Treinador de Gabriel Ganley faz primeiro pronunciamento após morte

Marcelo Cruz ao lado de Gabriel Ganley em registro de treino — Gabriel Ganley
Marcelo Cruz acompanhava Gabriel Ganley nos treinos — Foto: Reprodução/YouTube

O treinador Marcelo Cruz fez nesta semana o primeiro pronunciamento público sobre a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, que foi encontrado morto em 23 de maio, aos 22 anos, no apartamento onde morava, na Mooca. No vídeo divulgado nas redes sociais, Cruz lamentou a perda, falou sobre o vínculo com o atleta e disse estar abalado com as recentes acusações e questionamentos que surgiram após o caso.

O caso de Gabriel Ganley

Segundo documentos e reportagens sobre o caso, o atestado de óbito apontou morte súbita por cardiomiopatia hipertrófica, uma condição em que o músculo do coração se torna anormalmente espesso, comprometendo o bombeamento de sangue. A TV Globo teve acesso ao documento que relaciona a condição ao óbito, e o boletim de ocorrência detalha que o corpo foi encontrado por um amigo, que arrombou a porta após não conseguir contato com o atleta desde a noite de quinta-feira.

De acordo com o registro policial, a perícia encontrou diversos medicamentos no apartamento, possivelmente relacionados ao uso de hormônios ou anabolizantes, e o imóvel não apresentava sinais de luta ou crime. A mãe do atleta, Clarisse Ganley Christophe, prestou depoimento e afirmou ter falado pela última vez com o filho na quinta-feira, sem que ele mencionasse problemas de saúde.

O pronunciamento de Marcelo Cruz

No vídeo, o treinador relatou o choque e a dor pela perda e pediu desculpas pela demora em se manifestar. Ele disse que precisou de tempo para processar o ocorrido e confirmou que tinha uma relação de proximidade com o jovem, recordando treinos e conversas. Cruz afirmou ter orientado Gabriel em dietas e protocolos adotados durante a preparação, e que agora enfrenta questionamentos públicos sobre sua conduta profissional.

O treinador declarou procurar apoio na família e na fé para lidar com o luto, pediu respeito pelo momento da família do atleta e fez apelo por orações e mensagens de conforto. Em seu pronunciamento, enfatizou o carinho que tinha por Ganley e desejou força à mãe e aos próximos — posição que tem sido cobrada por parte da comunidade esportiva e por seguidores nas redes.

Contexto da carreira e investigação

Natural do Rio de Janeiro, Gabriel Ganley vivia em São Paulo há cerca de três anos e ganhou notoriedade nas redes sociais ao compartilhar rotinas de treino e alimentação, chegando a mais de 1,5 milhão de seguidores. Ele estreou nos palcos em 2022 como promessa do fisiculturismo e vinha se preparando para retornar às competições no Musclecontest Brasil, marcado para julho, em Curitiba.

Fontes oficiais apontam que, a partir de 2025, o atleta passou a utilizar fármacos para fins estéticos, o que alterou sua trajetória. O caso agora segue sob investigação pelas autoridades locais para apurar as circunstâncias da morte e possíveis responsabilidades. Até o momento, a Secretaria de Segurança Pública informou que diligências continuam e que a investigação não está encerrada.

  • Data do óbito: 23 de maio, encontrado no apartamento na Mooca.
  • Causa apontada no atestado: cardiomiopatia hipertrófica.
  • Itens apreendidos: medicamentos no imóvel — registrados como possivelmente anabolizantes.
  • Competição prevista: Musclecontest Brasil, em Curitiba, em julho.

Em meio à comoção, surgiram relatos de ex-atletas e pessoas do meio contestando protocolos adotados por profissionais que trabalharam com Ganley. Essas críticas motivaram um debate mais amplo sobre segurança, acompanhamento médico e responsabilidade em preparações que envolvem uso de substâncias hormonais.

Repercussão no meio do fisiculturismo

A morte do jovem atleta abriu discussões públicas sobre práticas no fisiculturismo competitivo, sobretudo no que se refere à orientação de profissionais e ao acompanhamento médico durante ciclos de preparação. Organizações e colegas de modalidade reforçam a necessidade de avaliações clínicas regulares e de transparência em protocolos que envolvam riscos cardiológicos.

Especialistas em saúde cardiovascular costumam alertar que a cardiomiopatia hipertrófica pode ser agravada por agentes que alteram a função cardíaca e pela sobrecarga de treinos, o que exige atenção de profissionais de diversas áreas — médicos, nutricionistas e preparadores físicos — quando há uso de medicamentos esteroides.

Próximos passos

A investigação policial e os procedimentos periciais seguem como principais caminhos para elucidar detalhes da ocorrência. Familiares e a comunidade aguardam os laudos complementares e os desdobramentos oficiais. Paralelamente, o meio do fisiculturismo debate medidas para aumentar a segurança de atletas, com propostas de maior acompanhamento médico e protocolos mais claros.

O treinador Marcelo Cruz reafirmou no vídeo que continuará colaborando com as autoridades e que segue abalado pela perda. A família de Gabriel segue em luto e recebe apoio de seguidores e colegas de modalidade.

Para acompanhar mais notícias e bastidores do esporte, siga o Guia Esportivo no Instagram.

Descanse em paz, Gabriel Ganley.

0 visualizações

Compartilhe:

X
Facebook
Telegram
WhatsApp
Print

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Outras Notícias
Notícias no E-mail

Reeba todas nossas novas notícias direto no seu e-mail.

plugins premium WordPress