A discussão sobre a Copa do Mundo 64 seleções ganhou força após os números e recordes da edição com 48 equipes, mas, apesar dos argumentos a favor, o caminho para ampliar o Mundial novamente até 2030 segue repleto de obstáculos políticos, logísticos e econômicos.
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Copa do Mundo 64 seleções: por que a proposta enfrenta resistência
O formato com 64 seleções foi defendido publicamente pela Conmebol, que alega um caráter mais inclusivo e a possibilidade de levar mais partidas para a América do Sul. A ideia prevê aumentar a fase de grupos de 72 para 96 partidas, ampliando o torneio e oferecendo mais confrontos para torcedores e transmissões. No entanto, a proposta esbarra em oposição das demais confederações e em questões práticas que tornam o cenário improvável para 2030.
Dados desta edição são citados pelos defensores da mudança: 4,6 milhões de espectadores na fase de grupos e 215 gols marcados, média próxima de três por partida. Ainda assim, confederações como a Uefa, Concacaf e AFC já demonstraram reservas, seja por logística, impacto nas competições regionais ou por equilíbrio desportivo.
Principais entraves apontados
- Resistência da Uefa: dificuldades operacionais e calendário apertado;
- Posições da Concacaf e da AFC: falta de consenso entre confederações;
- Impacto nas eliminatórias sul-americanas: perda de receitas e apelo comercial;
- Logística de sedes e calendário: mais partidas exigem infraestrutura e espaço no calendário internacional.
Na visão de dirigentes de algumas federações sul-americanas, ampliar o Mundial para 64 seleções reduziria o peso das eliminatórias tradicionais, que hoje têm 18 rodadas e representam fonte relevante de receita por venda de direitos de transmissão. Além disso, para 2030 já há três anfitriões confirmados — Espanha, Portugal e Marrocos (como parte da co-sede europeia) e Argentina, Paraguai e Uruguai receberam garantias de jogos — o que altera a dinâmica das vagas e da atratividade das competições classificatórias.
Dentro da Conmebol, embora exista lobby pela ampliação e a justificativa de celebrar os 100 anos da Copa, há vozes que ponderam alternativas. Uma proposta discutida é a manutenção do formato atual das eliminatórias, com 18 jogos, complementada por uma liga regional com premiação — uma solução pensada para preservar receitas e competitividade mesmo com sedes classificadas automaticamente.
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Além das discussões entre confederações, há o fator calendário: aumentar o número de seleções significa mais partidas em um período que já é pressionado por calendários de clubes e seleções. A logística de sedes e a operação de um torneio maior também elevariam custos e complexidade, pontos centrais para as federações que hoje se mostram céticas.
Para acompanhar a repercussão e a cobertura da competição em andamento, o Guia Esportivo traz atualizações diárias sobre partidas e desdobramentos, incluindo o calendário e jogos da Copa do Mundo e análises sobre desempenhos de seleções. Entre as matérias relacionadas estão relatos sobre a performance de seleções como os Estados Unidos nas fases eliminatórias e discussões sobre mudanças regulamentares, como a proposta de regras de pênaltis em debate na Fifa.
O que pode mudar até 2030
Mesmo com o ambiente atual desfavorável à Copa do Mundo 64 seleções, a proposta não foi oficialmente descartada e precisa passar por instâncias decisórias da Fifa. Em outubro passado, o tema chegou a figurar na pauta do Conselho da Fifa, mas acabou sem debate. A Conmebol segue defendendo o projeto e faz lobby, enquanto outros blocos consideram opções distintas para ampliar participação sem esticar demais o torneio principal.
Entre as possíveis alternativas que têm sido mencionadas em fóruns e reuniões estão:
- Criação de uma Liga de Nações continental com premiação para manter atratividade das eliminatórias;
- Ajustes no formato de classificação, inspirados em modelos de liga para evitar sobrecarga de partidas;
- Distribuição mais ampla de jogos entre sedes, com grupos reduzidos por país para equilibrar interesse regional.
Qualquer mudança significativa depende de negociação entre confederações, Fifa e interesses comerciais. O acerto de um novo formato precisaria ainda garantir viabilidade esportiva, econômica e logística para clubes, seleções e torcedores.
Por ora, o cenário mais provável é o de continuidade das discussões e de busca por alternativas para preservar a atratividade das eliminatórias e o valor comercial das competições regionais, sem a implementação imediata de um Mundial com 64 seleções até 2030.
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