Coreia do Sul leva psiquiatra da seleção e altera escalação na Copa

Doutor Han Deok-hyeon, psiquiatra da seleção, com a Coreia do Sul
Doutor Han Deok-hyeon, psiquiatra da seleção sul-coreana — Foto: Reprodução/Youtube

A Coreia do Sul levou um psiquiatra da seleção para a Copa do Mundo 2026 e integra o especialista à rotina de treinos e decisões técnicas da equipe. O médico, professor da Universidade Chung-Ang, atende individualmente os 26 convocados e compartilha avaliações com a comissão técnica, influenciando até a escolha dos titulares.

O papel do psiquiatra da seleção na rotina da equipe

Segundo relatos da delegação, o trabalho do psiquiatra da seleção inclui observação em campo para avaliar a compreensão tática dos jogadores, atendimentos individualizados e orientações aos treinadores sobre o estado psicológico do elenco. A comissão técnica tem usado essas informações como um elemento a mais na definição de escalações e na preparação mental antes dos jogos.

Na preparação para o duelo contra o México, em Guadalajara, a presença do médico sul-coreano ganhou destaque pela proximidade com os atletas durante os treinamentos. Um episódio recente na concentração chamou atenção da imprensa local e internacional, quando um drone sobrevoou o treino em Guadalajara e foi derrubado — um episódio que reforçou a cautela da equipe em relação à segurança e à rotina de trabalho durante o Mundial.

O treinador Hong Myung-bo convidou o doutor Han Deok-hyeon para integrar a comitiva. Com histórico em esportes de alto rendimento e experiência com atletas olímpicos e times profissionais de beisebol, o psiquiatra soma também passagens por centros de pesquisa nos Estados Unidos. Na visão da comissão, o suporte técnico-psicológico tem sido um diferencial na preparação do grupo.

Como o trabalho é aplicado na prática

O acompanhamento do psiquiatra da seleção ocorre em diferentes frentes, que incluem:

  • Avaliação da compreensão tática dos jogadores durante treinamentos;
  • Atendimentos individuais para identificação de fatores de stress e mecanismos de coping;
  • Relatórios e anotações compartilhadas com a comissão técnica antes das decisões de escalação;
  • Orientação sobre rotinas pré e pós-jogo para otimizar resposta emocional e foco.

Essas frentes de trabalho foram, segundo o próprio médico, determinantes para a preparação adotada na estreia contra a República Tcheca, partida em que a seleção sul-coreana venceu por 2 a 1. O psiquiatra e a equipe técnica creditam parte da eficácia tática e emocional da equipe à atenção ao estado mental dos atletas.

Em paralelo às avaliações técnicas, a atuação do especialista também passa por conversas com a comissão para alinhar expectativas quanto a substituições e formação inicial. Esse fluxo de informação tem colocado o psiquiatra como peça importante dentro da estrutura da delegação, sem, porém, substituir as atribuições do treinador ou dos preparadores físicos.

O uso formal de profissionais de saúde mental em grandes competições não é exclusivo da Coreia do Sul, mas a inclusão explícita de um psiquiatra no centro de decisões sobre escalação e preparação física chamou atenção por reforçar a tendência de integrar abordagens multidisciplinares em equipes de alto rendimento.

Desafios e limites do acompanhamento psicológico em um Mundial

Apesar dos resultados práticos relatados pela delegação, a aplicação desse trabalho enfrenta desafios operacionais: tempo limitado em regime de concentração, necessidade de sigilo e o equilíbrio entre observação clínica e decisões técnicas. A troca de informações entre o psiquiatra da seleção e a comissão exige protocolos claros para preservar a confidencialidade e garantir que o suporte beneficie o desempenho coletivo.

No ambiente tenso de um Mundial, pequenos detalhes comportamentais podem influenciar escolhas do treinador. A integração do psiquiatra às observações táticas auxilia a identificar jogadores que, além da condição física, apresentam melhor compreensão do plano de jogo — um critério que pode pesar na hora de definir o time titular.

Reportagens sobre a preparação sul-coreana também registraram medidas de gestão de imagem da equipe: a seleção optou por cancelar coletivas em determinados momentos, buscando reduzir exposição e manter o foco — movimento que já vinha sendo noticiado na coletiva da delegação.

Ao mesmo tempo, a proximidade do duelo com os donos da casa acentuou o trabalho de proteção da rotina dos atletas. Informações sobre potenciais escolhas de base e prováveis titulares foram tratadas com discrição pela comissão técnica, enquanto o corpo médico segue avaliando condições individuais.

Nos próximos jogos, a metodologia aplicada pela Coreia do Sul será observada por outras seleções e por especialistas no futebol internacional, que acompanham a integração entre saúde mental e desempenho esportivo. Mais do que um suporte pontual, a presença de um psiquiatra da seleção exemplifica uma mudança estrutural nas prioridades de preparação para grandes competições.

Para contexto adicional sobre o clima e os treinos da Coreia do Sul em Guadalajara, há registros de um incidente envolvendo um drone durante uma atividade de campo e cobertura sobre decisões de escalação e coletivas da delegação.

Leia também matérias relacionadas no Guia Esportivo: registro do drone em treino da Coreia do Sul, a movimentação do México em relação à formação com possíveis titulares antes do confronto e as mudanças na gestão de coletivas da equipe reportadas pela imprensa.

Fechamento: a presença do psiquiatra da seleção na delegação sul-coreana amplia o debate sobre o papel da saúde mental no futebol de alto nível e pode influenciar práticas futuras em outras equipes nacionais.

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