O Cruzeiro vive uma situação atípica: mais de 20% do elenco feminino está afastado por lesão de LCA, um total de seis jogadoras em tratamento. A constatação reacende o debate sobre fatores de risco e medidas preventivas no futebol feminino.
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lesão de LCA: por que afeta mais atletas mulheres
O diagnóstico repetido no Cruzeiro — Sandoval, Millene, Gaby Soares, Ravenna, Tainara e Laura Felipe — mostra como a lesão de LCA pode se tornar um problema coletivo quando ocorre em sequência dentro de um mesmo elenco. Entender as causas é condição essencial para reduzir a incidência.
Os relatos do departamento médico do clube e a avaliação do ortopedista Marco Antônio Percope, professor da UFMG e especialista em joelho, indicam fatores múltiplos: histórico de formação esportiva, diferenças anatômicas, ajustes de carga e possíveis influências hormonais.
Formação e controle neuromuscular
Percope destaca que o desenvolvimento neuromuscular influencia diretamente o controle do joelho em ações como saltos e mudanças de direção. Segundo o especialista, a menos exposição precoce a atividades esportivas contribui para padrões motores diferentes entre meninos e meninas, o que pode aumentar a chance de o joelho assumir posições de risco, como o valgo dinâmico, na recepção de saltos.
Programas de prevenção treinam força, equilíbrio e técnica de aterrissagem e diminuem a probabilidade de rompimento do ligamento, conforme apontam especialistas e protocolos internacionais.
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Diferenças anatômicas e o papel da fossa intercondilar
Outra explicação técnica envolve a fossa intercondilar do fêmur: quando essa estrutura é menor, o LCA pode sofrer mais atrito ou mesmo ser mais fino, o que teoricamente facilita rupturas em movimentos de alta exigência. O médico cita estudos que associam essa característica a maior propensão a lesões.
Esses fatores anatômicos, combinados ao controle neuromuscular e ao tipo de calçado utilizado, ajudam a explicar por que o mesmo trauma que não levaria à ruptura em algumas situações pode ser suficiente em outras.
Ciclo menstrual e fatores hormonais
A hipótese de influência do ciclo menstrual segue em discussão. Alterações hormonais podem provocar maior frouxidão ligamentar em fases específicas, aumentando a vulnerabilidade a entorses e lesões. A literatura ainda não é conclusiva, mas o tema faz parte da avaliação clínica e do monitoramento individual das atletas.
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Medidas de prevenção e monitoramento
O Cruzeiro informou que vem ampliando estudos sobre os casos e integra ferramentas de monitoramento — GPS, controle de carga, sono, humor, hidratação e dados fisiológicos — para buscar padrões que expliquem a recorrência. A gestora Luiza Parreiras afirmou que a intenção é cruzar variáveis para chegar a causas objetivas.
- Programas específicos de força e propriocepção;
- Ajuste de carga e periodização individualizada;
- Escolha adequada de calçado para cada tipo de piso;
- Monitoramento do ciclo menstrual e fatores de recuperação.
Além disso, especialistas defendem intervenções desde as categorias de base, com ênfase no treinamento neuromuscular precoce e na educação técnica para aterrissagem e mudanças de direção.
Contexto da temporada e impacto no elenco
Com seis jogadoras em tratamento, o clube ficou em posição de liderança entre equipes femininas em registros de LCA na temporada. A situação afeta planejamento tático e opções de elenco, o que exige ajuste de atividades e, eventualmente, a promoção de atletas da base.
O tema também traz repercussão em debates maiores sobre infraestrutura e calendários: variação de gramados — natural e sintético — cuja influência é menor do que a do calçado, segundo especialistas, e condições de recuperação entre jogos são pontos citados em análises técnicas.
Para acompanhar a cobertura e entender desdobramentos do trabalho do clube, o leitor pode consultar reportagens relacionadas sobre a gestão de elenco e movimentações do Cruzeiro, que ajudam a contextualizar as decisões do departamento: situação e gestão do elenco, agenda e adaptação em pausas do calendário e análises sobre clubes no país em termos de desgaste e partidas.
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Fechando a pauta, a avaliação técnica indica que reduzir a incidência de lesões passa por combinar estratégias médicas, metodológicas e estruturais. No caso do Cruzeiro, o trabalho envolve todos os setores do clube, masculino e feminino, para encontrar causas e implementar mudanças eficazes.
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