos nas redes e pede agora que Mbappé faça o mesmo: uma retratação pública. Caso o pedido não seja atendido, ela anuncia que poderá buscar vias judiciais, citando violência de gênero e violência política contra mulher eleita.

Contexto e repercussão

A troca de acusações entre a senadora e o jogador ocorre em meio a um episódio maior de repúdio público. A Fifa já se posicionou contra manifestações racistas dirigidas a Mbappé, em uma reação institucional que buscou condenar ataques após a partida. O tema também alimentou reportagens sobre provocações em campo, como relatos de afrontas entre atletas e episódios de tensão durante a partida.

Antes mesmo das críticas políticas, a atuação de Mbappé no torneio e episódios envolvendo provocações foram destaque em matérias que acompanham a campanha da França, incluindo relatos sobre seu papel decisivo na classificação da equipe. Para leitura relacionada sobre desdobramentos no torneio e análises do jogador, acesse a cobertura do Guia Esportivo sobre a partida em que Mbappé decide França e garante vaga nas quartas, e sobre como a provocação com Cáceres foi registrada nos bastidores do jogo.

Além disso, a reação institucional ao caso pode ser vista na matéria que relata a posição da entidade máxima do futebol: Fifa condena ataques racistas a Kylian Mbappé.

Repercussão política

O episódio gerou manifestações oficiais no Paraguai e repercussão na imprensa internacional. Amarilla ressalta que foi eleita para representar seu povo e que, por isso, sente‑se legitimada a reclamar publicamente quando percebe ofensas dirigidas à sua representação e à sua condição de mulher e política.

Especialistas em direito e em legislação sobre violência de gênero costumam apontar que acusações desse tipo podem resultar em processos quando há elementos que comprovem dano moral ou discurso discriminatório. No entanto, medidas judiciais dependem de iniciativa das partes e da avaliação de provas, algo que a senadora afirmou poder adotar caso não haja retratação.

O pedido e os próximos passos

A Retratação de Mbappé pedida por Celeste Amarilla é colocada como condição para evitar a via judicial. A senadora pede que o jogador honre a cidadania francesa com um pedido público de desculpas; sem isso, ela diz que avaliará alternativas legais e políticas para responsabilizar o que classifica como violência de gênero.

Até o fechamento desta reportagem não houve confirmação pública de um pedido formal de desculpas por parte de Mbappé. A sequência do caso dependerá das decisões das partes envolvidas e, possivelmente, de posicionamentos institucionais que podem acompanhar o desdobrar do conflito.

Para acompanhar outras notícias relacionadas ao episódio, à trajetória de Mbappé no torneio e às reações institucionais, siga as atualizações do Guia Esportivo.

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