O terceiro pedido de impeachment contra Osmar Stabile foi protocolado por um associado do clube e tem como base uma manifestação do Ministério Público de São Paulo que criticou a atuação do presidente em um processo envolvendo o vice-presidente Armando Mendonça e a gestão de materiais esportivos.
Contexto do pedido de impeachment
O requerimento apresentado por Leandro Cano sustenta que, ao se manifestar em um processo no qual o Corinthians figura como potencial vítima, Osmar Stabile adotou postura contrária aos interesses institucionais e assinou nota em defesa de Armando Mendonça. A denúncia do Ministério Público aponta que o presidente teria apresentado argumentos alinhados à estratégia de defesa do vice-presidente, o que motivou o novo pedido de impeachment.
O que diz a investigação
Segundo o Ministério Público, Armando Mendonça foi denunciado pelos crimes de apropriação indébita agravada continuada, tentativa de apropriação indébita agravada continuada, furto qualificado pelo abuso de confiança e coação no curso do processo. O promotor Cássio Conserino informou que Mendonça teria se apropriado de itens de material esportivo da Nike e, em alguns casos, ameaçado testemunhas durante a apuração. Em decorrência das acusações, Armando pediu licença do cargo.
O documento que embasa o pedido de impeachment também aponta possível conflito de interesses entre a administração do Corinthians e o dirigente investigado, além de sugerir que a conduta do presidente poderia configurar gestão temerária.
Pedido de impeachment: bases do novo requerimento
O associado autor do requerimento anexou ao pedido a manifestação do MP-SP como elemento central para justificar a remoção de Osmar Stabile do cargo. Em linhas gerais, os pontos levantados no pedido de impeachment incluem:
- Manifestação pública e institucional presumivelmente favorável ao investigado;
- Possível alinhamento de argumentos do presidente à defesa de um dirigente denunciado;
- Risco de prejuízo institucional e gestão considerada temerária;
- Suspeitas de conflito de interesses não esclarecidas pelos órgãos internos do clube.
O requerimento traz ainda citações à auditoria interna que, conforme afirmou Stabile durante a investigação, não concluiu que o vice-presidente tenha desviado ou se apropriado de materiais esportivos. É justamente a interpretação dessa auditoria — e a forma como a presidência comunicou suas conclusões — que está no centro das críticas apresentadas no pedido de impeachment.
Repercussão interna e pedidos anteriores
Este é o terceiro pedido de impeachment contra Osmar Stabile em 2026. Em abril, sócios e conselheiros já haviam protocolado um primeiro pedido que mencionava supostas violações ao Estatuto Social relacionadas ao acordo do clube com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para regularização de um débito estimado em R$ 1,2 bilhão. Na ocasião, os autores afirmaram que a diretoria teria oferecido o Parque São Jorge como garantia.
Dois meses depois, um novo requerimento foi apresentado por conselheiros e associados, desta vez apontando possíveis irregularidades na contratação de empresas de segurança. As ações registradas ao longo do ano ampliaram a pressão sobre o Executivo do clube e intensificaram o debate sobre governança no Corinthians.
O episódio também ocorre em meio à divulgação dos resultados financeiros do clube: o Corinthians fechou abril com déficit, cenário tratado com atenção pela diretoria e pelos conselheiros. Para entender o contexto financeiro, veja a análise sobre o déficit do Corinthians no mês de abril.
Além das questões administrativas, o clube ainda precisa lidar com movimentações no Conselho; recentemente houve retorno de lideranças após licenças e mudanças internas, assunto tratado na reportagem sobre o retorno de Tuma à presidência do Conselho.
O clima de cobrança por responsabilidade na gestão também afeta decisões sobre o elenco e o futuro esportivo. Em paralelo à disputa política, acompanhe a situação de atletas do clube em reportagens como a que aborda os jogadores emprestados pelo Corinthians.
Próximos passos e impacto institucional
Após o protocolo, o pedido de impeachment deverá seguir os trâmites previstos no estatuto do clube: análise inicial, possível instauração de comissão processante e, se aprovado, convocação de assembleia para votação. O desfecho dependerá da avaliação jurídica interna e do posicionamento do Conselho Deliberativo.
O episódio reacende o debate sobre transparência e controles internos em clubes de futebol, sobretudo em instituições com grande massa associativa e demandas financeiras relevantes. Enquanto o processo corre internamente, as partes citadas permanecem sob o escrutínio dos órgãos competentes e da opinião pública.
Em nota, a direção do Corinthians não divulgou posicionamento definitivo sobre o novo pedido até a publicação desta reportagem. A matéria será atualizada caso surjam novas informações.
Para acompanhar mais notícias e bastidores do clube, acompanhe as coberturas especializadas e reportagens de contexto que tratam da governança e da situação econômica do Corinthians.
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