São Bento e a Seleção aparecem entrelaçados na trajetória do futebol brasileiro por meio de três jogadores formados em Sorocaba: Paraná, Marinho Peres e Luís Pereira. O vínculo entre o clube e as Copas de 1966 e 1974 é o tema desta matéria, que reúne dados de arquivo, depoimentos e a mostra do Museu do EC São Bento.
São Bento e a Seleção: legado, números e memórias
O ponta-esquerda Ademir de Barros, o Paraná, foi revelado pelo São Bento e somou 136 partidas, 42 gols e 26 assistências pelo clube entre 1960 e 1964 — voltando em 1978. Em 1965, transferiu-se para o São Paulo e conquistou convocações pela seleção: disputou 11 partidas, entre elas o jogo da Copa do Mundo de 1966 contra Portugal, quando o Brasil perdeu por 3 a 1.
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Paraná recorda os bastidores daquela convocação em entrevistas: a seleção de 1966 teve uma participação abaixo do esperado, com eliminação na primeira fase após uma vitória (2 a 0 sobre a Bulgária) e duas derrotas (3 a 1 para Hungria e 3 a 1 para Portugal). Em relatos, o ex-atleta comentou desentendimentos que marcaram seu ciclo na seleção, inclusive um conflito com o dirigente Carlos Nascimento.
Da revelação à defesa: Marinho Peres e Luís Pereira
Marinho Peres e Luís Pereira também foram profissionalizados pelo São Bento e compuseram a defesa titular do Brasil na Copa de 1974. Marinho disputou 42 jogos pelo Azulão entre 1965 e 1966, com quatro gols e três assistências, antes de atuar na Portuguesa e no Santos a partir de 1972. Desde 1968, colecionou 15 jogos pela seleção e foi capitão do time na Alemanha em 1974.
Luís Pereira, conhecido como Chevrolet, vestiu a camisa do São Bento em 64 partidas entre 1967, 1968 e ainda em 1994, assinalando três gols pelo clube. No plano internacional, defendeu o Palmeiras entre 1968 e 1975 e o Atlético de Madrid entre 1975 e 1980, além de ter 38 jogos pela seleção, com presença em torneios como a Copa América de 1975 e as Eliminatórias para a Copa de 1978.
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Na Copa de 1974, Marinho foi titular nas sete partidas e capitão da equipe que avançou até a fase final, quando foi superada pela Holanda de Johan Cruyff. O Brasil terminou em quarto lugar após enfrentar Alemanha Oriental, Argentina, Holanda e Polônia naquele torneio.
Luís Pereira disputou seis jogos na competição e foi expulso na partida contra a Holanda, por uma entrada em Johan Neeskens, ficando suspenso para o jogo do terceiro lugar contra a Polônia — um desfecho que impediu seu sétimo jogo no Mundial.
Exposição e memória: o Museu do EC São Bento
Para celebrar essa ligação entre clube e seleção, o Museu do EC São Bento montou a exposição temporária “O Azulão e a Amarelinha: O São Bento nas Copas do Mundo”, em cartaz até 18 de julho. A mostra destaca a passagem de Paraná na busca do tri ao lado de Pelé e Garrincha, a liderança tática de Marinho Peres e a redefinição do papel do zagueiro por Luís Pereira.
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O Museu do EC São Bento funciona aos sábados, das 10h às 16h, no Complexo Humberto Reale (avenida Nogueira Padilha, nº 657, Vila Hortência). A iniciativa também lançou uma camiseta comemorativa com a imagem dos três atletas, disponível para torcedores.
Por que importa relembrar
Histórias como as de Paraná, Marinho Peres e Luís Pereira ajudam a entender como clubes menores podem formar atletas que chegam ao ápice do futebol mundial. A conexão entre clube e seleção alimenta acervos, memórias e o diálogo com torcedores, além de inspirar pesquisas e exposições locais.
- Paraná: revelado no São Bento, convocado em 1966, 136 jogos, 42 gols;
- Marinho Peres: 42 jogos pelo Azulão, capitão em 1974, 15 partidas pela seleção;
- Luís Pereira: 64 jogos pelo clube, 38 partidas pela seleção, presença em 1974 e 1975.
Para contexto histórico e curiosidades sobre camisas da seleção e outras memórias, veja também a matéria sobre a camisa da seleção centenária de Amílcar Barbuy e o relato de jogadores em Copas mais recentes, como o caso de Josué, do Coritiba, que teve sua trajetória marcada por um episódio na Copa de 2014.
Para acompanhar fotos, bastidores e material adicional, visite o Instagram do Guia Esportivo e confira tudo sobre reportagens e acervos.
O legado do São Bento e a Seleção permanece vivo nas memórias, nas exibições museológicas e nas camisetas que chegam às mãos dos torcedores — uma ponte entre a história local e os palcos do futebol mundial.
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