A Investigação Ryan Mendes segue em andamento e o presidente da Federação Cabo-Verdiana de Futebol, Mario Semedo, cobrou cautela ao comentar o caso nesta semana. Em entrevista à Radiotelevisão Cabo-verdiana, Semedo afirmou que a entidade ainda não foi formalmente notificada pelas autoridades e defendeu o respeito ao princípio da presunção de inocência enquanto não houver acusação formal.
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De acordo com o relato do dirigente, a federação nacional não recebeu comunicação oficial das autoridades neozelandesas sobre o inquérito. Fontes da reportagem apontam que a vítima, uma brasileira que atuou como intérprete da delegação cabo-verdiana durante o FIFA Series, procurou funcionários da federação desde março, sem obter resposta efetiva. A apuração indica que a denúncia resultou na abertura de investigação registrada em 10 de abril pela polícia da Nova Zelândia.
Investigação Ryan Mendes: situação e desdobramentos
Semedo ressaltou que, até o momento, trata-se de um processo em investigação e que é necessário aguardar o desfecho dos trâmites legais antes de qualquer posicionamento definitivo da federação. “Primeiro, a Federação não foi notificada, nada, absolutamente nada. Depois porque, segundo as notícias, é um processo que está em investigação. Portanto, convém que as pessoas deixem as coisas também terem um desfecho”, declarou o presidente à TV cabo-verdiana.
O presidente também destacou que Cabo Verde e a federação condenam toda forma de violência, incluindo agressão sexual, e afirmou que conhece Ryan Mendes há mais de 16 anos: “Nenhum de nós aprova isso. Está fora de questão. Ryan vem para a seleção praticamente desde menino. Há mais de 16 anos convivo com ele e nunca notei qualquer traço de agressividade.”
O que se sabe até agora
- Denúncia apresentada por uma brasileira que atuava como intérprete durante o FIFA Series, em março.
- A investigação foi registrada pela polícia da Nova Zelândia em 10 de abril e segue em andamento.
- A polícia neozelandesa confirmou existência do inquérito, mas não divulga detalhes por questões de privacidade.
- A FIFA informou que acompanha o caso em contato com as autoridades locais.
Além das declarações oficiais, a reportagem apurou que funcionários da federação, incluindo o secretário-geral Dan Merkel, foram procurados pela vítima em busca de apoio. Segundo fontes, não houve, até então, um suporte efetivo por parte da entidade. Em paralelo, a federação afirmou publicamente que não havia sido notificada.
No véspera do jogo de Cabo Verde contra a Argentina pela segunda fase da Copa do Mundo, a organização impediu que jornalistas fizessem perguntas sobre o caso ao técnico e ao zagueiro Stopira na coletiva oficial da Fifa. Em reportagens locais, a questão chegou a ser descrita como “proibida” pelo assessor de imprensa da federação.
Para entender o contexto mais amplo, é importante lembrar que investigações desse tipo costumam ser conduzidas com sigilo enquanto há recolhimento de provas e depoimentos. A confirmação pública de acusações formais depende do trabalho das autoridades competentes e, muitas vezes, de etapas que não são tornadas públicas por preservar a privacidade das pessoas envolvidas.
Repercussão e próximas etapas
O caso provocou atenção internacional por envolver um jogador em atividade pela seleção durante a disputa do FIFA Series e por se desenrolar em paralelo à participação de Cabo Verde na Copa do Mundo. A federação declarou que acompanhará o desenrolar do processo e que tomará medidas se houver necessidade de ações internas, sempre respeitando os procedimentos legais.
Jornalistas e observadores seguem buscando esclarecimentos. Reportagens relacionadas ao episódio e ao ambiente da seleção de Cabo Verde foram publicadas recentemente, trazendo contexto sobre a preparação da equipe e a postura institucional diante do episódio. Entre elas estão matérias sobre a postura da seleção antes e durante a competição, como a que aborda a proibição de perguntas sobre o tema pela federação (coletiva que vetou perguntas) e a reportagem que mostra os pilares da seleção cabo-verdiana no torneio (seleção de Cabo Verde aposta na união).
Há ainda cobertura mais ampla sobre o cenário do Mundial que traz informações correlatas, como listas e perfis de jogadores e situações extracampo (reportagem sobre jogadores e suas situações).
Até que as autoridades responsáveis divulguem novos elementos ou haja uma notificação formal à federação, o caso permanecerá em caráter de investigação. Cabe às autoridades neozelandesas e à FIFA, quando aplicável, conduzir os passos legais e processuais.
“Na Justiça existe um princípio básico: a presunção de inocência. Principalmente porque não há uma acusação formal de nada em relação a qualquer atleta.” — Mario Semedo
O episódio reforça a necessidade de procedimentos claros entre federações, atletas e comissões técnicas quando casos dessa natureza surgem durante eventos internacionais. Enquanto isso, a apuração jornalística e as instâncias oficiais seguem acompanhando o caso com atenção.
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