Argentina tenta espantar maldição do tri na estreia da Copa

De Paul e Messi comemoram a tentativa de espantar maldição do tri
De Paul, à direita de Messi, comemora a conquista da Copa do Mundo de 2022 — Foto: Grzegorz Wajda/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

A Argentina entra em campo nesta terça-feira em Kansas City com a missão de evitar aquilo que a história recente das Copas já condenou outras campeãs a enfrentar: a maldição do tri. Atual campeã mundial, a seleção que venceu o Mundial do Catar em 2022 inicia a defesa do título diante da Argélia, às 22h (horário de Brasília), com a base do elenco que levantou a taça há quatro anos.

Maldição do tri: histórico que assombra campeãs

O conceito conhecido como maldição do tri ganhou força após trajetórias parecidas de grandes seleções. Brasil, Itália e Alemanha viveram longos jejumes entre o tricampeonato e o tetra: os brasileiros de 1970 a 1994, os italianos de 1982 a 2006 e os alemães de 1990 a 2014 — episódios lembrados sempre que uma seleção tricampeã parte como favorita para o título seguinte.

A Argentina, que voltou a erguer a Copa em 2022 depois de 36 anos de espera, tenta não repetir esse roteiro e vai a campo com a tranquilidade destacada pelo técnico Lionel Scaloni na véspera da estreia. A preparação, apesar de marcada por problemas físicos, terminou com a confiança no grupo campeão.

Brasil campeão da Copa do Mundo 1994
Brasil campeão da Copa do Mundo 1994 — Foto: Peter Robinson/ Getty Images

O primeiro desafio e o Grupo J

Além do confronto com a Argélia, a Argentina terá pela frente Áustria (dia 22) e Jordânia (dia 27) na fase de grupos. Informações práticas sobre transmissões e escalações podem ser consultadas no guia de partida do torneio, inclusive onde assistir Argentina x Argélia.

Scaloni ressaltou que o primeiro jogo não define campeões e que a palavra-chave é tranquilidade: manejar desgaste físico, garantir equilíbrio do elenco e preservar jogadores em boa condição para fases decisivas fazem parte da estratégia montada pela comissão técnica.

Por que a história pesa?

Existem razões esportivas e psicológicas que ajudam a explicar por que equipes tricampeãs podem atravessar um período de resultados adversos na sequência: mudanças de geração, lesões, maior pressão e o acaso que marca formatos longos de competição. A memória coletiva, alimentada por episódios como as derrotas brasileiras entre 1974 e 1990 ou a espera italiana até 2006, reforça a narrativa da maldição do tri entre torcedores e analistas.

  • Brasil: tricampeão em 1970 e tetra em 1994, com passagem marcada por várias eliminações entre as décadas.
  • Itália: tricampeã em 1982 e tetra em 2006, com cinco edições sem o título no caminho.
  • Alemanha: tricampeã em 1990 e tetra em 2014, interrompendo um longo jejum.

No caso argentino, a comemoração popular após o título de 2022 — com grandes concentrações em Buenos Aires — soma-se ao peso de ter de administrar a expectativa de um país que viveu a glória recente e não quer repetir o ciclo de espera.

Notícias do cotidiano da seleção também ganharam espaço neste início de Copa; ações extracampo e episódios envolvendo torcedores circularam nas últimas horas, como a repercussão da confusão registrada em Nova York — a briga na Times Square virou vídeo e chamou atenção.

Além disso, desfalques e alterações na lista final renderam matérias sobre cortes e decisões na comissão técnica, como o episódio de Balerdi cortado da Copa e o agradecimento do jogador ao elenco.

Preparação, escalação e objetivos

A comissão técnica aposta na experiência do núcleo campeão de 2022 para encarar a maratona do Mundial. A ideia é conciliar gestão de esforço com alternativas táticas que mantenham a Argentina competitiva sem expor titulares que ainda recuperam ritmo após temporadas longas. A busca por estabilidade serve ao objetivo maior: somar partidas consistentes para avançar às fases decisivas.

Em campo a expectativa é ver uma seleção que privilegia posse de bola e variação de ataque, com jogadores capazes de decidir em momentos pontuais. A estreia contra a Argélia servirá como termômetro, mas a meta segue sendo clara: evitar repetir padrões que alimentaram a chamada maldição do tri em outros tempos.

O torneio agora começa, e a Argentina tentará escrever um capítulo diferente daquelas seleções que precisaram esperar décadas para voltar a erguer a taça. Com equilíbrio entre responsabilidade e confiança, a equipe buscará resultados que abafem o peso das histórias passadas e mantenham acesa a esperança do país por mais um título mundial.

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