A Copa do Mundo começou e traz de volta a incerteza que Edgar Morin dedicou a estudar: probabilidades derrubadas por surpresas, planejamento confrontado com improviso e uma paixão coletiva que transforma estatísticas em histórias humanas.
Copa do Mundo e o pensamento complexo
A proposta central do pensamento complexo — observar relações e interações em vez de fragmentar o fenômeno em partes isoladas — é visível em cada jogo, em cada decisão de convocação e em mudanças metodológicas que se consolidaram nas últimas décadas. A Copa do Mundo é, portanto, um terreno fértil para ver em ação essa visão, agora sem Morin, que morreu em 29 de maio.
Morin acompanhou gerações do futebol: do Uruguai campeão de 1930 até Messi levantando a taça em 2022. Sua obra ajuda a explicar por que resultados inesperados — como eliminações precoces de seleções favoritas, ou trajetórias improváveis como a do Marrocos — não são anomalias isoladas, mas manifestações de sistemas onde relações importam tanto quanto talentos individuais.
Da teoria à prática nos treinamentos
Nos bastidores, a influência do pensamento complexo aparece em decisões práticas. A munhequeira tática usada por Carlo Ancelotti nos treinos da seleção brasileira, que reúne instruções de bola parada ao mesmo tempo que desenvolve condicionamento e tomada de decisão, é um exemplo explícito de integração de componentes que antes eram tratados separadamente.
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Na convocação da Inglaterra, Thomas Tuchel exemplificou outra consequência do olhar sistêmico ao priorizar relações coletivas em detrimento de certezas individuais, deixando nomes como Trent Alexander-Arnold e Cole Palmer de fora. A pergunta se desloca: não é mais apenas quem é o melhor jogador, mas como as peças se encaixam entre si.
Como as ideias de Morin aparecem em equipes e metodologias
Treinadores, analistas e pesquisadores passaram a enxergar o jogo como um sistema de relações. Vítor Frade, com a Periodização Tática, propôs que o treino reproduza a complexidade do jogo; Paco Seirul·lo integrou princípios semelhantes no Barcelona; e José Mourinho difundiu essa visão praticada em competições. Pesquisadores como Matías Manna também aplicaram conceitos próximos ao pensamento complexo ao estudar aprendizagem em campo.
- Integração entre físico, técnico e tático;
- Ênfase em percepção e tomada de decisão;
- Adaptação contínua às demandas do jogo e ao imponderável.
Essas transformações não anulam a técnica ou o talento, mas colocam as relações entre jogadores e contextos como variáveis centrais para explicar desempenho e resultados na Copa do Mundo. Assim, questionamentos sobre por que Messi só venceu a Copa em 2022 ou por que Vinicius Júnior ainda não replica no Brasil o nível de clube são respondidos por uma mudança de foco: do indivíduo para as conexões que o cercam.
Exemplos práticos do torneio
As zebras recentes — como as eliminações de favoritos na fase inicial e avanços inesperados como o do Marrocos — mostram que um modelo probabilístico ou um bolão não substituem a análise das interações em campo. A tentativa de prever o vencedor da Copa do Mundo continuará sendo uma mistura de curiosidade, modelos e, inevitavelmente, surpresas.
Durante a competição, coberturas temáticas ajudam a entender o contexto e as histórias que se formam no torneio. Reportagens sobre a abertura e estruturas dos estádios trazem o clima do evento, enquanto perfis de jogadores emergentes mostram a renovação das seleções. Para quem busca acompanhar a movimentação do Mundial, há guias úteis como a cobertura sobre a programação e cerimônias da Copa e a seleção de jovens promessas a observar em 2026, que ajudam a ligar modalidades de análise tática e talento individual.
Para entender a atmosfera e o simbolismo do torneio, matérias como a que relata a lotação do Estádio Azteca na abertura oferecem contexto social e cultural sobre como a Copa do Mundo mobiliza governos, torcidas e mídia; e textos que discutem a despedida de craques conectam o presente com a tradição do evento.
Leituras complementares disponíveis na cobertura editorial trazem perspectivas diferentes sobre o mesmo fenômeno: há peças que falam da festa da abertura (Estádio Azteca e a abertura), da despedida de grandes atletas (despedida dos craques) e perfis que ajudam a identificar nomes promissores (dez promessas do Mundial).
Conclusão: adaptar-se ao imprevisível
Ao final, a Copa do Mundo continuará sendo palco de debates sobre melhores treinadores, sistemas táticos e jogadores decisivos. Mas, seguindo o legado de Edgar Morin, talvez o troféu seja conquistado por quem melhor compreender e organizar as relações internas do time, capaz de reorganizar-se diante do inesperado e transformar a incerteza em recurso estratégico.
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